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Capa do romance Meu Adorável Cafajeste

Meu Adorável Cafajeste

Dante Travel deixou para trás a vida de farras para assumir os negócios da família. Ao retornar, depara-se com a morte do pai e a iminente falência da Travel Lawyers. Embora um casamento por conveniência com uma socialite mimada pareça ser a única saída, tudo muda quando ele descobre ser pai de uma menina de cinco anos. Entre segredos e confusões, Dante acaba rendido por um amor inesperado pela mãe da criança, transformando completamente o seu destino.
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Capítulo 3

DOCES OU TRAVESSURAS? - Parte 2.

Lili

Algumas horas...

Passamos o dia fazendo as atividades do cotidiano do internato. Eu, concentrada e Alice em polvorosa movida por uma ansiedade que ela não consegue esconder. À noite como sempre após o jantar todas as meninas vão para os seus devidos dormitórios e nós dividimos o nosso quarto com mais duas garotas. É um cômodo bem amplo com suas enormes janelas de madeira e vidros transparentes, que nos dão as belas visões das montanhas atrás de uma imensa floresta. E falando em nossas colegas de quarto, não se preocupem, elas não são empecilho para as nossas escapulidas, a final elas são boas de cama, se é que me entendem. O plano é o seguinte; vamos aguardá-las adormecerem, trocaremos de roupa e voltaremos para as nossas camas prontas e arrumadas para sair, e aguardar a hora que as irmãs se recolham. Debaixo da cama de Alice tem uma mochila com as nossas fantasias e o básico para uma maquiagem. Por fim, quando tudo estiver no mais completo silêncio, sairemos por uma das entradas secretas nos fundos do prédio. Um portão velho, coberto com ramos de folhas grandes e verdejantes que ninguém jamais vira antes. De verdade, tivemos muita sorte de encontrá-lo, pois diferente das outras passagens secretas, essa é a única que nos leva direto para a rua.

— Acorda, Lili, já é Halloween, é Halloween! — Alice ralha sussurrante repetidas vezes, sacudindo o meu corpo em cima do colchão. Acordando-me com um sobressalto e encontro um rosto extremamente sorridente. É, ela realmente está alegre por finalmente ter chegado essa data e eu não a recrimino, porque essa é uma data bastante especial para nós duas. Forço-me a abrir os olhos secos de sono, sentindo o incômodo da luz que vem dos postes das ruas e atravessam os imensos janelões iluminando parcialmente o quarto. Pelo amor de Deus, por que eles não colocam cortinas nessas janelas?! Resmungo mentalmente, soltando alguns grunhidos de desagrado. Às vezes penso que uma caixinha de sugestões ajudaria bastante nesse sentido. Bufo internamente. — Lili, pelo amor de Deus, acorda! — Alice rosna insistentemente. Com um suspiro me espreguiço, esticando o meu corpo todinho e encaro a garota com seu sorriso e largo e espalhafatoso. E saber que tudo isso é pelo simples fato de que ela ama essa festa. Oito anos, esse é o tempo que estamos juntas nesse lugar e especialmente hoje, Alice está fazendo dezessete anos e em poucos dias farei dezoito, e digamos que essa será a nossa comemoração em especial! Dizem que é nessa idade que ficamos ansiosas para descobrir coisas novas, porém, fica muito difícil quando se vive em uma escola para meninas e estamos sempre longe de meninos, restritas a muros altos e um portão enorme que nos separa do resto do mundo. Contudo, só saiamos do internato em datas especiais como essa.

Sobre a Alice, vou explicar como ela veio para nesse lugar. Ela assim como eu nasceu em berço de ouro, tinha pais empresários muito conhecidos no mundo dos negócios, era desejada e amada por eles, mas um maldito acidente de carro os tirou dela de uma forma brutal. Quem a colocou aqui foi o seu avô. Adolph Flores. Um homem de posses, governador do estado e muito influente. O contrário da Júlia, ele ama a sua neta, porém, acredita que aqui nessa escola grande e cheia de recursos a garota terá uma boa educação. Alice sempre diz que não gosta muito dos seus tios, que eles costumavam olhá-la com um certo desprezo a fazendo se sentir como uma intrusa em sua própria casa.

Enfim, hoje é Halloween, certo? É um dia para se comemorar, então vamos esquecer as mágoas do passado e nos divertir!

— Podemos dar uma volta pelo bairro e com sorte nos entupir de doces — falo assim que alcançamos uma calçada do lado de fora dos muros da escola. — Que tal uma maquiagem de bruxa? Fica legal, não fica? — comento sugestiva.

— Vai ficar perfeito em você! Vamos procurar um lugar melhor para fazer isso. — Alice diz ajeitando a mochila em suas costas. — Quero algo mais leve. Alho que lembre uma fada. O que acha? — Ela resmunga me fazendo sorrir.

— Ah claro, como sempre! — ralho debochada fazendo-a rir. A verdade é que eu não conseguiria imaginar uma fantasia diferente para ela. Embora muito travessa, Alice é uma garota muito doce e a nossa amizade acaba se tornando um contraste imenso por eu sempre ter uma personalidade muito forte, um tanto sarcástica, petulante e claro, eu tenho um pavio muito curto também. Não parece, não é? Mas experimenta pisar nos meus calos para ver. Já Alice como falei, é sempre um doce de pessoa, do tipo que não tem coragem de matar um pernilongo. Até parece ser feito de açúcar! Ela é sensível a ponto de conseguir se desmanchar por qualquer coisa e devido a isso, estou sempre protegendo-a, sempre a sua volta, enviando olhares assassinos para quem se atrever a pensar em machucá-la.

— Lembra da fantasia de fada que usei no ano passado? — Esse lance da fantasia é um pouco complicado, pois as portas da sala de artes estão sempre bem fechadas com chave e burlar a madre para conseguir ter acesso aos chaveiros é sempre uma mão de obra, mas no final, sempre vale a pena. — Acho que foi em uma festa a fantasia, não foi? — Exatamente. Respondo sem emitir som algum. É claro que eu lembro! Ela está falando de uma festa de uma amiga que aconteceu no internato. Era uma festa de quinze anos. Eu me vestir de mulher maravilha e Alice foi de fada. Puxo a respiração quando me lembro que foi nessa festa que Alice deu o seu primeiro beijo. Foi com um garoto convidada da aniversariante. Conversa vai e conversa vem e inesperadamente ele lhe roubou um beijo. Alice ficou indignada, ela dizia que os lábios dele estavam molhados demais e que a experiência não foi muito legal. Eu ainda não tinha beijado nenhum garoto, mas depois de me contar nos mínimos detalhes de como foi o seu primeiro, perdi até a vontade de beijar.

— Não sei por que você esconder a sua beleza em trajes como esses. Tenho certeza de que se escolhesse uma fantasia melhor... — A minha amiga me desperta quando começa a falar.

— Eu ia ficar mais bonita? — Completo a sua frase e reviro os olhos.

Sinceramente? Eu nunca me interessei em me vestir de princesa ou de usar fantasias sensuais só para mostrar que agora tenho seios, ou que meu bumbum é legal. Sempre me senti livre com os pés descalços, com uma camiseta velha ou com uma calça folgada. Diferente de Alice, nunca pensei em encontrar um príncipe fora daqueles muros, a única coisa que quero mesmo é ir para uma universidade, me formar e ficar longe da minha madrasta. Quanto a minha formação, eu ainda estou na dúvida entre arquitetura e economia, só sei que quero ir para mesma universidade que a Alice, já que ela é única pessoa que me importa hoje em dia.

— Quando vai deixar de ser BV? — Ela continua a resmungar. — Meu Deus, Lili, você já tem quase dezoito, deveria dar o seu primeiro beijo! — instiga. A pergunta é... qual o problema em não beijar, gente? Como se o fato de eu ainda ser BV fosse o fim do mundo! Resmungo internamente.

— Pra que? Para eu ter a mesma experiência que a sua? Não obrigada! Além do mais, do jeito que vemos garotos acredito que só irei beijar com trinta anos. — Ela gargalha e eu também. — E quem sabe eu perca a minha virgindade perto dos quarenta? — Mais gargalhadas surgem, até ela parar de maquiar e me fazer olhá-la nossa olhos.

— Não seja tão pessimista, amiga! — pede docemente. — E se você quer saber, ainda sonho com o meu segundo beijo e acredito que esse será muito melhor do que o primeiro. — Alice garantiu. Apesar de que pelo que ela conta, não precisaria de muito para que seu segundo beijo fosse melhor do que o primeiro. Ela só precisa encontrar um cara que não babasse tanto. — Prontinho! — diz quando termina e se afasta um pouco para apreciar o seu trabalho. — Você está maravilhosa! — Sorrio amplamente.

— Agora sente-se, vou fazer a sua maquiagem.

— Recebi uma ligação do meu avô hoje mais cedo — diz quando começo a pincelar as maçãs do seu rosto.

— E o que ele disse? — pergunto com interesse e Alice fecha os olhos para eu trabalhar neles. A garota dá de ombros.

— Me pediu para ter cuidado, você sabe, até parece que estou indo para o outro lado do mundo — retruca e sorri. Começo a espalhar um pó fino e brilhante pelo seu rosto, pescoço e colo.

Eu o entendo. Alice não tem muito cuidado consigo mesma. Ela não é do tipo cautelosa que pensa duas vezes antes de fazer qualquer coisa, está mais para o tipo sonhadora demais, que ver o mundo todo em cor de rosa. Sim, ela é um perigo ambulante para si mesma. Penso e finalizo o meu trabalho, apreciando o resultado. Após se olhar no pequeno espelho de mão, ela abre um sorriso apreciativo e é isso, estamos prontas para mais um Halloween.

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