
MENSAGEM PRA VOCÊ
Capítulo 2
NARRAÇÃO JOAQUIM
Passo a mão pelo meu rosto pela milésima vez. Detesto escrever essa coluna. Começou como uma brincadeira com Júlio e virou isso que está na minha frente. Uma coluna machista e sem qualquer verdade minha. Disse que eu não teria coragem de escrever algo machista no jornal e eu como adoro um desafio, propus ao meu chefe uma coluna que cutucasse as mulheres. Ele amou a ideia. Disse que conquistaria tantas leitoras com ódio que poderia dar certo. Elas iriam acompanhar a coluna por raiva. Só que eu odeio escrever isso. Discordo da forma como JD descreve o amor e a relação entre o homem e mulher. Só que a coisa bombou. O jornal recebe cartas diárias de mulheres que me odeiam e homens que me amam. Estou tentando fazer meu chefe excluir a coluna, mas ele alega que é a mais lida no momento e não pode se desfazer dela. Meu telefone toca e vejo no visor o nome do meu chefe.
- Fala James!
- Que voz é essa? Nem parece o colunista mais comentado da atualidade.
- Comentado não, você quis dizer odiado.
Ele começa a rir.
- Chegaram mais cartas. Quer pegar?
- Você sabe que me nego a ler essas cartas de mulheres irritadas me ofendendo.
- O dono do jornal está adorando esse sucesso todo. O mundo quer saber quem é JD.
- Não quero que o mundo saiba que sou eu. Alias, não quero mais escrever essa coluna.
- Joaquim você não pode parar agora. O dono pedirá a sua cabeça se abandonar a coluna.
- Passe para outro jornalista. Tenho certeza que alguém adoraria me substituir.
- Sabe que você é o cara e deve permanecer assim.
Paro na fila do café e um par de olhos azuis me chamam a atenção.
- Está ai ainda?
James pergunta no telefone.
- Sim, mas preciso desligar. Tchau!
Desligo o celular e o coloco no bolso. Permaneço com meus olhos na mulher encantadora a minha frente. Ela sorri para o João no balcão que sorri para ela de um jeito sexy. Ele está a caça.... Quero observar isso. Quero ver se ela se renderá a ele. Tenta chama-la para sair, mas ela foge. Fica vermelha com a insistência dele e isso é encantador. O tom vermelho dela é lindo quando fica com vergonha.
- Outro dia talvez.
Ela diz sorrindo e observo seus lábios sedutores. Sai da cafeteria e faço meu pedido para João.
- Não teve muita sorte.
Comento rindo de João.
- Essa mulher nunca me deu bola. Ela é durona e linda.
Ele sorri e me passa o pedido.
- Qual o nome dela?
- Diana.
Lindo nome para uma linda mulher. Saio da cafeteria e a vejo olhando as revistas e jornais. Bebo meu café admirando seu corpo. Ela é magra, mas tem curvas. Cabelos cor chocolate não muito cumpridos. Jogo fora meu copo vazio e paro na calçada ainda olhando ela comprar um jornal. Começa a abrir o Jornal de São Paulo em busca de algo. Anda sem prestar atenção e me movo para ficar a sua frente. O corpo dela bate no meu, mas demora a me olhar. Minhas mãos envolvem seus braços e ela ergue seus lindos olhos me encarando. Abre a boca em busca de ar e observo os detalhes de sua boca.
- Me desculpe!
Diz corando e isso de fato é muito encantador nela. Dou um sorriso e aperto ainda mais seus braços. Gostaria de envolvê-la em meus braços.
- Tudo bem! Apenas evite ler enquanto anda pelas ruas. Pode ser atropelada.
Encara minha boca e morde os lábios. Sinto uma parte minha pulsar e isso é sinal de ir embora.
- Preciso ir!
Digo soltando os braços dela e volto meus olhos para o jornal em suas mãos. Está na pagina da minha coluna. Deve ser uma das mulheres que me odeiam. O pensamento me desagrada.
- Fã do JD?
Pergunto sorrindo, mas acho que sei a resposta.
- Não. Eu detesto ele!
Diz sorrindo fraco e eu começo gargalhar. Todas me odeiam. Isso é um fato mais que certo.
- Muitas mulheres o odeiam. Preciso ir. Foi um prazer esbarrar em você.
Pisco para ela e me viro para ir embora.
- Até!
Sussurra fraco e apenas sigo pronunciando o doce nome dela.
- Até Diana!
*****************
Sento-me em frente ao computador buscando inspiração para o próximo tema da coluna. É difícil ter inspiração quando o que escreve não é sua paixão.
- Papai, não quero mais pintar. Posso ver desenho?
Dulce diz pulando em meu colo. Aperto o corpo dela no meu e cheiro seu cabelo. Amo o cheiro dela.
- O que acha do papai ler um livro com você?
Digo passando a mão em seus cabelos dourados, ela começa a bater palmas e sorrir.
- Com chocolate quente?
Ela sorri ainda mais e eu não tenho como negar esse pedido.
- Com chocolate quente.
Pula do meu colo e corre para a cozinha, com seu pijama cheio de coelhinhos.
**************
Abro a geladeira e o armário em busca dos ingredientes.
- Papai, por que você não namora?
Paraliso diante da pergunta dela.
- Como assim?
- A tia Lívia é casada com o tio Jhon. A tia Jessica namora o tio Edu. Você não namora ninguém.
Me aproximo dela e fico de frente, nos olhando.
- Sou seu namorado.
Digo sorrindo e Dulce revira os olhos.
- Você é meu pai. Namorados beijam na boca e você precisa de alguém para beijar na boca.
Fala rindo, pulando em meu colo.
- Quem te disse isso?
- A tia Jessica.
Sabia que tinha dedo da minha irmã nisso.
- A tia Jessica é louca. Nem todo mundo precisa namorar.
- Mas ela disse que todo mundo merece amar e que você um dia vai encontrar alguém que o ame como eu amo.
Essa garota ainda me mata com essa fofura toda. Começo a morde-la toda e ela gargalha.
- Um dia quem sabe eu encontre alguém. Mas hoje eu sou feliz tendo só o seu amor.
Digo abraçando-a e nos levando para a sala com nossos chocolates. Senta ao meu lado bebendo o chocolate em sua caneca rosa e abro o livro para ler.
- Qual história hoje?
Ela mexe a boca de um lado para o outro.
- Preciso de novos livros. Cansei desses.
Seguro o riso.
- Amanhã vou com a tia Jessica comprar. Fazer coisas de meninas.
Não seguro mais e começo a rir, fazendo-a me olhar brava. Paro na hora.
- Leia essa.
Me entrega o livro da cinderela. Envolvo meu braço em seu corpo e começo a ler. Quinze minutos foi o suficiente de leitura para Dulce adormecer. Pego-a com calma e a levo para seu quarto. Beijo sua cabeça e a cubro. Sigo para o escritório tentar escrever algo. Sento à mesa e a tela pisca informando que recebi uma mensagem de um tal de DJ. Respiro fundo e clico em abrir.
De: DJ
Para: JD
Caro senhor colunista.
Creio que seja um homem, visto que escreve coisas machistas e irreais para os dias atuais. Quero deixar aqui minha singela opinião sobre sua coluna. É uma merda... Você trata a mulher como objeto e não acredita no amor. O que faz ainda no mundo? Deve ser uma pessoa infeliz e sem realizações na vida. Espero que um dia o amor bata a sua porta e te mostre que a mulher vai além de seios fartos e um corpo escultural para ser exibido. Boa noite e se torne algo melhor.
DJ
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