
Memórias de um Anjo Apaixonado 2 - O diário de Angela
Capítulo 2
Ângela
Vinte anos depois...
Sabe, a vida é engraçada. Eu nunca imaginei que estaria seguindo os passos dos meus pais ou fazendo nada parecido com o que eles já fizeram...
Quando eu tinha catorze anos minha mãe me deu um diário, achei aquilo ridículo. Quem em pleno século vinte e um escreve diários? Temos Vlog, Blogs, Instagram, Facebook, um milhão de mídias e tecnologias para discutir nossos pensamentos com outras pessoas, até de forma anônima se quisermos e minha mãe me dá um diário, que cringe!
Eu cresci cercada de vários homens. Meus dois irmãos, meu primo e os filhos dos amigos dos meus pais. Além de ter um pai e tios super protetores (de sangue ou não), era a caçula, a princesinha da casa. Quando eu era pequena achava isso um máximo, pois todos tentavam me agradar, mas isso foi me incomodando bastante quando comecei a crescer.
No dia que ganhei o diário meus irmãos (como em todos os meus aniversários estavam lá).
— Ei maninha, quer dizer que você foi a escolhida para continuar a “história da nossa família”?
— Que história, Pierre? Só se for para contar o desastre que é o casamento dos nossos pais isso sim.
— Angelinha, o casamento dos nossos pais nem sempre foi assim tão ruim, você nunca leu os diários da família Huberman? — Perguntou Pierre surpreso.
— Eu nunca nem ouvi falar disso! Que diários são esses?
— Claro que ela não sabe Pierre, ela só tem catorze anos, tem coisas que ela não deveria ler neles. — Respondeu Richard, sempre protetor!
— Aí Richard pelo amor de Deus né? O que tem escrito lá que eu não possa ler? Sexo, drogas e rock n’ roll? — Perguntei rindo. — Nosso pai é ginecologista e nossa mãe completamente maluquinha, acredito que sei mais sobre sexo do que gostaria.
— Mas se a mamãe não disse nada sobre isso talvez não seja a hora de você conhecer a nossa história, não ainda. — Disse Richard.
— Só que agora vocês me deixaram hiper curiosa e terão que me ajudar a convencer a mamãe, eu quero ler.
— Isso não me parece uma boa ideia.
— Vai maninho, é meu aniversário, considere isso como mais um presente.
— É Richard, se você pedir para a mamãe ela com certeza vai aceitar, você sempre tem créditos com ela. — Disse Pierre.
Richard suspirou.
— Tudo bem, então esperamos o fim da festa e conversamos com a mamãe ok?
Pierre e eu demos um toque high five com as mãos e sai saltitando do lugar, meus irmãos nunca diziam não para mim.
Curtimos a festa com todos os nossos amigos, o único de todos que frequentava a nossa casa que eu não gostava era um garoto chamado Lorenzo. Ele é filho do tio Bruno e da tia Laila. Eu não sei bem como foram as coisas, só sei que ele foi adotado com três anos. Eu tinha dois anos quando isso aconteceu por isso não me lembro bem.
A antipatia entre nós, era mútua. Quando eu era pequena eu até gostava dele, mas ele sempre me ignorou, e uma tarde enquanto eu procurava meus irmãos para brincar ouvi ele dizer-lhes que eu era estranha e que lhe causava calafrios. Ele disse que o que mais o incomodava eram meus olhos. A maioria das pessoas achava a cor dos meus olhos fascinantes, já cheguei a ser chamada de olhos de gato na escola, eles eram castanho mel, mas às vezes ficavam verdes, eu era loirinha igual à tia Angélica.
Todos me abraçaram e me disseram palavras doces, menos o Lorenzo, mas eu não me importei com isso. Vi quando tio Bruno o obrigou a falar comigo. Ele veio com os pais, eu era apaixonada pelo tio Bruno e pela tia Laila então os abracei feliz. Lorenzo me estendeu a mão assim que os soltei. Revirei os olhos e estendi a minha mão também afinal meus pais me deram uma excelente educação.
— Feliz aniversário Ângela! — disse ele em um sorriso forçado.
— Obrigado. — Sorri tão forçado quanto ele.
Ele estreitou os olhos para mim e me puxou para um abraço. Fiquei imóvel, sentia as minhas bochechas queimarem. Quando voltei dos meus devaneios me afastei e disse entre dentes num sorriso:
— Eu ainda não gosto de você.
Ele sorriu e se afastou.
O resto da festa foi animada. Dançamos, comemos, teve o tradicional bolo, muitas fotos com meus pais, irmãos e amigos. Esperamos até o final para falar com a mamãe sobre o tal diário. Assim que todos os convidados se foram fomos até a biblioteca da mansão Huberman e ficamos extremamente surpresos quando ela respondeu:
— Não!
— Como assim mãe, por que não?
— Isso mesmo que vocês ouviram, não. Ângela não precisa ler nada, ela tem que criar suas próprias memórias e não se apegar a memória dos outros.
— Mas mãe eu e o Richard já...
— Vocês são adultos Pierre, mas eu não vou aceitar desobediência de nenhum dos dois, eu sei o que é melhor para Ângela ouviram?
— Sim, mãe. — Responderam Richard e Pierre em simultâneo.
Mas é claro que os meus irmãos não iam obedecer, não dessa vez. Eu estava tão curiosa e convenci os dois a me ajudar a encontrar, o que não foi difícil já que ele ficava no mesmo lugar que sempre esteve, segundo meus irmãos. Estava num alçapão no teto da biblioteca, acima das imensas instantes de livros. Encontramos apenas um deles, descobri serem dois naquele dia. O diário de Christine, minha querida avó de quem meu pai falava tão bem e com tanta saudade a minha infância inteira.
Estava tão empolgada que li ele inteiro na mesma noite. Demorei para digerir tudo que estava escrito, isso parecia a coisa mais maluca do mundo, minha família pertencia a uma organização secreta chamada Dark Angels? Caçadores de anjos? Meu pai, um anjo? Isso era impossível. As fotos da minha avó Rebeca ainda estavam lá, minha avó materna e era impressionante como eu me parecia com ela e aquele homem que estava com ela era muito parecido mesmo com meu pai mais jovem, fiquei realmente balançada, acreditava ou não em tudo aquilo?
Eu amava meu pai, afinal ele era meu pai, mas um anjo? Meu pai era um homem amoroso e atencioso quando éramos crianças, mas conforme fomos crescendo... muita coisa aconteceu. Ele mudou muito quando perdemos a Beatriz..., na verdade, todos nós...
High five é a expressão em inglês que significa o mesmo que "chegue batendo" ou "bate aqui". High significa em português: "alto" e Five: "cinco" (de cinco dedos). O high five consiste em uma batida de mãos entre duas pessoas de palmas abertas no alto.
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