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Capa do romance ME APAIXONEI POR UM COWBOY ELE É O CEO

ME APAIXONEI POR UM COWBOY ELE É O CEO

Após perder os pais, Elizabeth abandona tudo para cuidar da avó doente no interior do Texas. Sem recursos, ela aceita um emprego na imponente Fazenda Langford. Lá, conhece um homem simples e gentil trabalhando em um carro velho. O que Liz não suspeita é que ele é Eric Langford III, o bilionário CEO de um império automotivo. Eric decide esconder sua identidade para fugir de sua vida fútil, mas essa mentira pode destruir o amor genuíno que nasce entre os dois.
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Capítulo 2

– A Chegada

O vento do interior soprava mais seco do que Elisabeth lembrava. Não que tivesse alguma memória real daquele lugar. O pouco que sabia da Fazenda Silver Oak vinha das histórias desconexas que a mãe contava - sempre com um misto de nostalgia e amargura. Para Helen, o rancho simbolizava tudo o que ela havia superado: limites estreitos, rotina rural, ausência de liberdade. Mas para Liz, agora, aquele lugar era a única porta que restava.

A caminhonete da avó subia lentamente a estrada de terra, sacolejando ao passar pelas pedras. A paisagem era ampla, aberta, e o céu se estendia como uma promessa ainda não cumprida. Campos dourados avançavam até onde a vista alcançava, e o casarão da fazenda surgia ao longe como uma relíquia solitária, erguida entre o tempo e o silêncio.

Margaret Whitmore dirigia com a firmeza de quem nunca deixou que a idade lhe roubasse o comando. Calada desde a saída da estação, só falara para oferecer um lenço quando percebeu que os olhos da neta insistiam em se encher de lágrimas.

- "Você está mais pálida do que sua mãe era quando chegou a Boston."

Foi tudo o que disse.

Liz permaneceu quieta. Não era falta de palavras. Era excesso de dor.

Tudo nela doía - o corpo, a alma, as lembranças recentes. Cada ruído da cidade, cada cheiro, cada rua... eram lembranças do que perdera. Agora, até as cores pareciam mais opacas. Como se o mundo tivesse perdido o brilho no mesmo instante em que o avião deixara de responder.

Ao se aproximarem do pátio principal, o casarão mostrou-se em toda sua imponência. Madeira escura, colunas coloniais, varandas espaçosas e um telhado antigo, porém firme. Era um lugar que, apesar da idade, exalava força. Como Margaret. Como a linhagem Whitmore.

Liz desceu da caminhonete com passos hesitantes, observando tudo ao redor. O silêncio ali não era igual ao da cidade. Era mais profundo. Um tipo de silêncio que parecia conversar com os pensamentos.

Carregava apenas uma mala, um casaco dobrado no braço e uma pequena caixa de madeira - o que restara da vida anterior. Ao colocar os pés na varanda da casa, sentiu uma vertigem breve. Mas antes que pudesse reagir, algo - ou alguém - chamou sua atenção.

Do lado oposto do pátio, sob a sombra de uma antiga figueira, um homem estava abaixado, com as mãos mergulhadas até os cotovelos no motor de um carro antigo. O capô estava aberto, e a carroceria enferrujada denunciava que aquele modelo não via asfalto há muitos anos. O homem usava um macacão cinza, manchado de graxa e terra. Os cabelos estavam presos em desalinho na nuca, e a camiseta branca por baixo deixava entrever um físico firme, trabalhado - como alguém que trocava reuniões por ferramentas.

Liz não pôde evitar o olhar prolongado. Não por vaidade, mas por curiosidade. Ele parecia tão deslocado quanto ela se sentia. Um detalhe, no entanto, a surpreendeu: ele sorriu. Um sorriso limpo, inesperado, como se a presença dela ali não fosse apenas percebida - mas, de algum modo, bem-vinda.

- "Você deve ser a Liz," disse ele, levantando-se e limpando as mãos com um pano. A voz era grave, clara, com um sotaque leve demais para um trabalhador rural típico.

Ela assentiu, confusa.

- "Sou. E você... trabalha aqui?"

Ele hesitou, mas apenas por um segundo. Depois, deu de ombros, com um meio sorriso.

- "Algo assim."

Antes que pudesse perguntar mais, a senhora Evelyn surgiu na porta principal, abrindo os braços.

- "Senhorita Elisabeth, finalmente. Bem-vinda."

A governanta tinha um semblante firme, mas acolhedor. Não havia nela espaço para demonstrações excessivas de emoção, mas o tom da voz denunciava cuidado.

Margaret aproximou-se sem cerimônia.

- "Evelyn, ela está exausta. Mostre o quarto e a ajude com o que for necessário. Não preciso dizer que essa casa agora também é dela."

Liz assentiu, agradecida em silêncio.

Enquanto Evelyn recolhia sua mala, Liz lançou um último olhar ao homem de macacão. Ele já havia voltado ao motor, como se a presença dela fosse apenas mais uma entre as muitas que passavam por ali. Mas algo em seus olhos - azuis, intensos, estranhamente serenos - permaneceu com ela mesmo depois que entrou na casa.

O quarto de hóspedes ficava no andar superior, com vista para o celeiro e os campos. A cama era grande, os lençóis impecáveis, e a janela deixava entrar uma brisa quente, perfumada de lavanda e feno.

- "Se precisar de algo, estou no final do corredor," disse Evelyn.

- "Obrigada."

Liz sentou-se na beira da cama e só então percebeu como estava cansada. Mas antes que pudesse deitar, caminhou até a janela e olhou mais uma vez para fora.

O homem ainda estava lá, trabalhando no carro como se o tempo não existisse.

Ela não sabia seu nome.

Não sabia que ele era o verdadeiro herdeiro de tudo aquilo - do rancho, da casa, da fortuna que sustentava metade do Texas.

Para ela, era apenas um homem coberto de graxa...

Que a havia olhado como se ela ainda fosse inteira.

E por ora, isso bastava.

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