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Capa do romance ME ACORDE APÓS O INVERNO

ME ACORDE APÓS O INVERNO

Samuel Beaumont, rei de Avalon, vive entre excessos e solidão até se encantar por uma mulher misteriosa. Enquanto a Corte exige um casamento político para garantir o trono, Sam busca a dona de uma voz suave e perfume marcante. Ele não sabe que ela também o procura, guiada por sua tatuagem de coroa, mas o rejeita ao se encontrarem. Dividido entre a máscara e a realidade, o rei tenta derreter o gelo de um coração ferido antes que o inverno acabe.
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Capítulo 3

ALPEMBURG

 DIAS DEPOIS...

- Avalon lutará ao lado de Estevan, pela queda do rei Brendon e pela nova ordem de governo do país. – Bradei subindo numa mesa, retirando minha máscara, deixando claro àquelas pessoas que imploravam por ajuda de que eu, o rei de Avalon, estava disposto a lutar ao lado delas, oferecendo o que pudesse.

Sobre Magnus ter libertado Noriah Sul da monarquia... Sua mãe era uma rainha maquiavélica, como as vilãs de contos de fadas. Os primos de Estevan lutaram contra a própria mãe em nome do povo. Então sim, não era só o poder de um amor que os levou a fazer aquilo. Mas a consequência foi uma vida fora dos holofotes (ao menos eram menos visados do que quando tinham o poder da coroa), quase um "felizes para sempre".

Estevan havia agido como um estrategista. Fingiu aceitar a derrota e a forma como Alpemburg foi tomada de sua filha enquanto arquitetava um plano desde sempre pela retomada do país, ou melhor, livrá-lo das garras de Brendon D'Auvergne Bretonne, o rei mais fanfarrão e caricato que o mundo já viu. Ele podia simplesmente aceitar. Mas daí não seria Estevan, tampouco Satini, já que sempre lutaram lado a lado, fosse numa invasão a um castelo ou num hospital pela vida da filha.

Sim, aqueles eram os mais corajosos homens e mulheres que eu já tinha conhecido. Naquele momento poderiam estar em suas confortáveis casas sem se preocuparem com nada. No entanto estavam ali, fingindo serem pessoas comuns, usando máscaras que encobriam seus rostos, lutando uma luta que não precisavam... Mas a aceitaram porque acreditavam em seus países.

Como eu, eles respiravam adrenalina e precisavam dela para sobreviver. Não sei se novamente lutaríamos as mesmas batalhas ou se para sempre estaríamos lado a lado. A única coisa que eu sabia era que jamais gostaria de estar em lado oposto a um Chevalier ou um D'Auvergne Bretonne. Eu confiaria minha vida a qualquer uma daquelas pessoas com as quais eu estava naquele momento.

Foram várias madrugadas com encontros às escondidas e criação de táticas para detonar Brendon D'Auvergne Bretonne, todas lideradas por um certo doutor Domênico, ou "Dom", para os mais íntimos. Ele havia nascido para aquilo: convencer as pessoas de que a luta valia qualquer sacrifício. Aquele homem poderia estar em qualquer lugar do mundo, exercendo sua profissão, na qual era respeitado e requisitado. Mas em seu sangue parecia correr ainda o mesmo que a anos atrás fez com que montasse um grupo rebelde anti-monarquista que aderiu pessoas de toda Noriah Sul, fazendo a rainha Anne Marie Chevalier acabar num caixão, sendo que oficialmente nunca se soube quem deu o tiro que causou a sua morte.

Eu ficava entre os encontros secretos noturnos em Alpemburg e o governo de Avalon. Mas prometi a minha mãe que assim que Brendon D'Auvergne Bretonne perdesse a coroa, não lutaria mais batalhas que não fossem as do nosso país. Mas bem sabia que não era pelas batalhas que Emy Beaumont reclamava e sim pela minha ausência em nosso país, que eram constantes.

Minha aliança com os Chevalier e os D'Auvergne Bretonne era indestrutível. Eu sempre os ajudaria em qualquer situação e eles fariam o mesmo por mim. Então talvez fosse hora de finalmente voltar para "casa" e buscar novas alianças políticas, que não precisavam ser tão intensas e duradouras como a que eu tinha com as pessoas daquele momento, mas que pudessem trazer benefícios ao meu país.

Estando Brendon D'Auvergne Bretonne enfim fora do poder, nos reunimos para comemorar num bar em Alpemburg, longe da capital. Ficava num bairro pequeno e com poucas casas residenciais.

Finalmente pude sentar e tomar uma cerveja gelada sem ouvir críticas. Porque estar com eles era poder ser eu mesmo, já que conheciam minhas fraquezas, fragilidades assim como a minha força e bravura.

Satini e Katrina eram praticamente inseparáveis. E embora fôssemos um grupo, sempre que podiam elas ficavam juntas. E não demorava muito Magnus e Estevan se juntavam a elas. Então ficavam ali, esfregando felicidade na cara dos outros.

Eu ri sozinho enquanto sentia o amargor da cerveja barata descendo pela minha garganta, gelando até me cérebro.

- Que bom que ri da própria desgraça! – Ouvi a voz de Dom sentando-se ao meu lado, virado para a mesa onde eles estavam, observando-os.

- Sinta pena de si mesmo, não de mim! – Debochei da minha própria condição.

- Acabou! – ele disse enquanto batia o copo no meu, brindando – E digo que "acabou" tudo... Não só a guerra.

O olhei, percebendo que seus olhos não estavam nem pensando em se fixarem em mim. Eu conseguia ver Katrina em suas íris, como se estivessem ali tatuadas para sempre.

- Por que acabou? Não estamos mortos... E nem me sinto velho. Pelo contrário, ouvi dizer que depois do quarenta os homens ficam mais sexys e melhores de cama.

- Não tenho problema com meu pau... Ele ainda dá conta do recado. Mas já cansei de esperar, entende? – ele bebeu toda a cerveja do copo, ainda com os olhos fixos nela.

- Por ela?

- Pela morte de Magnus – riu e balançou a cabeça – Porque acho que mesmo se ele morresse, ela não ficaria comigo.

Eu ri e dei um tapa no ombro dele:

- Caralho, a sua pena de si mesmo é patética! Se quiser posso botar uma máscara e uma calça de couro e ficar sexy como ela.

Enfim consegui a atenção dele, que me encarou seriamente.

- Você só pode estar brincando! – pareceu preocupado.

- Claro que não! Eu fico lindo com calça de couro.

Começamos a gargalhar e eu já nem sabia se era por conta da bebida ou porque o riso vinha mesmo fácil quando estávamos juntos.

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