
Maternidade Roubada, Vingança Servida
Capítulo 3
Levei alguns segundos para encontrar minha voz. O choque inicial deu lugar a uma incredulidade indignada.
"Dezoito anos? Você está falando sério?", minha voz saiu mais alta do que eu pretendia, atraindo o olhar curioso de um colega da mesa ao lado.
Dona Sofia fez uma careta, irritada com a minha reação.
"Fale baixo! Você quer que todo mundo ouça?", ela sibilou, inclinando-se ainda mais. "Claro que estou falando sério! Você acha que eu brincaria com a saúde do meu filho?"
"Saúde? Que tipo de problema de saúde se cura com... com isso?", eu gesticulava, sem palavras, para o meu próprio peito. "Isso é... doentio! É pervertido!"
"Não é pervertido!", ela retrucou, a voz tremendo de raiva contida. "Meu filho, o Thiago, ele tem uma deficiência. A mente dele não se desenvolveu direito. Ele tem o corpo de um homem, mas a cabeça de uma criança. Eu li em todo lugar, o leite materno tem anticorpos, tem nutrientes que podem regenerar o cérebro! É a minha única esperança!"
A lógica dela era tão distorcida, tão desesperada, que por um momento quase senti pena. Mas a repulsa era mais forte.
"Isso não faz o menor sentido! Leite materno é para bebês! Não é uma cura milagrosa para um adulto! Você deveria procurar um médico, um especialista, não assediar as pessoas no trabalho!"
"Médicos!", ela cuspiu a palavra com desprezo. "Eles não sabem de nada! Só querem entupir meu filho de remédios que o deixam dopado! Eu sou a mãe dele, eu sei do que ele precisa! E ele precisa do seu leite."
A calma sinistra com que ela disse a última frase me deu um arrepio. Ela não estava pedindo, estava afirmando um fato.
"A resposta é não", eu disse, a voz firme, apesar do tremor nas minhas mãos. "Definitivamente não. Por favor, se afaste da minha mesa."
Eu me virei para o meu computador, na esperança de que ela entendesse o recado e fosse embora. Mas ela não se moveu. Senti a presença dela atrás de mim, pesada e ameaçadora.
"Você vai me dar o que eu quero", ela disse, a voz agora um rosnado baixo. "Amanhã. Na hora do almoço. Na sala de amamentação. Esteja lá."
Eu me virei de novo, incrédula.
"Você está me ameaçando? Eu vou chamar a segurança! Eu vou ao RH!"
"E vai dizer o quê?", ela riu, um som seco e sem alegria. "Que uma pobre mãe divorciada, com um filho deficiente, pediu seu leite? Eles vão rir da sua cara. Vão dizer que você está exagerando, que é coisa de mulher. Vão sentir pena de mim, não de você. Pense bem, Júlia. Você não quer criar problemas."
A confiança dela era aterrorizante. Ela já tinha pensado em tudo. Ela se via como a vítima, e sabia como usar essa imagem a seu favor.
"Você é louca", eu murmurei, o coração batendo descontrolado.
"Eu sou uma mãe fazendo o que for preciso", ela corrigiu. "Amanhã. Na hora do almoço."
Ela finalmente se virou e se afastou, caminhando de volta para o seu departamento com uma calma assustadora, deixando-me ali, tremendo, com o estômago revirado. A normalidade do escritório ao meu redor parecia uma piada. Ninguém tinha ideia da insanidade que acabara de acontecer na minha mesa.
Eu olhei para a foto do meu filho na tela do celular. Meu pequeno e indefeso Léo. Um instinto protetor feroz tomou conta de mim. Aquela mulher não chegaria perto de mim. Eu não ia permitir. Mas, no fundo, a ameaça dela ecoava: "Vão sentir pena de mim, não de você". E o pior era que eu sabia que ela podia estar certa.
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