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Capa do romance Maria: A Segunda Chance

Maria: A Segunda Chance

Maria, capitã da polícia, viu sua carreira ser arruinada por Sofia, sua irmã, que roubava o crédito de seus casos. Após ser humilhada e morta em uma emboscada, Maria desperta milagrosamente no passado, instantes antes da missão que causou sua queda. Diante da nova oportunidade, ela decide abandonar o heroísmo para buscar uma vingança implacável. O jogo virou: agora, a detetive usará todo o seu conhecimento para destruir quem a traiu e retomar seu destino.
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Capítulo 3

O ar na delegacia estava pesado.

Desde o caso dos traficantes de pessoas, minha equipe mal olhava nos meus olhos. Eles cumpriam minhas ordens, mas a lealdade havia sido substituída por uma mistura de pena e dúvida.

"Capitã, o relatório do patrulhamento noturno", disse Ricardo, colocando o arquivo na minha mesa sem o entusiasmo de antes.

"Obrigada, Ricardo. Alguma ocorrência fora do normal?"

"Não, senhora. Tudo quieto."

Ele hesitou na porta.

"Capitã... sobre o outro dia... por que nós recuamos?"

Eu o encarei. "Porque foi uma ordem, detetive."

Ele engoliu em seco e saiu, a porta se fechando suavemente atrás dele. Eu podia sentir os sussurros do lado de fora. Eu era a capitã que perdeu a coragem, a sombra da minha irmã genial.

Deixei que pensassem o que quisessem. Meu foco era outro.

Comecei a revisar meus casos antigos, aqueles em que Sofia "brilhantemente" encontrou a solução minutos antes de mim. Estudei minhas anotações, meus mapas mentais, minhas teorias.

E então, eu vi.

Não era apenas que ela chegava às mesmas conclusões. Era a forma como ela chegava.

Eu tinha um método peculiar de organizar minhas pistas, usando um código de cores e símbolos que só eu entendia. Uma linha vermelha para conexões confirmadas, um círculo azul para suspeitos, um triângulo amarelo para locais de interesse.

Nos relatórios oficiais de Sofia, a lógica que ela apresentava para a imprensa era uma cópia exata do meu sistema. Ela usava as mesmas palavras, as mesmas metáforas que eu anotava em meus diários de investigação privados.

Era como se ela estivesse dentro da minha cabeça, lendo meus pensamentos mais crus e transformando-os em suas próprias conclusões polidas.

A sensação era invasiva, repulsiva. Uma violação que ia além do roubo de crédito.

O telefone tocou, me tirando da minha análise sombria. Era o Chefe.

"Maria, na minha sala. Agora. Temos um problema."

A voz dele era pura urgência.

Na sala de reuniões, o clima era de crise. O caso era um sequestrador de crianças, apelidado de "O Fantasma". Ele já havia levado duas crianças em duas semanas, sem deixar um único rastro, um único pedido de resgate.

A cidade estava em pânico.

"Sofia está no comando da força-tarefa", disse o Chefe, sem rodeios. "Mas eu quero você trabalhando no caso também. Discretamente. Use sua experiência."

Era um teste. E uma humilhação. Trabalhar nas sombras enquanto minha irmã ficava com os holofotes.

"Entendido, Chefe."

Eu aceitei sem hesitar. Era a oportunidade perfeita.

Desta vez, eu mudaria a estratégia.

Voltei para minha sala e peguei uma lousa branca. Comecei a traçar o perfil do sequestrador, seus possíveis motivos, a área de atuação. Mas fiz algo diferente.

Tudo o que eu pensava, tudo o que eu deduzia, eu mantinha apenas na minha mente.

Na lousa, eu escrevia pistas falsas, teorias deliberadamente erradas. Criei um suspeito fictício, com um histórico e um modus operandi que pareciam plausíveis, mas que eu sabia serem um beco sem saída.

Eu passava horas na frente daquela lousa, fingindo analisar as pistas falsas, enquanto minha verdadeira investigação acontecia em silêncio, dentro da minha cabeça.

Foi exaustivo. Uma guerra em duas frentes: uma contra o criminoso, outra contra a ladra de pensamentos.

Depois de três dias de trabalho intenso, fiz um avanço. Encontrei um padrão minúsculo nos locais dos sequestros, algo que ninguém havia notado. Ambos ficavam perto de antigas linhas de trem desativadas.

O esconderijo dele tinha que ser em uma das estações abandonadas ao longo daquela linha.

Era um avanço real, o fio que poderia desvendar tudo.

Eu me preparei para agir, para levar essa informação diretamente ao Chefe.

Mas antes que eu pudesse levantar da cadeira, a TV da delegacia, sempre ligada em um canal de notícias, aumentou o volume.

Era Sofia, em uma coletiva de imprensa convocada às pressas.

Seu rosto estava sério, a expressão de um gênio sobrecarregado.

"Após uma análise profunda dos padrões do criminoso", ela disse, apontando para um mapa idêntico ao que estava na minha mente, "cheguei à conclusão de que o suspeito, que apelidei de 'O Fantasma', está usando a antiga rede de túneis de trem para se mover pela cidade. Seu esconderijo está em uma das estações abandonadas."

Meu sangue gelou.

Ela não apenas roubou minha conclusão. Ela roubou meu apelido para ele, "O Fantasma", algo que eu nunca havia dito em voz alta ou escrito em lugar nenhum.

Ela não estava apenas copiando minhas anotações.

Ela estava lendo minha mente.

A ficha caiu com um peso esmagador, uma clareza terrível que me deixou sem ar. Não era um truque, não era espionagem. Era algo pior, algo que eu não conseguia entender.

A frustração e a impotência me atingiram com a força de um soco. Como eu poderia lutar contra um inimigo que vivia dentro do meu próprio crânio?

Enquanto a delegacia explodia em comemoração pela "genialidade" de Sofia, eu apaguei a lousa com as pistas falsas, sentindo um desespero profundo e sombrio.

Minha irmã não era apenas uma ladra.

Ela era um monstro. E eu não tinha ideia de como detê-la.

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