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Capa do romance Mais que Desejo

Mais que Desejo

Chase Ward é um homem focado em poder e luxúria. Após conhecer a misteriosa Dama de Vermelho em um chat anônimo, ele fica obcecado e propõe três semanas de encontros. O que ele ignora é que essa mulher está mais perto do que imagina. Annelise Hamilton, sua nova secretária, detesta a arrogância do chefe, mas se sente atraída por ele. Ao descobrir a identidade de Chase, ela tenta escapar, mas uma oferta imperdível a prende. O desejo vencerá o poder?
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Capítulo 2

Duas horas antes

Fiquei olhando a porra de um lustre por quase meia hora. Ele pendia do teto lindamente, indicando que as pessoas que pisavam no chão daquele salão eram incrivelmente ricas. Cheguei uma hora adiantado, como sempre, e prestei atenção a cada detalhe do salão luxuoso em que estava. As paredes eram pintadas de branco e em intervalos, paredes de vidro e madeira subiam do chão de mármore, se encontrando no teto alto.

Estava esperando o sr. Sheppard, meu chefe. Hoje é definitivamente o dia mais feliz de toda a minha vida. Ele finalmente vai reconhecer que eu sou digno de uma promoção. Em toda a história da Shaffer & Sheppard eu fui o cara que mais levou clientes para a empresa. O sr. Sheppard me garantiu que se eu fisgasse mais um cliente hoje, poderia espalhar para o mundo que seria o novo diretor de marketing. Isso com certeza me deixaria em um patamar mais alto que Alan Patrick, o cara que está concorrendo comigo.

Ajeitei-me na cadeira e vi Alan do outro lado do salão. Ele lançou um sorriso malicioso quando me viu e eu respondi com uma piscada. Alinhei o terno.

— Chase, querido! — Sheila, a esposa do sr. Sheppard, me cumprimentou de longe. Ela arrastou o pobre homem, agarrado ao seu braço, até mim. Eu levantei e mostrei meu melhor sorriso.

— Sra. Sheppard — estendi a mão. Ela me puxou para um abraço. Eu fiz uma careta quando quase encarei seus peitos enormes que pulavam para fora do vestido longo e exagerado. — Sr. Sheppard. — murmurei, ainda sufocado pelo abraço de urso. Estendi a mão.

Ele apertou minha mão, cutucou Sheila com o cotovelo e ela me largou, enfim. Do canto do olho vi Brandon, o filho deles. Ele rapidamente pegou uma das taças de champanhe dispostas numa bandeja que o garçom carregava e, num piscar de olhos, estava plantado na minha frente, me puxando para outro abraço.

Jesus!

— Big Dick! — esfregou o topo da minha cabeça. Desvencilhei-me dele e ajeitei o cabelo. — A mamãe disse que seria uma boa ideia vir. E pelo jeito… — ele olhou em volta do salão. Eu sabia exatamente o que ele via. Mulheres elegantes desfilavam por todo o salão, espalhando charme e encanto. Mas Brandon via apenas bocetas com pernas. Ele piscou para mim.

— Bom, tenha uma ótima noite, Chase. — Disse o Sr. Sheppard.

Eu assenti, acenando com a cabeça.

Brandon e eu passeamos pelo salão, apreciando a vista — que, no mínimo, era espetacular — e eu vi Alan conversando com o cliente. Ele parecia deslocado e coçava o saco. Eu me aproximei e Brandon me seguiu, imitando-me depois que pedi para se comportar corretamente. O sr. Simon, CEO de uma das maiores marcas de cosméticos, abriu um sorriso educado quando me viu, ao contrário do Sr. Atrapalhado. Eu retribuí o gesto educado, e passei um braço por suas costas. Alan me fuzilou com o olhar, decretando que iria me matar. Eu sorri por cima do ombro e mandei um muxoxo. Brandon nos acompanhou até um garçom. Peguei uma taça de champanhe e ofereci ao sr. Simon, que conversava comigo sobre como precisava de uma inovação em sua empresa. Eu discuti com ele os motivos de que escolher a Shaffer & Sheppard era a melhor opção.

— Sabe de uma coisa? — Disse ele, olhando para mim. — Você foi o único que me ofereceu uma proposta decente. — Eu sorri.

Conversei sobre amenidades. Essa era uma tática muito importante. Se quer conquistar alguém, faça-a parecer Deus para você. Há uma semana eu venho me preparando para essa ocasião e todas as cartas da manga estavam acabando, então, parti para a minha ideia e arranquei um sim dele, que pareceu super empolgado e disse que iria falar com o sr. Sheppard mais tarde.

Mais uma vitória.

Dei um soquinho no ar quando tive certeza de que ele estava longe o suficiente e percebi que Brandon ainda estava do meu lado.

— Parabéns! — comemorou ele. — Você conseguiu, cara! Isso é tipo fazer um gol só de primeira.

Brandon, o filho do Sr. e a Sra. Sheppard, era um cara peculiar. Ele era uma mistura confusa de playboy e homem de negócios. O resto dos setenta por cento do tempo que estava caçando diversão era composto por trabalho duro e muitas horas de academia.

Nos sentamos à mesa e ele tirou o celular do bolso do paletó.

O garçom trouxe nossos pedidos, que chegaram somente depois de quase meia hora de espera.

— O que está fazendo? — perguntei, curioso. Ele deu de ombros.

A verdade é que nos aproximamos nos últimos tempos. A mãe dele me adora, seu pai me adora e ele me adora. Eu sou tipo o primo que de vez em quando aparece para uma visita surpresa.

— Sabe, é deselegante usar celular à mesa. — Bebi um gole do champanhe.

— Deve ser por isso. — Ele disse, chamando minha atenção.

— Quê?

— Deve ser por isso que você não tem namorada, Big Dick. — Disse ele. — Você não deveria se afundar tanto no trabalho, principalmente porque o resto das coisas são tão melhores. — Franzi a testa. — Você sabe… conversar, encontros, festas… essas coisas que todos solteiros deveriam fazer.

— E?

— E você faz justamente o contrário. Eu nunca vi você com uma mulher que não seja uma cliente ou a mamãe. Você precisa transar, Big Dick. — Comentou ele. Inclinei para frente e ergui uma sobrancelha.

— Eu transo. Transo muito.

— Muito? — ele não acreditou, porque sua expressão de descrença espalhou-se por todo o rosto.

— Não tanto quanto gostaria, mas isso não importa. Eu não tenho tempo para relacionamentos que não sejam profissionais — admiti. Ele praticamente gargalhou.

— Vou passar a te chamar de Bolas Azuis.

Eu bufei e ele riu.

— Pode me chamar de herói — ele me deu o telefone. — Se chama Secret People Chat.

— E o que tem de especial? — perguntei. — Parece só mais um site de encontros. — Dei de ombros e bebi mais um gole do champanhe.

— Talvez, mas neste, você pode manter sua privacidade enquanto conversa com quem quiser. Se o relacionamento ao decorrer da conversa parecer bom, você pode ganhar pistas de quem a pessoa é. Esse é o diferencial. O suspense, a empolgação…

— Hum. — Assenti, fingindo interesse. Eu o entreguei o celular. — Parece ótimo.

***

O evento estava só pela metade quando um dos garçons derrubou uma taça de vinho no meu terno novo. Eu fiquei puto, mas só sorri e fui ao banheiro. Ótimo! Quando voltei, eu percebi que Alan estava sentado com o Sr. Sheppard e sua esposa. Aproximei-me e descobri que Alan havia mentido para ele, dizendo que havia conquistado a conta da Liferty. Eu quis acertar um soco no meio do focinho dele quando lançou aquele olhar de " chupa essa manga ". Tive que usar todo o meu controle para não pular em cima dele.

O Sr. Sheppard foi embora trinta minutos depois, e eu voltei a olhar o lustre, quando finalmente tive a brilhante ideia de voltar para casa.

Saí do restaurante e reconheci facilmente meu Audi vermelho estacionado ao lado de outros dois carros. Frustrado, bati a porta com força e dirigi até minha casa. Meus ombros estavam rígidos e doloridos. O filho da puta do Alan conseguiu vencer a guerra, mas eu não iria deixar que ganhasse a batalha. Quando finalmente cheguei no meu prédio, o elevador pareceu durar uma eternidade até chegar no andar. Entrei em meu apartamento, derrotado e só de admitir isso podia ver o sorriso convencido no rosto do miserável.

Eu o odeio!

Odeio Alan Patrick.

Odeio o Sr. Sheppard.

Me odeio.

Caí no sofá e bufei, jogando o paletó para o outro lado da sala.

De repente, lembrei do que Brandon disse.

Como era mesmo o nome?

Secret People Chat.

Peguei meu celular no bolso e procurei na internet. Não demorou a aparecer. Fiz uma conta e comecei a divagar, rolando a tela, entediado. Então, uma notificação explodiu.

A.

Curioso, entrei no chat e li:

Quanto tempo? — A.

Eu ajeitei a postura, sentando-me.

Como é que é?

Mordi o lábio inferior.

Depende — Sr. Bolas Azuis — digitei.

Do quê? — A.

De quanto tempo vai me fazer esperar. — Sr. Bolas azuis.

HA HA — A.

Posso saber qual é o seu nome? — Sr. Bolas Azuis.

Depende — A.

Um sorriso de canto repuxou meus lábios.

De quê? — Sr. Bolas Azuis.

De quanto tempo você vai esperar. — A.

Brandon estava certo no final das contas. A minha conversa com a misteriosa A. durou quase uma hora. Conversamos mais do que provavelmente eu devo ter falado por um ano, e suas provocações fizeram com que meu coração acelerasse. Era um misto de suspense e empolgação, como Brandon disse, só que intensificado a mil.

Por algum milagre, A. conseguiu fazer minha noite melhorar.

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