
Mais do Que Uma Criada: A Vingança de Lia
Capítulo 3
Quando cheguei ao hospital, o ar estava pesado com o cheiro a antisséptico e a ansiedade silenciosa.
Encontrei-os no corredor do terceiro andar.
A minha sogra, Helena, estava sentada num banco, com o rosto contorcido de preocupação. O meu cunhado, Tiago, estava ao seu lado, a dar-lhe palmadinhas no ombro.
Pedro estava de pé, de costas para mim, a falar ao telemóvel em voz baixa.
A avó, a Dona Amélia, estava a ser levada para um quarto numa maca, com um médico ao seu lado. Ela parecia pálida, mas consciente.
Aproximei-me devagar.
"Pedro? O que aconteceu? Ela está bem?"
Ele terminou a chamada e virou-se para mim. O seu olhar era frio, desaprovador.
"Onde é que estiveste? Demoraste uma eternidade."
Antes que eu pudesse responder, a minha sogra levantou-se.
"Uma eternidade? Ela nem sequer se importou em vir! Tivemos de ser nós a tratar de tudo. Que tipo de nora és tu?"
A voz dela era alta, atraindo os olhares de outras pessoas no corredor. Senti o meu rosto a aquecer.
"Eu vim assim que soube. O Pedro não me disse em que hospital estavam. Eu tive de adivinhar."
Pedro franziu a testa.
"Não sejas ridícula, Lia. Qual outro hospital poderia ser? Devias saber estas coisas. A família vem sempre aqui."
Tiago, sempre o pacificador, interveio.
"Mãe, Pedro, acalmem-se. A Lia está aqui agora. É o que importa."
Helena bufou, virando-me as costas.
"Importa? Ela chega atrasada e ainda arranja desculpas. Inútil."
A palavra atingiu-me com força. Eu era a esposa de Pedro, a nora dela, mas para eles, eu era sempre uma estranha, uma intrusa.
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