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Capa do romance Lutando por Amor

Lutando por Amor

Criada na fazenda de Ilda Farrel, Clarice cresceu ao lado de David, desenvolvendo um laço profundo. Temendo essa proximidade, Ilda enviou o filho para longe, separando os amigos por oito anos. Agora, o destino força um reencontro inesperado. Ao se verem novamente, as mágoas antigas ressurgem com a intensidade da juventude, transformando a amizade infantil em um turbilhão de emoções complexas enquanto enfrentam as consequências do passado.
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Capítulo 3

À noite, ficou em dúvida se deveria ou não ir ao baile.

Seus pais já estavam prontos para ir e ela ainda não se decidira

- Você vai ou não, filha?

- Ainda não sei, mãe. Estou em dúvida.

- Mas nós já estamos prontos.

- Vão indo, se eu resolver ir, eu ligo para o João, sei que ele vem me buscar.

- Tudo bem.

O baile já havia começado, pois ouvia as músicas.

Ainda em dúvida, foi até o quarto e abriu a porta do guarda roupas. Olhou todos os vestidos e escolheu um vermelho de seda que havia usado na formatura de sua amiga Cláudia.

Sabia que este vestido lhe caia muito bem.

Olhou-se no espelho e decidiu. Iria ao baile.

Ligou para seu amigo João e foi tomar banho.

No baile, David viu os pais de Clarice chegarem sozinhos e foi falar com eles.

- Seu Paulo, dona Maria, quanto tempo.

- Olá rapaz. Você está um belo rapagão.

- Que bom que puderam vir ao meu baile. E Clarice, não vem?

- Não sabemos. Ela ficou em casa decidindo se viria ou não.

- E se ela quiser vir, como virá? Ela tem um carro?

- Não. Até hoje ela não quis ter seu próprio carro, disse que não precisa.

- E como ela virá então?

- Se ela decidir vir, ela vai ligar para um amigo. Ele certamente a buscará, afinal ele quer namorá-la. Não perderia a oportunidade de ficar a sós com ela por nada.

- Que amigo é esse? – David ficou nervoso.

- João. Um amor de pessoa.

- João? Eu não me lembro dele.

- Ele veio morar aqui depois que você partiu. O pai dele é o capataz da fazenda. Ele e Clarice são muito amigos.

David não sabia o porquê, mas ficou com ciúme de Clarice sozinha com João.

- Se o senhor quiser, eu a busco.

- Não precisa David – disse Maria – Se ela resolver vir, o João traz ela e também você não pode deixar sua namorada sozinha. Aproveite sua festa.

- Dona Maria, Ana não é minha namorada é apenas uma amiga da faculdade.

- Sei...

- É verdade. Não sei por que todos acham que ela é minha namorada.

- Talvez por que sua mãe tenha dito que esse baile seria para apresentar sua namorada a todos.

- Ela fez isso?

- Sim.

- Mas não é verdade.

- Isso não é de nossa conta. Você é maior de idade e namora quem quiser. Não precisa ficar nos dando explicações. Agora vá se divertir olhe lá, sua namorada parece estar chateada por estar sozinha.

- Eu já disse que ela não é minha namorada. Mas deixa pra lá. Divirtam-se vocês também. Espero que Clarice venha.

Sem obter resposta, David foi até outro grupo de trabalhadores que acabavam de chegar.

Do outro lado da fazenda, Clarice acabava de se arrumar para o baile.

Havia feito uma cuidadosa maquiagem e prendera o cabelo em uma trança. Estava linda.

João a esperava na sala e quando a viu sair do quarto ficou boquiaberto.

- Posso saber pra quem você se arrumou assim? Pra mim certamente é que não foi.

- Deixa de ser bobo. Eu nem estou tão bem assim.

- Garota, não há espelhos em seu quarto? Você parece um anjo de tão bela.

- Pare com isso João, assim me deixa encabulada.

- Mas Clarice, o que posso fazer se você está radiante? Devo mentir?

- Se você está dizendo que estou bem, eu acredito. Agora vamos ou perderemos o baile. Obrigada por ter vindo me buscar eu ainda não havia decidido se iria ou não.

- É um prazer poder ter você do meu lado nem que seja por alguns minutos.

- Oh João, você é sempre tão amável comigo, não mereço isso tudo.

- Você merece isso e muito mais. Você sabe como me sinto a seu respeito.

- João, não vamos falar sobre isso hoje. Vamos nos divertir como sempre fizemos quando saímos juntos.

- Tudo bem.

Cerca de dez minutos depois, João estacionava sua Toyota na frente do salão de festas da fazenda.

Desceu rapidamente e abriu a porta para ela, dando a mão para ajudá-la a descer.

- Um perfeito cavalheiro.

- Para uma perfeita dama eu não poderia ser menos que isso.

Clarice deu um tapinha carinhoso no braço dele que pegou sua mão.

Ter a mão dele na sua a deixava segura, pois sabia que iria enfrentar os comentários maldosos dos amigos de David e as grosserias de Ilda.

- Você parece nervosa. Posso saber por quê?

- Você sabe que eu e David fomos muito amigos e a mãe dele me proibiu de vir ao baile hoje, por isso a minha dúvida quanto a vir ou não e depois, eu conheci os amigos dele, um bando de gente esnobe que se acha superior a todos nós.

- Não se preocupe, você estará segura comigo.

- Obrigada por estar me dando essa força. É bom saber que posso contar com você.

- Pronta?

- Sim.

- Então vamos lá.

Chegou à porta do salão e de cara viu David num canto tomando cerveja com Carlos.

Eles ainda não a tinham visto quando ela entrou no salão, mas ao ouvir o comentário maldoso de Ana, ambos olharam para a porta e viram Clarice.

Ambos ficaram sem ação ao ver como ela estava bela. Ana olhou-a com ódio e Ilda Farrel foi furiosa cumprimentá-la.

- Você não devia ter vindo eu lhe avisei o que poderia acontecer se você viesse.

- Não tenho medo de você.

- Pois deveria.

- Ilda – disse João – Ela é minha acompanhante, portanto, cuidado como fala com ela.

- Você não deveria falar assim comigo, sou patroa de seus pais.

- Você disse bem, de meus pais, não minha. Você é quem deve ter cuidado ao falar com Clarice, pelo menos enquanto eu estiver por perto.

- Vocês me pagarão por essa afronta.

- Estaremos esperando. Vamos ver quem vence esse jogo. Só lhe aviso, Ilda Farrel, você não vai magoar Clarice, eu não deixarei. Agora, nos dê licença, vamos dançar.

Saiu levando Clarice consigo.

- Obrigada João, mas você não deveria ter enfrentado a bruxa.

- Eu não tenho medo dela. Não se preocupe ela nada poderá fazer contra meus pais e te explico o motivo. Meu pai é sócio da fazenda, só que ninguém sabe. Ele tem quarenta e nove por cento disso aqui. Marcelo pediu para ele não contar por que sabia como Ilda iria reagir e ele tinha razão. Então, não se preocupe, você está segura comigo.

- Você não existe – abraçou-o – Que bom que é meu amigo.

- Eu queria ser bem mais do que isso e você sabe disso.

- João, este não é o lugar e esta não é a hora para falarmos sobre isso.

- Tudo bem. Vamos dançar.

Dançou uma sequência de três músicas com João e foi em direção a um grupo de amigos.

Olhou de relance onde David e seus amigos estavam, ele estava magnífico, com um jeans verde abacate e uma camisa polo creme, bem diferente do seu amigo que vestia uma calça social azul escuro e uma camisa branca também social.

- Mas – pensou – Ele nem me notou.

Quando chegou ao grupo de amigos, foi recebida com um caloroso assovio.

Márcio, um de seus melhores amigos e namorado de Daiane, sua melhor amiga, foi ao seu encontro.

- Você está linda. Pra quem você se produziu assim? Não foi pro João, isso eu tenho certeza.

- Foi o que eu falei a ela.

- Parem seus bobos. Eu só quis me arrumar um pouquinho mais. Veja a Daiane, ela está linda também, até mais linda que eu.

- Mas ela tem pra quem se arrumar: eu.

- Ei, você vai deixar de monopolizar minha amiga?

- Ela diz isso, mas na verdade está com ciúme de mim...

- Como você é bobo, Márcio. A Daiane sabe que não precisa e nem deve ter ciúme de mim. Ela sabe que não sou do tipo que rouba namorado de amiga.

- Todos sabemos quanto você é fiel com seus princípios.

- Que bom.

- Mas escutem vocês dois – disse Daiane – Vocês vieram aqui pra conversar ou pra se divertir? Vamos dançar?

Mauro e Pamela, o outro casal de amigos foi dançar e Daiane ficou na dúvida se deixava ou não Clarice sozinha.

- Ei, podem ir dançar, daqui a pouco eu e João iremos também. Não se preocupem comigo, podem ir tranquilos.

Enquanto os amigos foram para a pista, João viu um grupo de amigos do outro lado do salão e foi até eles, Clarice não quis ir.

Ao se ver sozinha, Clarice não conseguiu se controlar e olhou para onde David estava. Ele também olhava para ela.

Vendo que ela estava sozinha, David começou a ir na direção dela quando foi interrompido por Ana.

- Aonde pensa que vai?

- Vou cumprimentar Clarice, por quê?

- Mas não vai mesmo. Você tem que ficar aqui comigo.

Clarice viu tudo e sorriu para David, acenando a cabeça.

A música acabou e os amigos de Clarice voltaram.

- A próxima eu danço com você.

- Só se eu permitir – disse Daiane – E é claro que eu permito.

- Puxa, viu só? Eu tenho que pedir permissão para dançar com uma velha amiga.

- Ei – disse Clarice – Amiga sim, velha não.

Todos riram.

Uma nova música começou a tocar e Márcio parou na frente de Clarice, fez uma reverência e pegou sua mão.

- Me concede a honra desta dança, senhorita?

- Com um pedido desse jeito, não tem como recusar.

Saíram rodopiando pelo salão.

Mesmo dançando, Clarice não conseguia desviar os olhos de David.

Quando a música parou, o casal voltou para junto dos demais.

- Eu vi bem. Não gostei da proximidade dos dois. – disse Daiane com uma careta. – Não permitirei mais que dance com ela.

- Melhor com ela do que com uma maluquinha qualquer. E, amor, você sabe que só tenho olhos para você... Para ela – apontou uma moça que passava – Para ela, para todas.

- Tem certeza?

- Tenho sim. Ai! Assim você me deixa todo marcado.

- E de onde veio esse tem muito mais se você não se comportar.

Todos riram.

- Sabe pessoal, eu me arrependeria muito se tivesse deixado de vir. Estou me divertindo muito.

- Por que você deixaria de vir ao baile?

- A bruxa ordenou que eu não viesse, tem medo de uma reaproximação minha e de David, mas ela não tem o que temer, ele nem sabe que eu existo. Já estou aqui há algum tempo e ele nem veio me cumprimentar.

- Mas a noite é longa e ele ainda pode vir te cumprimentar. Ei olhe, lá está vindo ele.

- Por favor, Márcio vamos dançar, não quero falar com ele - o amigo negou o convite – E você Mauro, dança comigo?

- Clarice, você tem que enfrentar seus temores.

- Mas eu não o temo, eu só não quero falar com ele agora.

- Tudo bem. Vamos.

Passaram por David já dançando. Ele fez menção de falar alguma coisa, mas desistiu. Colocou a mão na cabeça desolado. Foi então falar com Daiane.

- Oi, não lembro muito bem de você, mas deve ser a Daiane.

- Sim, sou eu. Já faz tempo que não nos vemos.

- É. Será que você pode me explicar por que a Clarice está fugindo de mim?

- Ela não está fugindo, está dançando com um amigo.

- E parece-me que este amigo tem namorada. – Olhou para Pamela – Você não se importa?

- Claro que não. Quando saímos juntos, sempre trocamos de parceiros para as danças. Além disso, confio muito nela e nele. Somos amigos há muitos anos.

- A música está acabando. Agora falo com ela.

Clarice, vendo que David estava conversando com Daiane, pediu a Mauro para dançarem mais uma música.

- Me conduza até aquele grupo – apontou com a cabeça o lado oposto ao salão – É minha prima e alguns amigos dela. E o João também está lá. Deixe-me lá.

- Você sabe o que está fazendo?

- Sei. Ainda não quero falar com David.

- Por quê?

- Ele me magoou muito ontem e hoje de manhã.

- Vocês já se encontraram antes? O que ele fez?

- Ele deixou seus amigos rirem de mim, me chamarem de caipira fedida a porcos e galinhas.

- Ele fez isso?

- Ele não riu de mim, mas não impediu que os outros rissem.

- Tudo bem. Vamos lá.

- Diga para o pessoal virem pra cá conosco.

- Vou falar com eles, mas não lhe garanto nada.

- Tudo bem, assim que der eu volto pra lá.

- Bem chegamos. Agora vou lá.

- Obrigada Mauro.

Clarice chegou ao grupo que conversava animadamente.

- Oi, não tinha visto vocês.

- Não faz muito que chegamos.

João se aproximou dela e sussurrou:

- Terei a chance de dançar com a moça mais linda do baile mais uma vez?

- Claro que sim.

No grupo, além de sua prima, alguns amigos e João, havia também Pedro, seu ex-namorado.

- Cla, você quer uma cerveja?

- Adoraria. João, você busca pra mim?

- Claro, minha princesa.

Assim que João saiu, Aline, sua prima, foi falar com ela.

- Você viu quem veio para lhe ver?

- Está falando de Pedro?

- Sim.

- Acho muito difícil ele ter vindo para me ver. Não o vejo há dois anos. Ele já deve estar até casado.

- Claro que não. Deixa de ser boba. Aproveita para relembrar os velhos tempos.

- Aline, ele é passado. Se eu for dar uma chance para alguém, será para o João. Ele anda me pedindo uma chance há muito tempo.

- Você que sabe. Olhe quem vem vindo aqui. O anfitrião em pessoa.

- Não me diga que David está vindo aqui?

- Se você não quer que eu diga, eu não digo, mas ele está vindo.

Clarice olhou para o bar e viu João conversando com um amigo.

Seu salvador não estava por perto teria que enfrentar David.

Ou não.

Chegou perto de Pedro e abraçou-o.

- Olá. Quanto tempo. Você está bonito.

- Digo o mesmo sobre você.

- Quer dançar?

- Adoraria.

Quando estavam indo para a pista, David parou bem na frente deles.

- Olá David. Como você está? – tentou ser o mais natural possível – E seus amigos, como estão?

- Bem.

- Devem estar sentindo muito cheiro de porcos e galinhas aqui, já que a maioria aqui são caipiras fedidos.

- Clarice, precisamos conversar.

- Bem, acho que notou que íamos dançar. Depois conversaremos.

- Por que está fugindo de mim?

- Eu, fugindo de você? Não, está enganado. Seu problema é que você chega quando estou indo dançar.

- Tudo bem. Vá dançar. Pode dançar uma, duas, dez músicas que eu te esperarei aqui, e, se voltar a fugir, vou atrás de você até parar e conversar comigo.

- Deixe-me em paz. Vá ficar com Ana, ela parece perdida em meio a tantos caipiras fedidos.

Clarice e Pedro saíram dançando.

Dançaram várias músicas até que não aguentaram mais e voltaram rindo.

Para surpresa de Clarice, David estava esperando por ela.

- Ainda está aqui?

- Eu disse que esperaria até você cansar. Eu preciso mesmo falar com você. Venha comigo.

- Tudo bem.

Ele pegou em sua mão e ela sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha.

Levou-a até o outro lado do salão onde estavam Ana, Carlos e uma moça que ela não sabia o nome, mas sabia que havia vindo com David.

- Por que está me levando lá? Para rirem de mim novamente?

- Não. Logo você saberá.

Parou na frente dos amigos, mas não soltou a mão de Clarice, o que fez Ana lançar-lhe um olhar de ódio.

- Pronto – disse – Ela está aqui. Agora desculpem-se pela grosseria de ontem e de hoje de manhã. Você primeiro Ana.

- Não temos que nos desculpar. Ela é uma caipira fedida mesmo.

-Ou começa a se desculpar ou mando você de volta para a cidade amanhã bem cedo.

- Só me desculpo se ela me der um beijinho. Está muito sexy neste vestido. Está se oferecendo pra quem?

- Carlos, desculpe-se por essa grosseria.

- Não precisa me defender. – Clarice aproximou-se de Carlos – Se eu pretendo me oferecer, certamente não é para você, um playboyzinho fútil e bêbado que se acha o centro do universo só porque cursa Medicina e mora na cidade grande. Você não merece nem olhar para mim. E, tenho certeza que se saíssemos daqui agora, você dormiria antes de abrir a calça.

- Escute aqui sua caipira fedida...

- Escute aqui você, seu metido a esperto. Não olhe pra mim, não me dirija a palavra e se estivermos na rua, na mesma calçada, mude de direção. Você não passa de um nada. – Virou para David. – Valeu a tentativa, mas você não merece mais minha atenção.

Virou-se e saiu em direção ao grupo de amigos.

David olhou furioso para o amigo.

- Você não devia ter falado com ela daquele jeito. Ela é uma moça maravilhosa. Sim, ela é daqui da fazenda, mas isso não a torna uma pessoa diferente de nós.

- David, você prefere ela a nós, seus amigos?

- Quando eu conheci vocês, ela já era minha amiga, e não vai ser agora que vai deixar de ser.

- Se você prefere a amizade dela à nossa, tudo bem. Vá lá com ela que partiremos ainda hoje.

- Carlos, não é isso que eu quero. Eu quero que vocês a conheçam e percebam o quanto ela é maravilhosa, o quanto ela é querida.

- Quer introduzi-la no nosso mundo?

- Que nosso mundo? Há um mundo só, e ela faz parte dele.

- David, ela é de outro nível social.

- Carlos que bobagem é essa? Você nunca foi assim.

- Não meu caro, eu sempre fui assim e você também era até ver essa caipira.

- Você tem toda razão. Somos de mundos diferentes. Eu pertenço ao mundo dela, e não ao seu.

Virou as costas e saiu em direção ao grupo de Clarice.

Ana ainda chamou-o, mas ele acenou um tchau sem sequer se voltar para ela.

Ilda Farrel viu tudo e foi até o filho.

- O que você pensa que está fazendo?

- Indo falar com uma velha amiga.

- David, volte para seus amigos.

- Eles não são meus amigos, na verdade eu nem os conheço.

- Como assim?

- Pensei que eles fossem diferentes, mas vi que estava enganado.

- Meu filho, não se atreva a ir falar com aquelazinha.

- Aquelazinha, mãe, é minha melhor amiga, ou melhor, foi. Não sei se ela ainda vai querer falar comigo depois do que eles fizeram com ela.

- David, eu te ordeno que pare.

- Mãe, eu sou bem grandinho. Acho que já posso escolher minhas amizades. Agora, por favor, me deixe em paz, e faça o mesmo com Clarice.

David deixou a mãe falando sozinha e foi até Clarice.

- Clarice, podemos conversar?

- David, não insista.

- Por favor. É importante. Venha dançar comigo. Depois eu juro que te deixo em paz.

João que estava próximo pegou na mão de Clarice.

- Você só sai daqui se quiser. Quer que eu o tire daqui?

- Não João. Eu vou falar com ele. Não se preocupe. Se eu precisar eu te chamo.

- João, não se preocupe, não vou roubar sua namorada. - Olhou para Clarice – Vamos dançar?

Clarice pegou a mão que David lhe estendia.

- Tudo bem – olhou para João – Não se preocupe.

Saíram juntos de mãos dadas, dançando pelo salão.

Subitamente, para Clarice o tempo parou, só via David, naquele momento não havia mais ninguém no salão. Nem reparou os olhares que Ilda Farrel e Ana lhe lançavam.

Ela estava extremamente feliz.

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