
Luna Rejeitada, Reivindicada pelo Rei
Capítulo 3
Ponto de Vista de Adella
O interior do Aston Martin não tinha cheiro de couro novo. Tinha o cheiro dele.
Cedro esmagado e o ozônio de uma tempestade se formando preenchiam a cabine, um aroma pesado e sufocante. Era um ataque sensorial, um lembrete de que, mesmo a quilômetros de distância, Dallas Marshall estava envolvendo seus dedos em volta da minha garganta. Eu estava sentada no banco do motorista, minhas mãos agarrando o volante até os nós dos meus dedos ficarem brancos.
"Conecta seu celular", insistiu Azalea, afivelando o cinto de segurança. "Este sistema de som é insano. Quero ouvir um grave que faça meus dentes tremerem."
Eu me atrapalhei com meu iPhone rachado, conectando-o ao console elegante. O sistema sincronizou instantaneamente, o grande painel touchscreen se acendendo. Mas antes que eu pudesse selecionar uma playlist, uma notificação de mensagem se expandiu por toda a tela, as letras em negrito e impossíveis de ignorar.
Braydon: Pare de joguinhos. Volte para casa. Seu lugar é aqui.
O ar no carro ficou pesado. As palavras pairavam ali, brilhando com uma toxicidade possessiva que fez meu estômago revirar.
Azalea deu um assobio baixo. "Uau. Isso não é só interesse, é nível psicopata obsessivo e assustador." Ela cutucou a tela com uma unha bem-feita. "Ele acha que você é um cachorrinho perdido, não é? 'Volte para casa.' Que nojo."
"Ele não gosta de perder coisas que considera sua propriedade", murmurei, desconectando rapidamente o celular para banir suas palavras.
"Bem, agora você está dirigindo um carro que vale mais que a casa inteira dele", Azalea sorriu com desdém, recostando-se. "Deixa ele se engasgar com isso."
Forcei um sorriso fraco, dando a partida no motor. O carro ronronou como uma fera despertando de seu sono. Eu estava fugindo de um monstro apenas para dirigir direto para o covil de outro, e a ironia tinha gosto de cinzas na minha boca.
Dez minutos depois, estávamos aconchegadas em um reservado na cafeteria do campus. O aroma de grãos torrados e doces açucarados geralmente me acalmava, mas hoje, meus nervos estavam à flor da pele.
"Você precisa ver isso", disse Azalea, deslizando o celular pela mesa. Sua atitude brincalhona havia desaparecido, substituída por um tom ríspido e protetor.
Na tela estava o The Howler, o aplicativo de mídia social exclusivo da Matilha. Uma foto de Katherine Parrish sorria com desdém para mim, com o braço jogado de forma possessiva sobre um Braydon sombrio. Mas foi a legenda que fez meu sangue gelar.
Fazendo uma limpeza. Finalmente me livrando dos parasitas sem lobo que acham que podem subir na vida se agarrando aos Alfas. A pureza importa.
"Ela está falando de mim", sussurrei, a vergonha queimando em minhas bochechas. A seção de comentários já estava se enchendo de emojis de risada e concordâncias cruéis de outros membros da Matilha.
"Não se preocupe", disse Azalea, tomando um gole de seu latte. "Eu cuidei disso."
Olhei mais de perto. Abaixo do post de Katherine, Azalea Sterling — filha do Rei Alfa — havia comentado um único emoji: uma caveira de lobo.
Em nosso mundo, aquilo não era apenas um comentário. Era uma ameaça de morte. Significava "você está morta para mim".
"Azalea, você não devia..."
"Ela é uma vadia, e é entediante", Azalea interrompeu, gesticulando com a mão com desdém. "Além disso, você tem coisas maiores com que se preocupar. Tipo... isso."
Ela apontou um dedo para o meu pescoço.
Eu congelei. Na minha agitação, devo ter puxado o cachecol de caxemira que Dallas havia deixado para mim. Tentei rapidamente reajustá-lo, mas a mão de Azalea disparou, me impedindo. Seus olhos cor de mel se arregalaram, suas narinas se dilatando enquanto ela inspirava bruscamente.
"Isso não é um hematoma de uma queda, Adella", ela sibilou, inclinando-se para mais perto, sua voz baixando para um sussurro conspiratório. "Isso é uma marca de reivindicação."
O pânico tomou meu peito. A marca escura e roxa na pele sensível do meu pescoço latejava sob seu escrutínio. Era onde os dentes de Dallas haviam me roçado na noite anterior, deixando uma lembrança muito óbvia e muito possessiva.
"Eu... eu bati em uma porta", gaguejei, a mentira com um gosto amargo.
"Besteira", Azalea zombou. "Eu sei como é esse tipo de marca. Ela fede a posse." Ela estreitou os olhos, examinando meu rosto. "Quem é ele? E não me diga que é o Braydon, porque essa marca é recente e tem cheiro de... poder."
Eu não podia contar a ela. Eu não podia contar à filha do Rei Alfa que o pai dela havia me comprado, me reivindicado e se casado comigo no espaço de doze horas.
"É... complicado", consegui dizer, olhando para o meu café. "Ele é um homem mais velho. Alguém... poderoso."
Azalea me encarou por um longo momento, a tensão se tornando palpável. Então, inesperadamente, ela abriu um sorriso largo.
"Um homem mais velho? Um sugar daddy?" Ela riu, encantada. "Oh, minha Deusa, Adella! Essa é a vingança perfeita. Deixe o Braydon apodrecer enquanto você é mimada por algum Alfa rico e poderoso. Adorei."
Soltei um suspiro que não sabia que estava segurando. Ela não sabia.
Naquele exato momento, o celular de Azalea vibrou sobre a mesa. A tela exibiu um identificador de chamadas que fez seu sorriso desaparecer instantaneamente: The Bank.
"É o meu pai", ela sussurrou, sua postura se endireitando por reflexo. Ela atendeu, sua voz mudando de garota fofoqueira para filha obediente. "Oi, pai."
Observei seu rosto, meu coração martelando contra minhas costelas. Ela ouviu por um momento, seus olhos se voltando para mim com uma expressão confusa.
"Agora? Mas eu tenho aula de Economia em uma hora", ela protestou fracamente. Uma pausa. A voz do outro lado era baixa, indistinta, mas o tom de comando absoluto era inconfundível. "Ok. Sim, senhor. Estamos indo."
Ela desligou e olhou para mim, pegando sua bolsa.
"Mudança de planos", disse Azalea, com a voz tensa. "Ele nos quer na loja principal no centro. Imediatamente."
"Nós?", perguntei, o pavor se acumulando em meu estômago.
"Sim. Ele disse que você precisa ser preparada para um jantar hoje à noite." Ela olhou para mim, um lampejo de suspeita lutando contra sua confusão. "Adella, que tipo de 'trabalho de tradução' exige um vestido de gala?"
Agarrei a borda da mesa, o anel de platina em meu dedo parecendo mais pesado do que nunca. Dallas não estava apenas me mantendo; ele estava me exibindo.
"Eu não sei", menti novamente, levantando-me com as pernas trêmulas.
Mas eu sabia. O Rei estava convocando sua propriedade.
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