
Lobisomens na Lua de Sangue
Capítulo 3
Não! Não! Não! E mil vezes não!
Não acredito que isso está acontecendo, não é hora de encontrar meu futuro parceiro, hoje é o dia de me despedir daqui, isso significa que não vou vê-lo por mais de um ano. De qualquer forma, e se ele me rejeitar? Não posso ficar neste lugar só por isso, simplesmente não posso.
Ao escutar minha loba pronunciar aquela palavra com todas as suas letras, comecei a entrar em pânico, minha mente criou milhares de cenários diferentes, porém, em nenhum deles terminava bem. As minhas mãos estavam completamente suadas, poderia dizer que tinha um quadro de hiperventilação.
Por outro lado, minha loba uivava como louca de alegria, enquanto chamava seu parceiro uma e outra vez. Ela queria que eu seguisse aquele cheiro, eu a conhecia muito bem. E do jeito que estava ficando cada vez mais forte, a qualquer momento ele chegaria até nós. Porém, não fiquei parada esperando para descobrir com quem eu estava destinada a ficar, imediatamente empurrei minha cadeira para trás e corri o mais rápido que pude para fora da sala de aula, através da porta dos fundos.
Definitivamente, não estava pronta para isso, não queria um parceiro.
Enquanto isso, minha loba não parava de uivar e rosnar para mim por ter me afastado, mas eu não me importo, era algo que eu não queria encarar, e não faria. A única coisa que eu pensava era que ele se sentiria decepcionado ao descobrir que eu era a pessoa que estava destinada para ele; sim, tudo bem, pode ser que eu tenha exagerado, porém não pude evitar, é que estou acostumada a ser uma decepção para as pessoas.
Corri para o meu refúgio, com todos aqueles pensamentos na minha cabeça; esse era o único lugar onde eu poderia sentar e pensar tranquilamente, e acalmar meu coração e minha mente.
Esse lugar era a biblioteca.
Na verdade, o principal motivo que tive para ir lá, era pela segunda pessoa que me traz alegria nesta escola: Cristiana. Ela foi a única outra pessoa que tinha me tratado como um ser humano de verdade, se é que alguém podia notar, éramos quase a mesma pessoa, embora ela fosse muito mais bonita. Eu sabia que a encontraria lá porque ela não tinha aula naquele momento, ao contrário de mim, ela era muito tímida com as pessoas, exceto comigo e com Lucas.
Pude vê-la assim que entrei na biblioteca, ela estava sentada no chão no canto mais distante, lendo seu livro favorito: 'O Sol É para Todos', que eu ainda não tinha lido, mas ela me recomendou.
Cristiana é muito bonita, com seus longos cabelos loiros e seu corpo incrível; o que nos diferenciava muito. Ela ainda usava óculos, mas não precisaria mais deles ao cumprir dezesseis anos, o que faltava pouco. Pensar que não estaria presente no aniversário dos meus dois melhores amigos, me deixava muito triste.
Depois de me aproximar-se dela, também sentei no chão; ao me ver, ela fechou o livro e me lançou um olhar como se estivesse confusa.
"Aconteceu alguma coisa? Você nunca vem tão cedo", ela me disse séria, mas com um leve sorriso no rosto. Suspirei, enquanto apoiava minha cabeça na estante, fazendo com que seu sorriso desaparecesse e um olhar de preocupação tomasse conta do rosto dela.
"Encontrei o meu par ideal", sussurrei, enquanto brincava com os dedos, sabia o que Cristiana pensava dos casais. Ela sempre quis encontrar o dela, então eu tinha certeza que ela ficaria brava comigo por ser tão ridícula.
"Sheila, isso é incrível! Quem é ele?", ela gritou eufórica, mas teve que se controlar no momento em que a bibliotecária a mandou ficar em silêncio.
"Não sei, não fiquei para descobrir quem era", respondi nervosa, e meu corpo estremeceu quando percebi que seu sorriso tinha sumido. No entanto, ela me lançou um olhar simpático, em vez de franzir a testa, como pensei que faria.
"E por que você não gostaria de saber quem ele é? É porque você está de mudança?", ela perguntou, enquanto colocava a mão no meu ombro e apertava suavemente.
"Sim e não. Não, porque e se ele me rejeitar? Nenhum garoto que frequenta esta escola gostaria de ser meu namorado, porque você acha que com ele seria diferente?" Continuei viajando nos meus pensamentos, para depois gemer e colocar as mãos no rosto.
Naquele momento, escutei o som do meu celular, indicando que eu tinha uma nova mensagem, o peguei suspirando e abri a mensagem. Ao ler o nome, pude ver que era Cauã.
"Olá, Sheila! Mamãe e papai disseram que vamos sair mais cedo, então já estamos do lado de fora. Depressa, é hora de irmos."
O alívio tomou conta de mim quando li essa mensagem, eu não tinha mais que me preocupar em topar com meu futuro namorado hoje. Virei para minha amiga e expliquei o que dizia a mensagem, ela imediatamente me abraçou com força e me desejou boa sorte. Em seguida, saí da biblioteca em busca do Lucas.
Foi muito fácil encontrá-lo, ele estava na sala dele e quando me viu parada na porta, na mesma hora, pediu licença para sair. Contei para ele que era hora de ir e, em resposta, ele me abraçou. Abri um sorriso quando ele me abraçou com tanta força e disse o quanto sentiria minha falta. Me afastei para despedir dele, e logo, corri para o meu armário e tirei todas as coisas que eu precisava.
Foi quando eu senti o cheiro.
Seu cheiro inundou minhas narinas no momento em que eu ia fechar a porta do armário, tive vontade de correr, mas era tarde demais, quando alguém me segurou contra os armários.
O cheiro me fez assobiar, mas ignorei ao sentir as faíscas percorrerem todo o meu corpo, já conhecia a identidade do meu futuro namorado, por isso, não queria erguer a cabeça. Meu corpo me desafiou e fez contra minha vontade, quando olhei nos olhos dele, a única coisa que pude sentir foi o choque.
O futuro Alfa, Kim Oliveira.
"Você está me zoando? Você! Por que você tem que ser meu par ideal? Não! De todas as pessoas, é você!" Eu não podia negar que cada palavra que ele cuspia, me machucava. Eu estava ciente de como isso iria terminar, e era exatamente como eu pensava.
"Eu, Kim Oliveira, rejeito você, Sheila Gomes, como minha namorada", disse ele, rindo na minha cara. Então, meu celular começou a vibrar, eu sabia que eram meus irmãos, e isso me deixou nervosa. Ninguém deveria fazê-los esperar, eu sabia que se o fizesse, eles entrariam para me buscar, então tentei afastá-lo e disse a primeira coisa que me veio à cabeça.
"Não dou a menor importância! Agora me deixe ir!" Eu sabia que aquela explosão o pegara de surpresa e, por um segundo, pude ver uma onda de dor passar por seus olhos, mas imediatamente passou e, em vez disso, ele me empurrou de novo enquanto olhava para mim.
"O que você quer dizer com não dar importância? Ah! Eu acabei de dizer que te rejeito! Por que você não está chateada? Diga-me!", ele gritou, começando a esmagar meu ombro, devido à força que estava colocando sobre ele.
"Eu disse para você me deixar ir! Eu sabia que você provavelmente me rejeitaria! Deixe-me ir agora, vejo você daqui a um ano!", gritei, para logo empurrá-lo para longe de mim. Não posso explicar de onde saía toda essa confiança, acho que já tinha tido o suficiente dele, de todo o seu tormento, suas palavras, suas ações e agora isso. Eu só rompi.
Estava completamente chocada por ter afastado um Alfa de mim, embora, mais do que provavelmente, eu o tinha pego de surpresa. Comecei a me afastar dele, mas gritei quando ele agarrou meu pulso e me puxou, então pude ver a confusão no rosto dele.
"O que significa que você vai me ver daqui a um ano?", ele perguntou, com óbvia preocupação. Por que deveria estar preocupado? Ele se importava comigo?
"Pergunte ao seu pai, agora me deixe ir!", quando falei isso, ele foi soltando meu pulso pouco a pouco, era óbvio que estava distraído, e aproveitei, me afastei e o deixei lá. Abrindo as portas da frente, pude ver o carro dos meus irmãos.
Finalmente, estava livre. Enfim, eu poderia deixar aquele inferno, deixando para trás a pessoa que havia transformado minha vida nisso, mas eu não estava totalmente feliz.
Quando entrei no carro me perguntaram por que eu estava tão quieta, mas não respondi, só podia focar na dor que minha loba e eu estávamos sentindo por causa daquela rejeição. Sempre soube que iria acontecer, mas não pensei que doeria tanto, mesmo assim, não podia permitir que eles percebessem. Me recusava.
Tentei falar com minha loba, mas tudo o que ela fez foi gemer de dor, prometi a ela que nunca permitiria que alguém nos machucasse daquele jeito de novo. A viagem para casa foi rápida e, antes que eu percebesse, estávamos a caminho da nossa nova casa.
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