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Capa do romance Ligada a Ele: O Retorno Sombrio de um Espírito

Ligada a Ele: O Retorno Sombrio de um Espírito

Após ser ignorada pelo namorado bilionário, Arthur, durante seu próprio sequestro, a jovem morre em uma explosão. Presa a ele como um espírito, ela assiste à sua frieza enquanto ele investiga o crime sem saber que a vítima era ela. Arthur apaga sua memória e ignora o anúncio de sua gravidez. Contudo, um ano depois, como fantasma, ela descobre que a nova noiva dele, Gênesis, planejou tudo. Agora, a verdade sombria sobre sua morte finalmente emerge.
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Capítulo 1

A última vez que ouvi a voz do meu namorado, Arthur, ele estava me dizendo para parar de fazer tanto drama. Eu tinha sido sequestrada por um homem que ele levou à falência, e eu estava implorando pela minha vida.

"Isso é o cúmulo, até pra você", ele disse, a voz fria de irritação. "Não tenho tempo para esses seus joguinhos."

Ele desligou na minha cara para resolver uma crise de trabalho da sua sócia, Gênesis. Meu sequestrador, percebendo que nenhum resgate seria pago, amarrou uma bomba no meu peito e me deixou para morrer.

A explosão me matou, mas não me libertou. Em vez disso, meu espírito ficou acorrentado a Arthur, uma corrente cruel e invisível que me forçava a segui-lo.

Eu tive que assistir enquanto ele investigava o assassinato de uma "vítima não identificada", sem nunca suspeitar que o corpo irreconhecível era o meu. Ele viu minha última mensagem de texto — aquela em que eu dizia que estava grávida — e a chamou de uma mentira doentia e manipuladora antes de bloquear meu número e me apagar de sua vida.

Eu era um fantasma, presa ao homem cuja indiferença foi minha sentença de morte, forçada a vê-lo sofrer por uma estranha enquanto amaldiçoava meu nome.

Pensei que este era meu castigo eterno. Mas um ano depois, ouvi sua nova noiva, Gênesis, se gabando para as amigas. E finalmente descobri a verdade sobre quem realmente enviou meu assassino até minha porta.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Elisa Carvalho

A última vez que ouvi a voz de Arthur, ele estava me dizendo que tinha terminado comigo, bem antes de o mundo se dissolver em um clarão de luz branca e incandescente.

Uma mão áspera tapou minha boca, o cheiro de cigarro velho e suor enchendo minhas narinas. Meus braços foram torcidos para trás, a abraçadeira de nylon cortando meus pulsos até meus dedos ficarem dormentes.

"Grita e eu quebro seu maxilar", uma voz rouca sussurrou no meu ouvido.

Fui empurrada para uma cadeira no centro de uma sala úmida de concreto. O homem que me arrastou do estacionamento do shopping recuou para a penumbra. Seu rosto era magro, seus olhos, buracos vazios de desespero. Eu o reconheci das notícias que Arthur costumava deixar abertas em seu tablet. Flávio Dutra. O empreiteiro que Arthur havia sistematicamente levado à falência.

"Você sabe quem eu sou", ele disse. Não era uma pergunta. "E você sabe quem fez isso comigo. Arthur Mendes. Seu namorado brilhante e impiedoso."

Meu coração martelava contra minhas costelas, um pássaro frenético preso em uma gaiola.

Flávio andava de um lado para o outro na minha frente, seus movimentos bruscos, agitados. "Ele tirou tudo de mim. Minha empresa. Minha casa. Minha família. É justo que eu tire algo dele."

Ele se ajoelhou, o rosto desconfortavelmente perto do meu. "Você vai ligar para ele."

"Não", sussurrei, a palavra mal saindo.

Ele riu, um som seco e arrastado. Tirou um celular do bolso, a tela trincada. "Ah, você vai. Você vai ligar para ele e dizer que estou com você. Vai dizer que quero os dez milhões de reais que ele roubou de mim, ou ele nunca mais vai te ver."

Ele destravou o telefone e o pressionou contra minha orelha, seus dedos cravando na minha bochecha. O telefone chamou uma, duas, três vezes antes que a voz de Arthur surgisse, curta e impaciente.

"O que foi, Elisa? Estou ocupadíssimo."

Seu tom foi um balde de água gelada familiar na minha espinha. Engoli em seco o nó na garganta. "Arthur", comecei, minha voz tremendo. "Me escuta. Estou com problemas."

"Problemas?", ele suspirou, o som pesado de exasperação. "O que foi agora? Esqueceu de pagar a fatura do cartão de novo? A Gênesis está com um problema gigantesco com as plantas da fundação da Torre Zênite, e eu tenho que resolver isso. Seja qual for o seu drama, pode esperar."

O pânico arranhou minha garganta. "Não, não é isso. Arthur, eu fui sequestrada."

Houve um segundo de silêncio do outro lado. Por um momento de parar o coração, pensei que ele tinha entendido.

"Sequestrada", ele repetiu, a voz vazia de descrença. "Elisa, pelo amor de Deus. Isso é o cúmulo, até pra você. Não tenho tempo para esses seus joguinhos."

"Não é um jogo!", gritei, as lágrimas embaçando minha visão. "O nome dele é Flávio Dutra. Ele quer dinheiro. Por favor, não venha aqui. Só chame a polícia. Não..."

Flávio arrancou o telefone de mim, seus olhos ardendo com uma estranha mistura de fúria e decepção. Ele colocou no viva-voz.

"Está ouvindo isso, Mendes?", Flávio rosnou para o telefone. "Sua namorada está implorando pela vida."

A voz de Arthur voltou, mais fria do que eu já tinha ouvido. "Eu ouço minha namorada fazendo mais um de seus truques desesperados por atenção. A Gênesis acabou de me dizer que um engenheiro estrutural falsificou suas credenciais, e talvez tenhamos que parar a construção. Isso é uma crise de verdade. Esse seu teatrinho patético não é."

As palavras me atingiram com mais força do que um soco. Uma crise para Gênesis. Um drama para mim.

"Estou te avisando, Elisa", Arthur continuou, sua voz baixando para um sussurro perigoso. "Desligue agora e pare com essa palhaçada. Se você me fizer parecer um idiota envolvendo a polícia em um dos seus episódios teatrais, eu juro por Deus, nós terminamos. Para sempre."

Antes que eu pudesse processar a ameaça, outra voz soou pelo alto-falante — uma voz que eu conhecia tão bem quanto a minha. Era Gênesis Sampaio. Seu tom estava tingido de uma preocupação fabricada. "Arthur, querido, tudo bem? Precisamos voltar para as plantas."

"Não é nada", disse Arthur, sua voz suavizando instantaneamente para ela. "É só a Elisa sendo a Elisa."

A linha ficou muda.

Um silêncio sinistro encheu a sala. Flávio olhou para o telefone desconectado em sua mão, uma compreensão lenta e crescente se espalhando por seu rosto.

Ele olhou para mim, não com raiva, mas com algo que parecia quase pena. "Ele não se importa", murmurou, mais para si mesmo do que para mim. "Ele realmente não se importa se você vive ou morre."

O peso dessa verdade esmagou o ar dos meus pulmões.

Flávio balançou a cabeça e gesticulou para uma grande mala de lona no canto. Um de seus cúmplices a abriu, revelando um emaranhado assustador de fios, um timer digital e blocos de C4.

Eles amarraram o dispositivo no meu peito. Era pesado, frio contra minha pele mesmo através da minha blusa.

"Minha vingança era para ser contra ele", disse Flávio, sua voz distante. "Fazer ele pagar. Mas ele já pagou, não é? Tornando-se o tipo de homem que não pagaria um centavo pela mulher que o ama. Não faz mais sentido."

Ele e seus homens caminharam em direção à porta sem me lançar outro olhar. Eles estavam simplesmente... indo embora.

A pesada porta de aço bateu, o ferrolho deslizando no lugar com um som metálico e definitivo.

Eu estava sozinha.

Olhei para os números vermelhos no timer preso ao meu peito. 10:00. 9:59. 9:58.

Uma única lágrima traçou um caminho pela sujeira na minha bochecha. Depois outra. Logo, soluços silenciosos sacudiam meu corpo, meus ombros tremendo com a força de uma dor tão profunda que parecia estar me rasgando por dentro.

Eu não estava chorando pela bomba. Era pela clareza devastadora e final.

Ele nunca me amou.

O pensamento não era um desabafo emocional; era um fato frio e duro se instalando em minha alma. Eu via tudo agora, uma apresentação de slides de mil pequenos cortes. A maneira como ele sempre chamava Gênesis de sua "sócia" com uma reverência que nunca usou para mim, sua "namorada". Eles não eram apenas parceiros de negócios; eram amigos de família, suas vidas entrelaçadas desde a infância.

Quando questionei a proximidade deles pela primeira vez, ele me chamou de insegura. "Gênesis é como uma irmã para mim", ele disse, seus olhos tão sinceros que me senti envergonhada por ter duvidado. Eu acreditei nele. Eu queria acreditar nele. Eu o amava tanto que estava me afogando, cega para o fato de que a água estava envenenada.

Tudo era sempre para Gênesis. Todas as noites no escritório, todos os encontros cancelados, todos os feriados interrompidos. Era sempre alguma emergência que só ele podia resolver para ela.

Lembrei-me da festa de 80 anos da minha avó. Eu tinha implorado para ele ir, só por uma hora. Ele prometeu. Estava vestido, pronto para sair, quando o telefone tocou. Era Gênesis. Ela estava presa em uma obra em um bairro perigoso com um pneu furado.

Ele olhou para mim, sua expressão de desculpa, mas firme. "Eu tenho que ir, Elisa. Ela está sozinha."

"Chama um Uber pra ela, Arthur! Chama um guincho! É o aniversário da minha avó!", eu tinha suplicado.

"Você não entende", ele disse, sua voz assustadoramente calma. "É a Gênesis."

Como se essas duas palavras explicassem e desculpassem tudo.

Eu tentei racionalizar, dizendo a mim mesma que o trabalho deles era exigente, que o vínculo era puramente profissional. Eu menti para mim mesma, repetidamente, porque a verdade era dolorosa demais para encarar.

A verdade era que eu nunca fui sua prioridade. Eu era um tapa-buraco. Um corpo quente e conveniente para voltar para casa quando ele não estava salvando Gênesis de alguma crise fabricada.

Ele nunca me amou. Ele nunca amaria.

Meus dedos trêmulos encontraram meu próprio celular no bolso. De alguma forma, eles não o levaram. O timer no meu peito marcava 02:14.

Abri minhas mensagens, meu polegar pairando sobre o nome de Arthur. Mil coisas vingativas e odiosas que eu poderia escrever. Mil súplicas.

Mas qual era o sentido?

Apaguei o contato dele. Então abri uma nova mensagem e digitei minhas últimas palavras para ele.

Meus dedos se moveram com uma estranha e calma certeza.

Eu sei que você não se importa. Mas eu estava grávida. Você ia ser pai.

Apertei enviar.

Então adicionei uma última mensagem, uma libertação final.

Espero que a gente nunca mais se encontre. Nem nesta vida, nem na próxima.

Fechei os olhos quando o timer chegou a zero.

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