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Capa do romance Ligação Errada: Meu Adeus Mais Doce

Ligação Errada: Meu Adeus Mais Doce

Após oito anos, meu casamento ruiu. Heitor me trocou por sua assistente, Kátia, a quem chamava de esposa de trabalho. Ele me abandonou ferida na estrada para socorrer um capricho dela, revivendo a dor do filho que perdi por sua culpa. Ao ver tatuagens iguais neles, entendi a substituição. Ele implorou perdão com gestos violentos, mas era tarde. Quando o hospital ligou relatando seu acidente fatal, respondi com frieza: sinto muito, você ligou para o número errado.
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Capítulo 3

Ponto de Vista: Elisa

Heitor finalmente desviou o olhar do celular, seus olhos percorrendo meu braço com um olhar distante e clínico, como se avaliasse uma pequena rachadura no gesso. A pele já estava formando bolhas, um mapa vermelho e furioso de dor.

"Tudo bem", ele suspirou, a palavra pesada de martírio. "Eu te levo no pronto-socorro."

Não era uma oferta de conforto. Era uma concessão, um incômodo com o qual ele tinha que lidar antes de poder voltar para coisas mais importantes. Assenti, entorpecida, a dor um zumbido baixo que rapidamente se transformava em um rugido.

Eu o segui até seu carro, um Tesla preto e elegante que era seu orgulho e alegria. Ao entrar no banco do passageiro, meus olhos pousaram em um pequeno cheirinho de carro rosa e brilhante pendurado no retrovisor. Tinha o formato da letra 'K' e um cheiro enjoativo de morango e baunilha.

Heitor me viu olhando para aquilo. Ele se atrapalhou para desenganchá-lo, seus movimentos bruscos e em pânico. "É da Kátia. Um presente de brincadeira. Pela fusão. É estúpido, vou tirar."

"É fofo", eu disse, minha voz monótona. A dor no meu braço era uma maré crescente, lavando todas as outras emoções.

Um silêncio tenso encheu o carro. Ele continuava me olhando, a testa franzida em confusão. "Você não vai... jogar pela janela?"

A antiga Elisa teria feito isso. Teria arrancado do espelho e atirado na noite, um pequeno e patético ato de desafio. Teria gritado com ele, exigido saber por que a inicial de outra mulher estava pendurada em seu espaço compartilhado.

"Por que eu faria isso?", perguntei, genuinamente curiosa. "O carro é seu, Heitor. Você pode pendurar o que quiser nele."

Virei-me para olhar pela janela, as luzes da cidade passando borradas. A dor estava me deixando enjoada. "Você pode, por favor, apenas dirigir? O pronto-socorro fecha em uma hora."

Ele pisou no acelerador, o Tesla dando um solavanco para frente. Dirigimos por cinco minutos naquele silêncio sufocante antes que o celular dele tocasse com um toque personalizado — uma melodia suave e tilintante que eu nunca tinha ouvido antes.

Ele atendeu no viva-voz. "Kátia? O que foi?"

A voz dela era pequena e chorosa. "Heitor... não estou me sentindo bem. Acho que o champanhe subiu à cabeça. Tudo está girando..."

Ele desligou sem se despedir dela. Também não disse uma palavra para mim. Apenas fez uma conversão proibida e brusca, os pneus cantando em protesto.

Ele estava se afastando do pronto-socorro.

Ele pegou um pequeno kit de primeiros socorros no porta-luvas. Jogou um tubo de pomada para queimadura e um rolo de gaze no meu colo.

"Olha, eu tenho que ir ver a Kátia. Ela mora logo ali na esquina. Ela tem enxaquecas terríveis quando está estressada. Volto em vinte minutos, no máximo. Você pode chamar um Uber se quiser."

Ele parou no meio-fio, deixando o carro ligado. Não esperou minha resposta. Já estava saindo pela porta, correndo em direção a um prédio de apartamentos bem iluminado, o celular pressionado na orelha.

Fiquei sentada ali por uma hora. Os vinte minutos vieram e se foram. A bateria do carro estava fraca e o ar-condicionado começou a falhar, bombeando ar quente e viciado para o pequeno espaço. A onda de calor da cidade pressionava o vidro, transformando o carro em um forno. O suor escorria pelas minhas costas, ardendo na pele em carne viva do meu braço.

Minha visão começou a embaçar nas bordas. A dor era mais do que eu podia suportar.

Olhei para a janela do lado do passageiro. Olhei para a ferramenta de emergência para quebrar vidro que eu sempre mantinha na minha bolsa.

Com a mão trêmula, eu a peguei. O som da janela se estilhaçando foi o som mais alto e libertador que eu já ouvi. Um carro parou bruscamente ao meu lado, a motorista uma mulher de rosto gentil com olhos grandes e preocupados.

"Meu Deus, você está bem? Precisa de uma carona para o hospital?"

Pela primeira vez naquela noite, as lágrimas brotaram nos meus olhos. Não por Heitor, não pelo meu casamento, mas pela simples e inesperada gentileza de uma estranha.

"Sim", sussurrei, minha voz falhando. "Sim, por favor."

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