
Liberta da Prisão do Amor
Capítulo 3
Ouvi dizer que, depois que meu "corpo" foi levado pelo mar, Ricardo enlouqueceu.
Ele ficou parado na beira do penhasco por um dia inteiro, gritando meu nome para as ondas, como se pudesse me trazer de volta.
Que irônico. Ele me empurrou para a morte e depois chorou por mim.
Mas vamos voltar ao início de tudo.
Três dias antes do meu "suicídio".
Eu estava no meu estúdio, pintando, quando Ricardo entrou. Seu rosto estava fechado, uma tempestade se formando em seus olhos.
"Laura, venha aqui."
Sua voz era um comando, não um pedido. Eu larguei o pincel, meu coração já batendo mais rápido. Algo estava muito errado.
Ele me levou para a sala de estar. Sofia estava lá, sentada no sofá, chorando silenciosamente. Seus ombros tremiam, e ela parecia a pessoa mais frágil do mundo.
Ricardo parou na minha frente.
"Ajoelhe-se."
Eu o encarei, chocada.
"O quê?"
"Eu disse, ajoelhe-se," ele repetiu, cada palavra caindo como uma pedra. "Você vai ficar aqui até admitir o que fez."
Foi então que ele prendeu a coleira no meu pescoço.
O metal era gelado contra a minha pele. Um pequeno sino estava preso nela, e tilintava a cada movimento meu. Um som de humilhação.
Sofia levantou a cabeça, seus olhos vermelhos e inchados.
"Ricardo, talvez seja demais," ela disse com uma voz trêmula. "Eu... eu não queria causar tantos problemas."
Ela se levantou e foi até ele, se aninhando em seus braços como uma gatinha assustada.
"É só que... aquele broche... era a última coisa que minha mãe me deixou antes de morrer."
Lágrimas grossas rolaram por seu rosto perfeitamente esculpido.
"Eu sei que não tem muito valor material, mas o valor sentimental... é tudo o que eu tinha dela. E a Laura..."
Ela soluçou, incapaz de continuar.
Ela não precisava. Ela havia plantado a semente.
Sofia me acusou de ter roubado o broche por puro despeito. Ela contou uma história comovente sobre como eu sempre a desprezei, sobre como eu não suportava vê-la feliz naquela casa.
"Ela disse que eu não pertencia aqui," Sofia sussurrou no peito de Ricardo, sua voz cheia de dor. "Ela disse que eu era apenas uma intrusa e que faria de tudo para me ver sofrer."
Era uma performance digna de um Oscar.
E Ricardo, o homem que me prometeu o mundo, que jurou me proteger de tudo e de todos, acreditou em cada palavra.
Ele se virou para mim, seus olhos queimando de fúria.
"Você ouviu isso?" ele rosnou. "Você fez essa pobre garota sofrer o suficiente. Ela perdeu os pais, veio para um lugar estranho, e tudo o que você faz é atormentá-la? Onde está seu coração, Laura?"
Meu próprio coração parecia ter sido arrancado do peito. Eu tentei falar, tentei me defender, mas as palavras não saíam. O choque era grande demais.
Sofia, vendo seu sucesso, continuou o show.
"Eu só queria encontrar meu broche, Ricardo. Eu não me importo mais com ele. Eu só... eu só quero que a Laura pare de me odiar."
Uma única lágrima solitária escorregou de seus cílios longos e caiu na mão de Ricardo.
Foi o golpe final.
Ele olhou para mim com um nojo que eu nunca tinha visto antes.
"Você vai ficar de joelhos. E não vai comer nem beber nada até me dizer onde está o broche."
Ele me deixou ali, no meio da sala, acorrentada como um animal, enquanto consolava a mulher que havia acabado de destruir minha vida.
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