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Capa do romance LEILOADA AO DONO DO MORRO

LEILOADA AO DONO DO MORRO

Taurus, o líder frio do Morro do Castelo, vive sob o rigoroso código do crime. Sua vida muda quando uma dívida de cargas desviadas faz com que uma madrasta entregue a enteada, Maya, como pagamento. A jovem de dezessete anos desafia o perigoso criminoso com seu silêncio e orgulho, despertando nele uma obsessão protetora. Agora, sob a mira da facção que exige a morte da garota, Taurus deve escolher entre seguir as regras ou trair tudo para salvá-la.
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Capítulo 3

A comunicação através do rádio transmissor ocorreu em um horário em que nenhum subordinado ousaria interromper o meu descanso, a menos que a situação fosse de extrema gravidade.

Exatamente às 03:12 da madrugada, o equipamento emitiu um chiado curto e cortante:

— "Taurus... Temos uma operação de alta prioridade que precisa ser executada fora dos limites do Castelo. A liderança máxima exige a sua presença física no local."

Deixei o meu alojamento imediatamente, sem perder tempo sequer para lavar o rosto. Ajustei a minha pistola Glock de última geração na cintura, verifiquei o material tático necessário e certifiquei-me de carregar comigo o respeito que conquistei ao longo dos anos. Desci as escadarias em direção aos veículos utilitários acompanhado por quatro dos meus melhores soldados. Homens testados em combate, que já comprovaram não vacilar diante do perigo.

O nosso destino final era o bairro da Compensa. Um reduto repleto de criminosos de menor escalão que viviam sob a ilusão de um poder que nunca possuíram de verdade. Uma região marcada pelo odor da decadência e pelo ego inflado de sujeitos insignificantes.

O nosso alvo principal havia sido identificado como Barroso. Um antigo integrante da nossa organização que optou por romper os laços de lealdade com a firma. O sujeito passou a se considerar um trabalhador independente, estruturando uma pequena facção autônoma no local. Ele continuava comercializando o material entorpecente fornecido originalmente pela nossa estrutura, porém retinha a totalidade dos lucros financeiros para si, sem repassar a porcentagem devida ao conselho superior.

Vários avisos e advertências por escrito já haviam sido encaminhados a ele. Como resposta, o indivíduo gravou e enviou um vídeo de péssimo gosto, onde aparecia desrespeitando abertamente os símbolos da nossa facção. Com aquela atitude impensada, ele assinou de forma definitiva a sua própria sentença de morte.

Conseguimos localizá-lo em uma residência utilizada como esconderijo, pertencente à sua parceira amorosa. O ambiente contava com sistema de refrigeração no limite máximo, uma cama de casal confortável, música de fundo em tom suave e aromatizadores de ambiente espalhados pelos cômodos.

Realizamos a invasão tática no meio da madrugada, pegando o sujeito completamente desprevenido e sem qualquer capacidade de reação. Amarrámo-lo firmemente à estrutura de metal reforçado da cama, mantendo os seus braços e pernas completamente estendidos. Ele estava totalmente despido, transpirando de forma excessiva e emitindo risos nervosos na tentativa de descontrair o ambiente.

— "Taurus... Nós já atuamos juntos no passado, éramos como irmãos de armas..."

— "O passado não tem validade hoje, Barroso. Agora você se transformou em um exemplo prático do que acontece com traidores. E todo exemplo precisa ser transformado em um espetáculo inesquecível para os demais."

Abri a maleta de ferramentas táticas que trazia comigo. O silêncio que se instalou naquele quarto assemelhava-se ao de um cemitério abandonado. O mero som do fecho ecler sendo aberto foi o suficiente para fazer com que o indivíduo perdesse o controle das suas funções fisiológicas pelo puro pavor.

No interior da maleta, estavam organizados os seguintes instrumentos:

Estiletes de lâmina cirúrgica

Alicates de pressão de aço carbono

Um maçarico tático de alta intensidade

Correntes de ferro reforçadas

Lâminas de barbear de alta precisão

Um martelo de tamanho reduzido

Pregos de fixação de três pontas

Um recipiente contendo soda cáustica pura

Um saco plástico com sal grosso

Iniciei o procedimento de extração de informações focando diretamente na arcada dentária do traidor. Prendi o alicate de pressão no dente incisivo superior dele. Apliquei uma força rotacional contínua até escutar o som característico do osso se desprendendo da estrutura maxilar, seguido por um grito completamente abafado e agônico.

— "Cada elemento dentário extraído corresponde a uma das inverdades que você tentou sustentar diante da nossa diretoria" — afirmei, mantendo o tom de voz calmo.

Em seguida, efetuei uma incisão cirúrgica na região do seu abdômen. Um corte horizontal, de profundidade moderada, porém extremamente doloroso devido à alta concentração de terminações nervosas na área. Despejei uma quantidade generosa de sal grosso diretamente sobre a carne exposta. O impacto da dor fez com que o corpo dele se contorcesse com tanta violência que as correntes de ferro chegaram a emitir um som metálico tenso, ameaçando ceder.

— "Neste recinto não há espaço para a intervenção de anestésicos ou equipes de socorro médico de urgência. Você dispõe apenas da aplicação rigorosa do nosso castigo."

Utilizei um pedaço da vestimenta que ele havia usado para desrespeitar a facção no vídeo e o forcei a deglutir o material. Na sequência, utilizei agulha e linha de nylon de alta resistência para realizar a sutura completa dos seus lábios. Exatamente isso. Costurei a sua boca de forma definitiva. Realizei a perfuração na bochecha esquerda, passei a linha de nylon e fiz o mesmo no lábio superior, finalizando com um nó firme que impedia qualquer articulação verbal. As lágrimas escorriam continuamente pelo seu rosto ensanguentado, mas ele já não tinha condições físicas de emitir nenhum tipo de som.

O passo seguinte consistiu em destruir o seu orgulho e o símbolo da sua masculinidade. Utilizando o martelo reduzido, quebrei individualmente cada um dos dedos da sua mão esquerda. Realizei o procedimento de forma extremamente lenta, permitindo que a dor fosse processada em sua totalidade. Através dos sons nasais e sufocados que ele emitia, era possível perceber a sua tentativa desesperada de suplicar por perdão através do olhar. No entanto, o sentimento de clemência não encontra terreno para florescer na nossa realidade.

Direcionei a minha atenção para a região da sua coxa direita. Utilizando uma das lâminas de barbear de alta precisão, esculpi as letras iniciais da nossa facção diretamente na sua pele. Letra por letra, mantendo a precisão técnica de um profissional. Logo após concluir o desenho, verti a soda cáustica líquida sobre os cortes recentes. O odor característico de tecido orgânico sendo severamente queimado e destruído subiu de forma intensa, empesteando todo o cômodo.

— "Este procedimento não se resume a um ato isolado de violência. Trata-se da aplicação prática da nossa doutrina de controle" — expliquei enquanto observava o resultado.

O indivíduo acabou perdendo a consciência devido à intensidade dos estímulos dolorosos. Forcei o seu retorno imediato ao estado de vigília desferindo golpes abafados em seu rosto, jogando água fria e emitindo comandos verbais firmes diretamente em seu ouvido.

Acionei o maçarico tático de alta intensidade. Aproximei a chama azulada de forma gradual contra a região do seu peito, deixando o símbolo oficial da nossa organização marcado de forma permanente através do fogo. A partir daquele instante, ele carregaria a nossa marca na sua própria pele, quer quisesse ou não.

Antes de desocupar aquela residência, mantendo o Barroso completamente destruído sobre o solo, coberto de sangue, com a boca costurada e o corpo marcado pelas queimaduras e pela humilhação, eu ainda precisava entregar a mensagem final. A aplicação do sofrimento físico serve para punir o indivíduo que errou, mas a disseminação do pavor generalizado funciona como uma excelente ferramenta de controle político sobre os demais.

Retirei do veículo um saco plástico preto perfeitamente lacrado. No seu interior, havia um roedor vivo. Mas não se tratava de um espécime comum de esgoto. Era o roedor de estimação que a parceira do Barroso mantinha confinado em uma gaiola decorativa no local. Um animal de pelagem totalmente branca, bem alimentado, que mantinha os olhos escuros fixos no ambiente. Um ser completamente indefeso e dócil. Uma escolha repleta de ironia.

Utilizando o estilete cirúrgico, realizei uma nova abertura na cavidade abdominal do Barroso, respeitando os limites estritos para não atingir nenhum órgão vital de forma imediata. Uma incisão quente e exposta. Introduzi o roedor vivo diretamente no interior daquela cavidade e utilizei fita adesiva de alta aderência industrial para lacrar a abertura de forma hermética. O animal, buscando oxigênio, começou a se movimentar desesperadamente sob a pele do homem.

— "Caso ele consiga resistir ao ambiente interno, o animal tentará perfurar os seus tecidos internos buscando uma rota de fuga para o exterior" — comentei friamente de pé ao lado dele. — "Caso venha a perecer, o seu organismo passará pelo processo de putrefação simultânea de dois corpos distintos."

Após concluir o procedimento, transferimos o corpo dele para o compartimento de bagagens de um veículo utilitário clonado, totalmente desprovido de placas de identificação ou registros nos sistemas de segurança pública. Conduzi o automóvel pessoalmente até a região central da cidade, estacionando exatamente em frente a um dos principais pontos de distribuição controlados pela milícia rival. Abandonei o veículo com total serenidade, acendendo um cigarro e travando as portas. Deixei a chave do automóvel posicionada sobre o capô de metal.

Fixado no espelho retrovisor interno, havia um bilhete escrito à mão com letras firmes:

"Este indivíduo responde pelo nome de Barroso. No interior da sua estrutura física, há um habitante adicional dividindo o mesmo espaço."

— Administração Central da Facção. Assinado: Taurus.

Retornei ao meu território sem realizar um único movimento para olhar para trás. No rádio transmissor, apenas o silêncio operacional imperava. Nas ruas da cidade, o comentário sobre o ocorrido começava a se espalhar através de sussurros temerosos. E no interior do complexo do Castelo, o respeito absoluto à minha liderança foi devidamente consolidado. Porque a mensagem foi entregue com total eficiência, o elemento traidor foi devidamente eliminado e o pavor agora possuía uma identidade muito bem definida.

Heitor Vasconcelos. O Comandante do Castelo. O líder que não utiliza advertências verbais; apenas executa o castigo de forma definitiva e sem retroceder.

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