
Legalmente Vingativa
Capítulo 2
Naomi estava chorando em seu quarto, quando Emily entrou. Logo na sequência entrou seu primo Thales, filho de sua tia Ida, que era irmã da sua mãe. Emily e Thales eram seus melhores amigos desde sempre. Naomi e Emily tinham a mesma idade, 12 anos. Thales era seis meses mais velho que elas e já tinha completado 13. Era um rapazinho franzino, afeminado, e sempre cantava aos quatro ventos que não gostava de mulher.
— O que aconteceu dessa vez?
— O de sempre, primo!
— Eu sei que é o de sempre, Naomi! Eu quero saber qual o foco no de sempre dessa vez?
— Tia Amélia me ligou dizendo que a Nai estava chorando, se eu podia vir. Falei que ia me arrumar e já vinha. Estava no viva, fingi que saí e tia Amélia falou pra minha mãe que aquele velho nojento tava pegando na mão dela e o tio Maurício sorrindo pra ele.
— Você foi molestada, Nai?
— Claro que não! Meu pai jamais permitiria um absurdo desses!
— Então o que foi, Naomi?
— Esses homens sempre fazem isso. Pegam em meu cabelo, pegam na minha mão. São parceiros de papai. E ele deixa porque fecha negócios muito vantajosos com esses homens que ficam admirados da minha beleza e deixam papai enrolar eles! Eu sou o truquezinho de papai. Mamãe que é exagerada e começa a gritar com ele a toa, aí eles ficam aos gritos dentro de casa!
— Mas, Naomi. De verdade, você fica confortável de ser o truquezinho de seu pai? — Emily perguntou, olhando a amiga e achando ela estranha.
— Não! A pergunta não é essa! A pergunta é: você não se importa de esses homens tocando em você, mesmo que não seja em lugares íntimos? Por mais linda que você seja, Naomi, isso é pedofilia, é nojento! E seu pai deveria te proteger e não te usar! É por isso que sua mãe fica brava! Você está confortável com a atitude de seu pai?
— Não!
E voltou o chororó. As crianças estavam acostumadas com aquelas reuniões. Em que Maya chorava impotente, enquanto Maurício Usava a beleza estonteante da filha para distrair os possíveis clientes e levar vantagem.
Não era nada na maldade e ele estava sempre de olho pra que ninguém passasse dos limites, mesmo porque ele era um advogado brilhante em ascensão, já tinha um complexo com alguns bons advogados associados e estava começando a fazer nome no mercado. Não estava vendendo a filha e nem suportaria que alguém a tocasse onde não deveria. Mas tinha percebido que toda vez que aquela linda criança entrava no escritório, a maioria dos clientes ficavam encantados com a beleza dela e se inclinavam a aceitar o que Maurício propunha, o que antes de ela aparecer não acontecia. Então Maurício a usava como manobra!
Mas três meses depois, uma ligação mudou toda sua vida, e toda sua forma de agir. Maurício Duprat não era o homem que mostrava para a família. Não era gentil com a mulher. Saía de casa a noite e deixava ela pensar que estava a traindo, não se importava pois tinha a certeza de que Amália não iria embora, tinha medo da dificuldade de criar Naomi sozinha.
Mas um deslize e ele realmente a traiu. Teve que sair de casa para proteger sua mulher e sua filha, e voltou transformado! Passou a dar o valor que Amália merecia e a atenção que Naomi precisava. Sabia que tinha desenvolvido um comportamento depressivo na filha, então não deixava mais ninguém chegar perto dela, nem mesmo Lorenzo, seu pupilo, que mesmo que vivia em sua casa, não tinha acesso a sua filha.
Seu casamento estava perfeito! Tudo corria muito bem, suas ligações estavam dando certo, principalmente depois que ganhou a causa internacional de Lorenzo. Quando Naomi fez 17 anos, ele já era uma potência mundial, muito rico, seus escritórios tinham muitos sócios e colaboradores, Lorenzo já tinha seu escritório em Valinhos e Maurício até sugeriu de ele se casar com ela, o que ele recusou. Achava Naomi muito nova e mimada, apesar de linda.
Na verdade, Maurício até gostou da atitude do pupilo. onde já se viu arranjar casamento pra filha em pleno século XXI?
Ela entrou na faculdade de direito e ele resolveu ensinar tudo o que sabia pra ela, logo ela seria sua herdeira e Lorenzo tinha recusado assumir seus escritórios. Ele precisaria lhe ensinar, pois ninguém sabia o dia de amanhã.
E o amanhã chegou antes que ele pudesse imaginar…
Você pode gostar





