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Capa do romance Karma ou Destino?

Karma ou Destino?

Ana enfrenta uma fase caótica, questionando se vive um carma ou um capricho do destino. Após romper o noivado perto do altar, ela ainda nutre sentimentos pelo ex-parceiro. No entanto, surge um homem incrível disposto a conquistar seu coração. Dividida entre a mágoa e uma nova chance, ela precisa decidir se busca vingança contra quem a feriu ou se arrisca seu futuro por um novo amor. Será que vale a pena sacrificar a felicidade por ressentimento?
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Capítulo 2

Portugal era lindo e Davi maravilhoso.

Saiam juntos, iam a restaurantes, ele era perfeito como sempre.

As duas semanas que ela pretendia ficar foram se estendendo e tornando-se meses.

Havia deixado o serviço da fazenda nas mãos responsáveis do pai e tinha aceitado o convite de seu amigo virtual.

Davi era companheiro, amigo, divertido, carinhoso, nunca a deixava triste e nem sozinha.

Saia do trabalho e iam sempre a um lugar diferente.

A amizade foi se estreitando, mas Ana ainda pensava muito em Pedro.

Após três meses de diversão, Ana foi surpreendida por Davi.

Ele chegara em casa mais cedo sem avisar e ela havia ido na casa dos pais dele.

Era tudo o que ele precisava.

Arrumou a casa e pediu um jantar maravilhoso.

Luz de velas, música suave, um bom vinho e um delicioso nhoque, tudo exatamente como ela gostava.

Quando ela chegou em casa e viu a mesa posta com elegância seus olhos brilharam.

- Davi, o que significa isso?

- É pra você.

Ela aproximou-se da mesa e sorriu.

- Você fez nhoque, com vinho, como sabia que é o meu prato preferido?

- Uma vez você comentou, logo no começo, quando a gente se conheceu, e eu não esqueci.

- Você é um sonho. Por que preparou isso tudo pra mim?

- Porque tenho algo pra te falar. Mas primeiro jantamos depois eu te falo o motivo desse jantar.

- Vai me deixar morrendo de curiosidade?

- Calma, querida, calma.

Jantaram e Davi pegou as mãos de Ana.

- Agora sim eu posso falar o que esperei a noite toda. Ana faz tempo que nos conhecemos, não pessoalmente, mas faz tempo que um sabe tudo sobre o outro, certo?

- Sim, mas por que essa pergunta?

- Ana, eu nunca escondi que gostava de você. Só que agora não posso mais lutar contra esse sentimento. Eu não sinto só carinho por você, eu sinto amor. Ana eu te amo e quero que se case comigo.

Surpresa com o convite, Ana nada falou, apenas olhou bem dentro dos olhos dele e notou sinceridade.

- Davi, você sabe que eu amo outro homem e é por causa dele que estou aqui.

- Dê-me uma chance, eu vou provar pra você que posso fazê-la esquecer Pedro.

- Mas como eu posso me casar com você amando outro?

- Eu amarei por nós dois. Ana eu sei que parece uma loucura agora, mas no futuro você verá que foi a coisa certa a se fazer. Eu não sei mais viver sem você e você precisa de alguém que te faça esquecer o que aquele homem te fez. Eu sou esse alguém, Ana. Deixe-me te amar e te fazer feliz.

- Deixe-me ao menos pensar. Quando eu souber o que te responder, voltamos a falar nesse assunto. Tudo bem?

- Claro que sim, pense o tempo que você quiser, eu esperarei.

Dois meses depois Ana e Davi casavam-se.

Foi uma cerimônia simples, apenas no cartório, os pais de Ana nem compareceram, pois seu Jorge tinha medo de avião.

Nos primeiros meses de casada, Ana ligou várias vezes para Pedro, porém ele nunca atendeu.

Ana arrumara um emprego numa construtora, pois não conseguia passar o dia todo em casa sem ter nada para fazer, a ociosidade enchia sua mente de lembranças que ela queria esquecer.

O casamento já durava quatro anos, mas Ana ainda não conseguira tirar Pedro do seu coração, e Davi percebia a angústia de sua mulher, mas não tocava no assunto. A única coisa que chateava Davi era a falta de filhos. Ana não os queria.

Filhos era o motivo das tantas brigas que estavam acontecendo.

De maravilhoso e feliz, o casamento começou a tornar-se um fardo, um martírio para Ana.

Ela e Davi brigavam quase todas as noites porque ele queria filhos e ela não.

- Aninha, meu amor, já faz quatro anos que estamos casados e não temos filhos. Eu sei que você quer ter, mas porque não os quer ter comigo?

- Não é com você o problema, sou eu.

- Você ainda pensa em Pedro. É por isso que não quer filhos. Você acha que ele vai voltar. É com ele que você quer ter filhos.

- Por que você tem sempre que falar nele? Quando eu acredito tê-lo esquecido você o traz de volta. Você sabe o quanto eu amei ele, o quanto ele foi importante pra mim, que marcou minha vida, mas, se aceitei me casar com você é porque quis enterrá-lo pra sempre. Não ressuscite-o. Deixe-o lá, no meu passado. Eu não cobro seus amores do passado, portanto, não cobre os meus.

- Ana, me desculpe, não quis magoá-la.

- Ultimamente é o que você mais tem feito. Acho que devemos nos libertar.

- Como assim?

- Divórcio. Vou voltar para o Brasil. Cansei de brigar.

- Eu não te darei o divórcio, nunca.

- Eu vou embora sem ele. Não pretendo me casar novamente mesmo.

- Eu não vou te deixar ir. Eu te amo.

- Mas você sabe que eu não te amo, que nunca te amei.

- Eu sei, mas meu amor é tão grande que serve pros dois.

- Eu não posso mais fazer isso. Eu quis te amar, quis muito, mas você não deixou. Sempre falando no Pedro, me fazendo lembrar dele, você é o único culpado de eu não te amar.

- Vamos tentar de novo. Se você não mudar de opinião eu t dou o divórcio e te deixo ir.

- Davi...

- Por favor, me dê uma chance. Afinal, você nunca me disse que eu estava te magoando.

- Tudo bem. Mas você só terá uma única chance.

A tentativa de Davi de salvar o casamento estava funcionando.

Ela estava começando a apaixonar-se por ele, estava esquecendo Pedro, não pensava mais nele e nem lembrava mais do passado, estava realmente feliz. Até que uma noite, véspera do aniversário de casamento deles, Davi chegou em casa irritado, bêbado e começou a gritar com Ana. Dizia coisas horríveis.

- Você é uma vagabunda. Você está me traindo. Sua cadela, nunca esqueceu ele.

- Do que você está falando? Pare com isso. Você sabe que me apaixonei por você, que não amo mais ele.

- Sua mentirosa. Só quer meu dinheiro e mais nada.

- Seu dinheiro? Não seja ridículo. Esqueceu que tenho mais dinheiro que você?

- Você nunca me amou.

- E você sempre soube disso, casou comigo sabendo que eu ainda amava outro, foi você quem quis casar mesmo assim, lembra?

- Cale a boca! Por que, Ana, você tem brincado comigo todo esse tempo? Não fui suficiente para você? Tinha que me trair?

- Eu nunca te trai. Eu até estou apaixonada por você.

- Seja sincera comigo. Você realmente se apaixonou por mim?

- Sim, você sabe que sim. Estou feliz como nunca estive antes.

- Então o que significa isso? – mostrou um papel

- O que é isso?

- Uma carta dele, pra você.

- Impossível, ele não sabe onde moro. Deixe-me ver isso.

- Quer ver? Pois pegue – jogou a carta nela – Leia e pense, planeje bem a mentira que inventará.

- Vou ler, se não se importa.

Era a letra dele, não tinha dúvida. Mas como conseguiu o endereço? Seus pais nunca dariam e Márcia, sua melhor amiga também não. Então como é possível? Só pode ser... O número do telefone. Só podia ser isso. Mas por que escreveria somente agora? A data era recente. Por que não ligou do seu celular? Precisava ter ligado da casa? Tentou se concentrar na leitura, mas estava difícil.

A carta dizia: “oi, faz tanto tempo, nunca te esqueci, sei que está casada porque seu pai fez questão de me dizer quando fui procurá-la, mas quero seu perdão. Sei que nunca me esqueceu, que ainda me ama, suas ligações provam isso. Eu também te amo e estou te esperando. Vou atender quando você ligar novamente. Te quero de volta. Te amo, Pedro.”

- Eu não entendo. Quando chegou isso?

- Há dois dias. Vai atender quando você ligar. Quando você ligou pra ele?

- Logo que casamos, eu queria que ele soubesse que eu estava feliz, que havia casado, mas ele nunca atendeu e eu não liguei mais.

- Vagabunda. – Esbofeteou-a – Eu me esforçando para fazê-la esquecê-lo e você ligava pra ele... Nunca te darei o divórcio, nunca. Sei que você correrá para ele agora que sabe que ele te quer de volta, mas nunca será livre, nunca.

- Eu não quero o divórcio, Davi, eu não quero ser livre. Não vou correr pra ele porque eu tenho você, e gosto de você. Davi, vamos ter um bebê, por que eu largaria tudo pra ir atrás de um passado que eu não quero mais?

- Você está mentindo pra mim. Acha mesmo que vou acreditar que você se apaixonou por mim? – Sacudiu-a com força.

- Pare Davi, por favor, vai machucar nosso filho, Davi, não faça isso, pare, por favor...

Ao ouvir a palavra filho, Davi empurrou-a.

Ana se desiquilibrou e caiu, sentindo uma dor forte no abdômen.

Ao ver ela caída, com as mãos na barriga, Davi recobrou os sentidos.

Ela nunca havia visto ele daquele jeito, violento, logo ele que era tão carinhoso.

- Me leve ao hospital, acho que estou perdendo nosso filho.

Assustado, Davi pegou-a no colo e foi para o carro.

Ela havia planejado contar que estava grávida no dia do aniversário de casamento. Ia fazer uma surpresa para Davi, pois tudo o que ele sempre quis era um filho.

No hospital, Ana preferiu omitir a briga, pois, apesar de estar magoada, não queria que ele fosse preso.

Saber que ela tinha perdido o bebê fez Davi entrar em desespero.

- Eu não sei se algum dia você irá conseguir me perdoar, mas quero que você saiba que passarei o resto de minha vida buscando seu perdão.

Ana nada falou, apenas olhou bem dentro dos olhos dele.

Os olhos que antes eram brilhosos agora estavam sem vida.

Davi trazia nas feições a dor, estava com olheiras, pálido, parecia dez anos mais velho, Ana até sentiu um pouco de pena, mas sabia que nada seria igual.

Davi ficou no hospital com ela o tempo todo, no corredor, pois ela não o quis no quarto. Ele só entrava no quarto quando o médico chegava.

Dois dias após o ocorrido, Ana teve alta.

- Fui um tolo. Eu sei que nada vai justificar o que fiz com você, mas quando vi a carta... Fiquei um dia inteiro decidindo se abria ou não. E quando decidi abrir e ler... Foi terrível. Só queria beber e fazê-la sofrer como eu estava sofrendo.

- Eu não quero falar com você. Primeiro você abriu uma carta que não era pra você, depois você duvidou de minha palavra e o mais grave de tudo, você matou meu filho e com ele, qualquer chance de sermos felizes. Eu te juro, estava mesmo me apaixonando por você, mas você foi horrível. Fique feliz por eu não tê-lo denunciado à polícia pela agressão.

- Sei que o que fiz foi cruel, mas estava fora de mim, estava bêbado.

- Eu quero o divórcio. Vou voltar para o Brasil. Não tem mais como viver aqui com você depois do que aconteceu.

- Ana, por favor...

- Vou embora amanhã. Tínhamos chance de ser feliz, mas você pôs tudo a perder.

- É a sua decisão final?

- É.

- Você me odeia?

- Não. Deveria, mas não consigo, no momento só estou muito magoada com você. Quem sabe um dia passe.

- Vai procurá-lo?

- Não. Nunca mais.

- Pelo menos fique até se recuperar totalmente.

- Davi, não dá mais.

- Ana, por favor...

- Davi, não insista. Amanhã eu vou para o Brasil. Quem sabe um dia eu ainda o perdoe pelo que me fez. Só que agora não dá. Eu preciso ficar sozinha.

Davi saiu de casa sem se despedir. No dia seguinte Ana embarcou para o Brasil. Davi não havia voltado para casa e ela esperava vê-lo no aeroporto, pois por mais que ele tivesse batido nela, ela sabia que ele a amava e já havia perdoado as pancadas, só não o perdoara por tê-la feito perder o bebê, mas ele não apareceu para se despedir, e isso a deixou triste.

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