
Karma na Empresa
Capítulo 3
Meu coração batia descontroladamente no peito, uma mistura de pânico e euforia.
Eu me levantei da cama, minhas pernas ainda trêmulas.
Fui até o banheiro e me olhei no espelho.
Era eu, sem nenhum arranhão, sem a dor fantasma do impacto do carro.
Eu estava realmente de volta.
O som do chuveiro parou e, alguns minutos depois, Marcos saiu do banheiro, uma toalha enrolada na cintura.
"Bom dia, amor," ele disse, sorrindo, e me deu um beijo na testa.
O mesmo beijo que, na minha memória, ele me daria antes de me trair.
Um calafrio percorreu minha espinha.
"Você está bem? Parece que viu um fantasma," ele comentou, enquanto se vestia para o trabalho.
"Só um pesadelo," murmurei.
O telefone dele tocou. Ele atendeu, e a voz do outro lado era inconfundível, mesmo abafada. Era Eva.
Ele conversou com ela por um minuto, com uma paciência que ele raramente tinha comigo.
Quando desligou, ele se virou para mim com um pedido.
"Laura, a Eva está com dificuldades no projeto do cliente X, aquele grande. Você poderia dar uma força para ela hoje? Ela é nova e está se sentindo um pouco perdida."
Era exatamente como tinha começado na vida passada.
O mesmo pedido, a mesma armadilha.
Naquela época, eu concordei sem hesitar, querendo ser uma boa colega e ajudar meu namorado.
Desta vez, a resposta foi diferente.
"Não," eu disse, a voz firme e clara.
Marcos piscou, surpreso.
"Não? Por quê? É só uma ajuda, você é a melhor nisso."
"Estou com muito trabalho acumulado," menti, mantendo minha expressão neutra. "E além do mais," acrescentei, com um sorriso calculado, "você parece se dar tão bem com ela, por que você mesmo não a ajuda? Seria uma ótima oportunidade para vocês se conhecerem melhor, criar um vínculo."
Eu enfatizei a palavra "vínculo".
Ele pareceu pensar por um momento.
"É, talvez você tenha razão," ele disse, coçando a nuca. "Pode ser uma boa ideia. Mostra que eu sou um cara legal e prestativo."
Ele pegou o celular e ligou de volta para Eva.
"Eva? Sou eu, Marcos. A Laura está super ocupada hoje, então eu mesmo vou te ajudar com o projeto. Sim, claro que posso. A gente se vê no escritório."
Ele desligou, sorrindo para mim.
"Pronto, resolvido. Obrigado pela sugestão."
Um sorriso frio se formou no meu rosto quando ele se virou.
A primeira peça do dominó tinha sido empurrada.
Naquele mesmo dia, no escritório, eu solicitei formalmente uma transferência para o departamento de marketing, um pedido que eu já vinha considerando há meses, mas nunca tive coragem de fazer.
Com a desculpa de querer "novos desafios", meu pedido foi aprovado rapidamente.
No final do dia, Marcos me encontrou perto da minha nova mesa.
"Então, passei o dia com a Eva," ele disse, parecendo um pouco cansado. "Ela é... intensa. E um pouco estranha. Não entendi nada do que ela fez no relatório, tive que refazer tudo."
Eu apenas dei de ombros.
"Bem, você queria ajudar," eu disse, com simplicidade.
"É, mas não sei se entendi por que você me empurrou para isso," ele admitiu. "Ela não parece entender coisas básicas."
Eu olhei para ele, um sentimento de desprezo gelado crescendo dentro de mim.
Na minha mente, uma voz dizia: "Estranha não é a palavra. Você não faz a menor ideia no que está se metendo, Marcos. E desta vez, eu vou adorar assistir de camarote você descobrir."
Você pode gostar





