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Capa do romance JOHN RIDDICK

JOHN RIDDICK

O ex-coronel John Riddick, dono de uma gigante da segurança mundial, vive isolado emocionalmente por traumas do passado. Sua frieza é testada ao enfrentar um inimigo cruel e conhecer Abla Dinis. Ex-militar brasileira, Abla recomeça a vida no exterior após perder a irmã gêmea, focada em cuidar do legado familiar. Ao se tornar funcionária de Riddick, a forte conexão entre os dois desafia as barreiras desse homem enigmático em uma trama de ação.
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Capítulo 2

Riddick

— Vão! — Eu não entrei com eles, mesmo querendo fazer isso, por que existiam coisas muito complexas para se fazer, que só eu posso. Às vezes me arrependo de não ter passado esses conhecimentos que tenho. Mas eu sei por que não fiz isso. Não fiz, pois não achei a pessoa certa.

Estamos atrás de um contrabandista. Ele contrabandeava tudo que você possa imaginar. De drogas, a pessoas. Eu soube de uma fonte segura que ele estaria aqui, o chamam de Trayrom! Particularmente, acho isso uma cafonice, mas tudo bem. Não faço ideia do por que, apenas quero pegá-lo, e acabar com a raça desse desgraçado.

— Equipe diamante, podem entrar! — Falei pelo alto-falante da escuta. Eu tenho muitos homens que trabalham para mim, todos altamente treinados, por mim, é claro. Divido todos em equipes; são quatro ao total: Equipe prata, ouro, bronze e diamante.

— As escutas estão oks? — Perguntei apenas para confirmar. Eu não sei o que, mas sinto que algo não está bem, e pior que isso, está me inquietando.

— JJ, ok!

— Joan, ok!

— Victor, ok!

— Mara, ok!

Todos responderam o chamado, e se prepararam para entrar, eu fiquei na van, olhando pelas câmeras do capacete. JJ foi o primeiro a entrar, e analisou o perímetro e tudo estava limpo. Não deveria está assim. Tinha que pelo menos, ter um guarda, ou, dois para não ter suspeitas.

— John, está tudo limpo. Eu sinto que tem alguma coisa errada! — JJ falou com preocupação em sua voz. Eu tomei uma decisão que era para ter feito antes.

— Recuem todos, isso é uma ordem! — Falei autoritário e todos me responderam, menos Mara. Eu olhei na tela, onde ficava sua câmera, mas havia sido desligada.

— JJ cadê a Mara? — Perguntei, pensando no pior.

— Ela estava aqui até nesse instante. Espera! — Pediu, deixando-me mais aflito.

— O que foi? — Apertei meus punhos.

— Senhor, a casa está toda cheia de explosivos. — Eu senti pela voz dele, que a merda era das grandes.

— Saiam! — Tomei essa decisão, e foi a mais acertada.

— E a Mara? — Joan indagou.

— Saiam! — Repeti a ordem. Chamei Mara pela sua escuta, mas não houve retorno. Do nada sua câmera liga, me deixando em alerta. Eu a vi, cheia de sangue no rosto.

— Está vendo, comandante Riddick! — Uma voz desconhecida pronunciou. Quem será? E como sabe o meu nome?

— Você deve está se perguntando quem sou eu, e como sei o seu nome! — Ele falou debochando. Por acaso tem vidência, porra! Não conseguia ver seu rosto, mas de alguma forma, eu já sabia quem é.

— Trayrom! — Exclamei com asco.

— Bingo! — Proferiu rindo. Desgraçado. A minha vontade, é de ir até lá e destruir cada osso do corpo dele.

— Solte-a imediatamente! — Mandei, como sempre faço.

— Ou o quê? — Demandou troçando com a minha cara. Eu fiquei calado, esperando-o se manifestar. — Vocês invadem a minha casa, e ainda querem mandar em mim! Essa cadela vai morrer por sua causa Riddick. — Avisou enraivecido.

— Seu desgraçado, eu vou acabar com você!

— Shiii! Pare de ameaças vazias. — cuspiu no chão — Sabemos que você nunca vai me encontrar!

— É o que veremos!

— Adeus Riddick! — Apontou com a arma para Mara — Diga adeus a sua namoradinha também.

— Mara! — Gritei aflito.

— Me perdoe amor! — Foi o que ela disse, antes de ele atirar na cabeça dela a sangue frio. Quando me preparava para entrar no prédio, meus soldados estavam chegando e me impediram. Em poucos segundos o prédio explodiu, eu nem pude pegar o seu corpo.

— Eu sinto muito, senhor! — Todos falavam chocados. Olhavam-me com pena. Que porra de piedade! Eu não quero compadecimento de ninguém, droga. Eu só sentia ódio e, mas ódio. Eu vou matá-lo com minhas próprias mãos, acabarei com a raça desse desgraçado, não sei quando, mas, eu vou fazer isso, ou, não me chamo John Riddick.

Abla Dinis

Há tempo para tudo, tempo para todas as coisas. Mas por que eu sinto que tudo que eu fiz, não fez e não faz nenhum sentido? Passei o resto da minha juventude tentando provar que sou eficiente, que sou boa no que faço.

Com apenas dezesseis anos, larguei tudo e fui me alistar no exército brasileiro. Havia acabado de perder minha mãe, meu pai já estava morto há muito tempo. Digo isso, porque nunca o conheci, quer dizer, nem eu e nem minha irmã gêmea. Ela se chama Panyin Dinis, e eu me chamo Abla Dinis, temos 23 anos. Gêmeas univitelinas. Para quem não conhece, gêmeos univitelinos, são os que nascem da mesma placenta.

O fato do meu nome e o da minha irmã serem de origem africana, não significa que somos de lá. Temos esse nome graças a nossa falecida mãe, ela trabalhava com missões à África. Ela era apaixonada por esse povo maravilhoso. Lembro que uma vez, ela nos levou, nós duas, e ficamos assustadas pelo nível de pobreza, no entanto, encantadas pelo lugar. Eu fico muito puta quando vejo reportagens sobre a África que só mostram as misérias. As pessoas esquecem que existem muitos lugares lindos por lá. É igual aqui no Brasil, só que aqui é o contrário. Existem muitos lugares pavorosos, mas só mostram os melhores. Acho isso patético.

Meu nome significa “rosa selvagem”, perguntei uma vez a minha mãe por que esse nome, ela disse que eu nasci dando chutes, eu parei para imaginar a cena, e sempre que eu faço isso, eu começo a sorrir. O nome da minha irmã significa mais velha de gêmeos. Então vocês já sabem o porquê de ela se chamar assim, né? Quem falou por que ela nasceu primeiro, acertou em cheio.

Nunca fui descolada como ela; nunca fui de chamar a atenção do sexo oposto como ela fazia. Eu sempre vivi no meu canto, sonhando em um dia ser a melhor no que eu escolher fazer.

Ser irmã e ter uma irmã é muito bom, ainda mais se essa irmã for a sua gêmea. Ser gêmeo é nascer com seu melhor amigo, seu melhor confidente. Sempre fomos bastante unidas, contávamos sempre uma com a outra. Quando nós duas éramos mais jovens, ela sempre fez mais sucesso com os meninos. Seu corpo chamava bastante atenção, já eu, sempre fui gordinha. Eu perdi peso depois que entrei para o exército. Também quem não perderia? Treinava todos os dias sem parar, quanto mais doía, mais eu me exercitava. A dor é simplesmente a fraqueza saindo do corpo. Era o meu mantra de todos os dias.

Nós éramos muito unidas, mas como quaisquer irmãos, depois que nós crescemos, acabamos nos distanciando. Claro que não totalmente, eu acabei escolhendo o exército e ela desejou ficar e fazer um cursinho que hoje não lembro o nome.

Sempre quando eu podia, ligava para saber se ela estava bem, se precisava de algo. Mas por algum motivo, ela parou de atender meus telefonemas, e isso me magoou muito, me machucou demais, no entanto, eu não insisti mais. Foquei todos os meus esforços no exército. Com sete anos, conquistando o meu espaço, consegui alcançar um posto de oficial. Tenente-coronel. Essa é a patente militar de um oficial superior situada entre a de Major e a de Coronel. Nesse posto o militar pode receber o comando de um Batalhão. Na verdade, eu seria designada a um batalhão, só que eu não quis. Vocês devem está se perguntando por quê?

Tudo que sonhei, eu conquistei, claro com muito esforço. Mas hoje, eu percebi que nada daquilo valeu a pena. Eu me sentia vazia e não estava feliz. Com toda a dor do mundo, eu fui até o meu superior e pedi baixa. Foi uma luta, mas por fim, ele liberou.

Estou a caminho de casa, doida para ver a minha gêmula, é assim que a chamo carinhosamente. Acabei de descer do táxi, bati na porta, só que não houve nenhuma resposta. Estou com minha roupa do exército, então estou chamando bastante atenção, coisa que detesto.

— Pan! — Chamei novamente e nada. Estava quase chamando novamente quando fui impedida por uma vizinha.

— Ah! Você é a irmã de Panyin. — Não encarei como pergunta, pois ela notou a nossa semelhança. Mesmo assim, lhe respondi educadamente.

— Isso! 

— Nossa! Vocês são muito parecidas. — Fez o que todos fazem quando veem gêmeos. Encarou curiosa e com um grande sorriso.

— Sorte a nossa! Sabe onde posso encontrá-la? — Eu não gostei da cara que ela fez. Oxe, eu sinto que há algo de errado.

— Eu sinto muito... — Tentou falar, mas lhe interrompi, nervosa.

— Por que sente muito? Onde está a minha irmã? — Há cacete, detesto quando enrolam ao falar comigo.

— Aqui a chave da casa, ela deixou na minha mão. — Deu de ombros — Ela... Está no hospital João Batista Caribé.

— Mas... — Olhei séria. — Por que ela está em uma maternidade? 

Assim que fiz a pergunta, eu já sabia a resposta, mas a necessidade de ouvir alguém dizer falou mais alto.

— Sua irmã foi dar a luz. — Me olhava com pena. Porra, eu não quero pena, quero a minha irmãzinha, bem.

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