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Capa do romance Jogo do Destino

Jogo do Destino

Ronny Falcon é um homem gélido que aceita um casamento por conveniência visando o poder total. Sua vida calculada vira um caos ao conhecer Nabi, uma jovem sem memórias que desperta nele um instinto protetor inédito. Enquanto ela acredita ter achado um porto seguro, Ronny a mantém sob seu domínio magnético. Entre traumas e segredos, o destino une essas almas opostas em uma trama intensa e sombria, onde a paixão é o único caminho para a redenção.
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Capítulo 2

Ann Mi-Suk

Pela primeira vez em muito tempo, dormi feliz, com o coração cheio de esperança e expectativa pelo dia seguinte. No horário de sempre, uma das empregadas da casa veio me acordar para o café da manhã, o qual, como de costume, foi feito em silêncio total, meu pai não admitia conversas à mesa enquanto ele lia seu jornal. Com o tempo me habituei e não sentia vontade de falar, apenas esperava que todos terminassem sua refeição, para enfim, me retirar também.

Ao fim da refeição, quando estava subindo as escadas, ouvi mamãe me chamando.

― Ann, querida, espere que vou com você para escolher o vestido que usará está noite.

― Tudo bem, mamãe. Mas por que toda essa arrumação? Será apenas um jantar...

― Não é um noivado comum e seu pai quer impressionar seu futuro marido. E pelo que ouvi de seu pai, o noivo faz questão de que seja algo grande.

Dou de ombro e sigo pelo corredor até o quarto. Quando terminamos de escolher tudo para me apresentar como a mercadoria cara e perfeita em uma vitrine, viro para minha mãe e lhe dou um abraço apertado. As lágrimas surgem e eu sinto meu peito se apertar, talvez eu nunca mais a veja, mas será necessário.

― Não tenha medo, minha pequena ― era desta forma carinhosa que mamãe me chamava desde criança. Mesmo depois de adulta e estar mais alta do que ela, continuava pequena aos seus olhos. ― Você foi preparada para ser esposa de um homem importante, vai se sair bem...

― Não me preocupo com isso ― fungo, se ela ao menos imaginasse. ― Tenho muito medo... ― minha voz falha e eu sinto meu lábio tremer. Acabo mordendo-o para não falar mais do que devo. ― Obrigada por todos esses anos de amor e carinho, mamãe. Eu amo muito você.

― Eu também a amo, minha pequena ― nos abraçamos e ficamos assim por um tempo.

Depois que mamãe saiu de meu quarto, permaneci ali trancada. Eu não tinha permissão para circular entre tantas pessoas desconhecidas. Já havia ido a varandas várias, lembrando-me de tudo que Hyun e eu havíamos combinado.

No horário combinado, saí pela varanda e segui pela lateral esquerda. Embaixo de uma palmeira estava o pacote com o que eu iria precisar, voltei ao quarto e escondi tudo embaixo da cama. Tive um sobressalto quando ouvi alguém bater na porta e entrar logo em seguida. Eram meu pai e mamãe...

― Querida... ― dou um sorriso sem graça em direção a eles. ― Seu pai e eu gostaríamos de presenteá-la com uma joia para esta noite.

Levanto e fico esperando que se aproximem de mim. Com um estojo quadrado, em veludo azul marinho em mãos, meu pai pigarreia e diz.

― Ann Mi-Suk, você pode pensar que sou rude e cruel por tudo que viveu esses anos e agora com o casamento, mas tudo foi feito para o seu bem.

Quase dei uma resposta malcriada, dizendo que a única coisa com a qual ele se importava era aquela maldita máfia, mas engoli. Não era hora de discutir, minha liberdade estava muito perto.

― Não se preocupe. Se não morri todos esses anos, não será agora com um casamento arranjado ― disse fria.

― Ann ― mamãe fala.

― Não vou brigar, mamãe, não se preocupe. Já aceitei o meu destino.

Cruzo os dedos às minhas costas por estar dizendo uma mentira.

― Muito bem ― ele fala. ― Até porque não tem opção. Pegue... ― estende a caixa. ― Eram da sua avó.

Não me lembro dos meus avós. Mamãe conta que eles morreram quando eu era muito pequena, mas não é hora de pensar nisso. Pego a caixa e murmuro um, obrigada. Ele sai e mamãe pergunta se quero auxílio para me arrumar, agradeço e digo que prefiro fazer isso sozinha. Quando ela sai, tranco a porta e corro para pegar os itens embaixo da cama, deixando a caixa com a joia ali.

Meia hora depois, confiro meu visual no espelho. Nem eu mesma me reconheço, espero que dê certo.

Com o coração disparado e quase saindo pela boca, deixo meu quarto e sigo as instruções que meu amigo me deu, em poucos minutos me misturo ao pessoal que está deixando o local em vans brancas. Não acredito que estou tão perto, minha alegria é tanta que não consigo parar de sorrir.

Tento me controlar para não dar bandeira e espero a minha vez de entrar no carro, quando enfim estou dentro, me acomodo e sinto-o em movimento, os poucos minutos até a saída parecem uma eternidade.

Meu coração sofre um baque quando o veículo para na portaria e um dos seguranças manda abrir a porta de trás. Começo a rezar silenciosamente pedindo para não ser descoberta, o homem apenas passa os olhos em todos e libera a saída. Solto um suspiro audível e dou um sorriso amarelo para a moça a minha frente, não ousava olhar para os lados.

Pouco mais de meia hora se passa e o carro para, quando a porta se abre, todos começam a descer. Parece que é um ponto de parada, as pessoas começam a se despedir e irem para todos os lados. De repente me sinto perdida, para onde vou agora? Onde está o Hyun, que não vi até agora?

Distraída, olho em volta, admirada por estar fora dos muros da mansão.

― Ei, moça, vai para onde? ― um rapaz estranho pergunta. Fico na dúvida se devo responder ou não. ― Agora que está livre não fala mais com os amigos?

Só agora percebo a voz dele.

― Hyun, é você? ― me jogo em seus braços.

― Shh... não diga meu nome. A partir de agora não seremos mais nós... vamos embora para a nossa nova vida.

Sorrindo, me afasto e digo...

― Tem uma coisa que eu gostaria de fazer, será como símbolo da minha nova vida, minha liberdade.

― Tudo o que você quiser...

Seguro em sua mão e juntos, caminhamos rumo ao desconhecido. De hoje em diante, eu estava confiante de que seria feliz. E seria eu mesma a escrever meu futuro.

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