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Jogo do amor: Uma babá quase perfeita

Após flagrar uma traição devastadora, o astro do futebol Gustavo Henri causa um acidente e foge sem socorrer a vítima, Kara Jimenez. Ele não imagina que o destino os reuniria tão cedo. Precisando de trabalho, Kara aceita uma vaga de babá, mas fica chocada ao descobrir que seu novo patrão é justamente o homem arrogante que a atropelou. Entre mágoas e convivência forçada, a vida de ambos se transforma em um jogo complexo de sentimentos e acerto de contas.
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Capítulo 2

Kara Jimenez  

 Já havia se passado cinco minutos desde que o Gustavo entrou no carro e partiu, ainda assim eu continuava parada no mesmo lugar, olhando para o dinheiro que ele fez questão de jogar no meu rosto.  

Eu abaixei com dificuldade para pegar o dinheiro que o vento quase levou embora. Depois da humilhação que ele me fez passar e das feridas nos meus dois joelhos, pagar um táxi era o mínimo que ele poderia fazer.  

Me ergui e olhei para dentro do centro de treinamento. Os meus joelhos nem se comparavam ao meu coração estraçalhado. Gustavo não estava mais ali, me provando que ele não havia se importado com os ferimentos que causou em mim.   

Um suspiro longo e profundo escapou dos meus pulmões quando me lembrei o quanto eu o admirava antes mesmo de o conhecer. Embora a sede do clube estivesse vazia, eu sabia que os imperadores fariam um jogo importante naquela noite, e eu queria estar ali para passar eles toda a minha energia positiva.   

Acho que estou exagerando um pouco, na verdade, eu vim parar aqui por pura casualidade do destino. Sai de casa às escondidas após comer um pedaço de torta que eu sabia que não deveria comer, e para não ouvir os gritos da minha mãe me avisando que as coisas que o Sebastian comprava eu não devia tocar, eu saí antes que ela chegasse.   

Peguei um ônibus até o centro da cidade e quando eu avistei o centro de treinamento, não conseguir evitar. Conhecer aquele time de futebol era o meu grande sonho. Eu passava noites imaginando o dia em que eu conheceria o Gustavo Henri e pediria a ele um autógrafo.   

Mas as palavras despudoras dele foi como uma desilusão sobre a minha cabeça. A julgar pelas atitudes estupidas dele, era obvio eu havia me iludido demais com aquele rosto bonito.   

Soltei um grunhido quando dei um passo à frente. Sentia tanta dor que não conseguia fazer nada além de chorar em silêncio. Se eu tivesse ficado em casa nada disso teria acontecido, eu só suportaria as delongas da minha mãe, defendendo o seu marido abusador. Por outro lado, se minha blusa não tivesse ficado presa no arame da cerca e eu não tivesse a puxado com força e perdido o equilíbrio, certamente não teria sido atropelada.   

Olhei para minha blusa rasgada e percebi que eu só estava tentando arrumar uma desculpa para o meu fracasso. Peguei meu velho celular do bolso e chamei um motorista por aplicativo.   

Embora eu não tivesse morrido, eu me sentia como se tivesse prestes a ser enterrada viva. Sai do carro quase não suportando a dor e a demora no atendimento só piorava ainda mais minha situação. Senti o tempo se arrastando como uma eternidade, até finalmente eu ser atendida.   

Com os dois joelhos enfaixados e andando com bastante dificuldade, eu saí do hospital com a certeza que não queria voltar para casa naquele dia. Também pensei em uma pessoa de muito bom coração chamada Rosa. Ela era a vizinha que sempre me salvava quando eu estava em apuros, e eu tinha certeza de que ela não me negaria ajuda naquele momento tão difícil. Meia hora mais tarde ela já estava ali, dirigindo seu carro velho que caia aos pedaços. Tinha um semblante preocupado quando me avistou.   

— Como isso foi acontecer, menina? – me ajudou a sentar no banco e eu só respondi quando ela também entrou no veículo.  

— Eu fui atropelada – disse, com um nó se formando em minha garganta – por um jogador de futebol.  

Rosa arregalou os olhos abismada com o que eu contava. Parecia absorver minhas palavras e sua preocupação se intensificou.  

— Quando sua mãe souber disso – meu coração congelou com as palavras dela.  

— Por favor, Rosa, deixe-me dormi na sua casa essa noite – juntei as duas mãos, implorando por mais um favor – eu comi uma torta vencida do Sebastian que estava na geladeira. Imagine a confusão que isso dará.  

— Sua mãe continua proibindo você de comer as coisas que aquele homem compra? – perguntou com uma expressão de ódio no rosto – alguma coisa precisa ser feita contra isso, menina.  

— E será feita, Rosa – disse e ainda que parecesse que eu estava animada, eu não tinha ideia do que fazer – mas antes eu preciso descansar. Você entende, não é?  

— Como eu não entenderia? – disse Rosa – afinal, quem era o tal jogador de futebol que causou todo esse acidente?   

A pergunta dela fez meu coração congelar. Me lembrei então do belo rosto do Gustavo cheio de ira, quando olhava para mim. Eu já não conseguia vê-lo como antes. Agora ele parecia ser um homem cruel, arrogante e mesquinho. Eu realmente esperava nunca mais encontrá-lo em minha vida.  

— Ele não é ninguém – as sensações ao falar dele eram desconfortavelmente avassaladoras – ele é um jogador qualquer, ninguém o conhece.  

Rosa ficou confusa com a minha resposta. Me observou por alguns segundos e percebeu certamente o quanto eu não queria falar mais daquele assunto. Deu de ombros e voltou sua atenção a estrada.   

Quinze minutos depois chegamos a sua casa. Observei a minha residência de longe, todas as luzes estavam apagadas. Olhei para a tela do meu celular, não havia nenhuma ligação da minha mãe. Eu sabia o que isso significava, eu estava encrencada.  

Deixei um bilhete na cama da Rosa agradecendo o seu afeto comigo e sai antes do sol nascer completamente. Caminhei com dificuldade até o portão da minha casa. Eu tinha chaves extras e tentei fazer o menor barulho possível para não acordar ninguém.   

Meus esforços foram em vão. Assim que entrei pela porta, aquela voz surgiu logo atrás de mim. Em meus olhos, uma breve pontada de horror se revelou.  

— Com quem você passou a noite, vadia? – o meu coração quase parou com a voz de Sebastian  

Eu me virei para olhá-lo, mal conseguia ver o seu rosto com a pouca luminosidade da casa, mas percebi que ele se aproximava, chegando bem perto de mim.  

— O que eu faço da minha vida, não o interessa.  

Eu o vi apertar os punhos e com a outra mão agarrar o meu rosto, segurando minhas bochechas com os dedos.   

— Se você mora na minha casa, me interessa sim – me soltou com brutalidade e eu tive que me esforçar bastante para me manter de pé.  

Eu gemi de dor. Ele observou meus joelhos enfaixados, quando a luz da sala foi acessa.  

— O que está acontecendo aqui? – Minha mãe olhava para mim com horror.  

— A vadia da sua filha dormiu fora de casa, Celeste – apontava o dedo no meu rosto – além e ter roubado a minha torta, ela acha que pode chegar na minha casa a hora que bem-quiser.  

— Eu não roubei a sua torta – meus olhos lacrimejaram e eu levantei a voz para respondê-lo – e eu sou maior de idade, não me lembro ter que dar satisfação a você.  

— Não trate o Sebastian dessa maneira, Kara – algo sinistro brilhou nos olhos da minha mãe. Era claro que ela defenderia o marido inescrupuloso – diga logo onde você passou a noite e o que aconteceu com os seus joelhos.  

— Eu fui atropelada – mas não havia comoção nenhum no rosto dela ao ouvir minha confissão - eu estava no centro de treinamento dos imperadores quando tudo aconteceu.  

Minha mãe não conseguiu ocultar o desgosto em seu rosto ao me ouvir confessar aquilo.  

— Você deveria estar arrumando um emprego – o rosto do meu padrasto escureceu ao falar comigo – ao invés disso fica atrás de jogador de futebol. Nenhum deles vai querer alguém tão desprezível como você.  

Ele não tinha o direito de ser tão insolente assim comigo. Tive vontade de pular no pescoço dele e esganá-lo. Contudo, foi a presença da minha irmã mais nova, que correu para me abraçar, que me impediu de cometer uma grande loucura.  

— A senhora não vai dizer nada mãe? – mas ela virou as costas para mim deixando claro o lado que iria ficar – vai deixar esse verme ofender a sua filha?  

— O Sebastian tem razão – ela deu de ombros e eu não deveria me magoar pela atitude da minha mãe, mas ela aumentou o buraco que havia em meu coração.  

— Quer saber de uma coisa – ele sacudia o dedo na direção e eu percebi que ele planejava algo – isso acaba agora mesmo. Como você mesmo disse, já é de maior e certamente consegue se cuidar sozinha.  

— O quê? – observei o Sebastian caminhando na minha direção e com um único gesto me agarrar pelo braço me arrastando para fora – o que você acha que está fazendo?  

— Expulsando você da minha casa – eu apenas ouvir o ranger do portão, quando fui lançada com força contra o asfalto gelado.  

Meus joelhos arderam com o impacto. Aquilo não podia estar acontecendo. Ergui o rosto lentamente, agora encharcado pelas lagrimas e olhei nos olhos da minha mãe. O que realmente estraçalhou o meu coração foi ver Olivia, minha irmã, chorando e chamando pelo meu nome.   

Os olhos de Celeste eram frios e sem compaixão.  

— Mãe, eu não tenho para onde ir – eu mal vi o momento em que Sebastian saiu dali e só voltou com minhas roupas em um saco de lixo – por favor, mãe, não permita que ele faça isso.  

Mas minhas súplicas foram em vão. Eu apenas vi minha mãe virar as costas para mim, agarrando na pequena mão de Olivia, antes do portão se fechar. Agora eu olhava para o portão bem fechado, sentindo-me completamente entorpecida.   

Eu não vi o momento em que Rosa me alcançou em seus braços e me levou de volta para a sua casa. Ela tentava me consolar, enquanto eu me sentia perdida, sem saber o que fazer da minha vida.

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