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Capa do romance Jeck Meu Amigo Meu Amor

Jeck Meu Amigo Meu Amor

Samantha Martinez é uma jovem alegre com síndrome de Down que se apaixona por seu melhor amigo, Jack Collins. Ele vive um dilema: declarar seu amor ou ceder à pressão do pai controlador, que exige que ele assuma os negócios e se case com uma mulher dentro dos padrões sociais. Entre o medo de perder a amizade e as ordens da família, Jack e Samantha precisam decidir se enfrentarão o preconceito para viverem juntos. Uma história emocionante sobre superação e barreiras.
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Capítulo 1

Samantha Martinez

Doze anos antes...

   Me chamo Samantha Martinez, primeiro preciso dizer que nasci com síndrome de Down, isso quer dizer que ocorreu uma alteração genética caracterizada pela presença de um cromossomo extra nas minhas células, enquanto estava sendo gerada.

Esta modificação genética afeta o desenvolvimento do indivíduo, determinando algumas características físicas e cognitivas. Ao contrário de muita gente, eu afirmo, a síndrome de Down não é uma doença, sei que ela me dá algumas características físicas típicas e algum tipo de deficiência intelectual em um certo grau, mas isso não é uma doença.

Talvez seja por causa disto que minha mãe queria me abortar, mas meu pai não permitiu. Meu pai me amou antes mesmo de ter nascido, agora minha mãe não queria me ter, porque ela me falava que tentou muitas vezes me arrancar de dentro dela e meu pai sempre estava vigiando-a para isso não acontecesse.

Vamos esquecer disso, o que importa é que sou Down e me acho normal. Vou ao fonoaudiólogo todos os dias para melhorar minha dicção e faço aulas de balé, viu?

Faço muitas coisas como uma criança normal.

Além de praticar esporte como toda criança, preciso ir ao médico sempre para ver se estou bem de saúde. Meu pai fica todo preocupado se eu apresentar sintomas de um simples resfriado. Lembro-me que quando era bem pequena sempre vivia doente e meu paizinho sempre cuidou de mim.

Agora vou falar de algumas pessoas que se tornou muito importante para a minha vida. Tenho 8 anos e estou perto de completar 9 anos de idade.

Meu pai e minha mãe se mudaram para uma cidade que se chama São Paulo, ele comprou uma casa enorme e eu simplesmente amei meu quarto que é ainda maior que o da minha casa antiga. Na Alemanha aprendi a falar português, além do alemão que é minha língua materna e sempre pratico com meu pai meu idioma materno para não esquecer a minha origem.

Eu gostei muito do Brasil, só que a minha mãe parece que não gostou nada. Na verdade, ela não gosta de nada e isso inclui a mim, que sou sua única filha só porque sou diferente. Ela sempre deixa isso bem claro quando fala que eu sou horrível e que não sou nenhuma princesa.

Por esse motivo eu nunca assisti um filme de princesa e nem deixava meu pai me chamar de princesa. Não gostava da cor rosa, apesar de na escola ver as meninas amarem essa cor, a diferença é que elas tinham uma mãe que gostavam delas.

Por pior que seja, digo que minha mãe me odeia.

Teve uma certa vez que minha mãe falou muita coisa para mim e me deu um tapa que senti queimar o local de tão forte que ela bateu, ela fez tudo isso quando meu pai não estava em casa, mas Eunice viu e me tirou de perto dela.

Pedi para Eunice não falar nada para o meu pai, senão ele iria brigar muito com minha mãe e eu não quero isso.

Quem sabe ela muda um dia e venha gostar de mim...

Este é o meu sonho, que minha mãe gostasse pelo menos um pouquinho de mim, mas isso nunca acontecia, o que me deixava bem triste. Ser rejeitada pela própria mãe é muito ruim e dói no fundo do meu coraçãozinho.

Um certo dia meu pai foi trabalhar e eu fiquei em casa com uma moça muito legal, que me tratou super bem. Depois de horas brincado e me contando histórias acabei dormindo. No dia seguinte, acabei acordando em um outro lugar e não tenho a mínima ideia de como vim parar aqui.

Olhei ao redor, vi meu pai dormindo e uma linda mulher negra me olhando. Sorri para ela, me levantei e fechei a porta para o meu papai não acordar.

A moça bonita me perguntou se eu queria tomar café e respondi que sim, pois estava morrendo de fome.

Ela ainda me perguntou se tinha algo que não podia comer e respondi que não. Depois disso ela me falou que seu nome era Hadiya e passei a chamá-la de tia Hadi, pois é mais fácil. Sabe, eu gostei muito dela, ainda mais quando ela me chamou de flor e meu amor.

Tia Hadi, é uma linda moça.

Apaixonei-me por ela.

Minha mãe nunca me chamou de meu amor, ela só me maltrata falando palavras que machucam dentro do meu coraçãozinho. Eu só tenho 8 anos e ela fala coisas feias para mim.

Será que todas as mães são assim como a minha?

Espero que não, pois crianças precisam de atenção e muito amor.

Foi tão bom conhecer e ficar um pouco com a tia Hadi.

Queria que minha mãe me tratasse como ela me tratou...

Comecei a estudar e lá conheci meus melhores amigos Patrícia, Bia e Jack. Tem o Thiago também, só que ele não estuda no mesmo colégio que eu. Ele é muito fofo e gostei dele de cara quando o conheci em um parque de diversão e descobri que ele é filho do tio Matheson.

Eu tenho quatro amigos maravilhosos e isso é ótimo, não é?

Ter amigos verdadeiros é muito importante.

Hoje eu tenho uma mãe que me ama.

Sim, eu tenho.

Tia Hadi, virou minha mãe.

Ela veio morar em casa e eu sabia que ela e meu pai estavam namorando. Eles acham que sou besta, mas vi os dois se beijando e fingia que nada via, pois estava feliz demais.

O tempo foi passando e aconteceu uma coisa muito estranha, minha mãe biológica uma vez apareceu na minha casa ou melhor no meu quarto falando que gostava de mim e depois desse dia ela foi embora e nunca mais vi Magda, minha mãe biológica.

Na verdade, não sinto falta da minha mãe biológica e Deus me perdoe por isso. Tentei fazê-la gostar de mim de todo jeito, mas ela nunca me aceitou do jeito que sou e não tinha mais o que fazer para Magda gostar de mim.

Só desejo que onde ela esteja seja pelo menos feliz, pois eu sou.

Sim, eu sou muito feliz!

Sou uma criança feliz e amada!

Não ligo mais para as pessoas de coração ruim que sempre me olham de forma estranha.

Sabe o mais importante na minha vida é sempre ter meus pais e meus amigos ao meu lado. O que mais importa para mim é a felicidade das pessoas que amo e amo muito minha mãe Hadiya, meu pai Kevin e os melhores amigos do mundo, os únicos no meu colégio que me receberam muito bem, já os outros sempre me olhavam de caras feias.

Essas crianças precisam ser educadas pelos pais e professores para aceitar qualquer tipo de pessoa. O preconceito começa dentro de casa pelos próprios pais que em vez de mandar seus filhos tratar todos bem, nos chama de doente. Se os adultos nos chamam de doentes, lógico que algumas crianças vão achar que temos problemas. O pai de Jack é um desses, tão diferente do filho que é um amor. Tive esses dias na casa dele e percebi como o homem me olhou. Jack me defende de tudo, inclusive de um menino que sempre fica enchendo meu saco pelo meu modo de falar ou pelo formato do meu rosto. Devo dizer que eu gosto muito do formato do meu rosto e não sei o motivo de tanta implicância.

Coisa maluca, viu?

Jack só falta bater nas outras crianças por mim.

Bia e Patrícia também me defendem muito, uma vez elas chegaram a bater em uma garota porque ela falou que eu era muito feia e tinha olhos puxados. Cheguei a falar que não precisavam fazer isso, mas elas disseram que amigas se defendem sempre.

Sou muito grata a Deus por ter uma família abençoada e amigos maravilhosos. Eu sou uma pessoa muito abençoada.

É bom demais ser amada!

Eu não tive o amor da minha mãe biológica, mas tenho o amor da minha mãe Hadi, do meu pai, da tia Lara, do tio Matheson, da minha querida avó Alabar...

Tenho o amor de muita gente e amo cada um deles...

Eu sou muito feliz e sempre espero ser assim.

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