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Capa do romance Irresistível Atração    livro 2

Irresistível Atração livro 2

Helena focava em sua carreira na empresa de Enrico D'Angelo, mas sua vida muda ao se tornar assistente dele. O que era profissional vira algo íntimo quando ela aceita acompanhá-lo ao casamento da mulher que ele amava. Após uma aproximação inesperada, Helena enfrenta um dilema: deve se entregar a essa paixão intensa ou partir? Ela sabe que o coração do chefe pertence a outra, tornando o desejo entre eles um caminho perigoso e incerto.
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Capítulo 2

Helena

_Senhora Annie, tudo o que tem que fazer é dar a ração para o Nemo. _ Expliquei para a minha vizinha de apartamento, uma senhora na casa dos cinquenta e poucos anos. 

Ela e o marido moravam ao lado e, naquele momento, ela era a única pessoa em quem eu poderia confiar de deixar a chave do apartamento para que ela pudesse alimentar o meu peixinho de estimação. 

_Eu deveria ter pedido um peixe para o meu marido como animal de estimação, e não um gato! _ Annie resmungou, me fazendo rir baixinho. _ Aquela bola de pelos só sabe comer e dormir mesmo! Nem mesmo um rato ele pega... 

Me aproximei do aquário novamente, observando o meu peixinho palhaço, igualzinho ao Nemo do desenho. 

_Eu não poderia ter um gato ou cachorro como animais de estimação. _ expliquei. _Passo a maior parte do tempo no trabalho e preciso viajar as vezes. Ter um peixinho é muito mais fácil. 

Sem contar que ele é um ótimo ouvinte! Pensei, observando-o nadar tranquilamente de um lado para o outro, antes de se esconder em sua mini-floresta de anêmonas coloridas. 

Não importa as maluquices que saem da minha boca de vez em quando, ele não é capaz de me julgar. 

Não com palavras, pelo menos! 

_Você precisa tirar um tempo para si mesma, minha querida. _ Annie disse, e eu me afastei do aquário novamente. _Ainda é jovem e tem muito o que viver pela frente, para ficar se matando de tanto trabalhar. Precisa sair, tirar umas férias e viajar... 

_Eu já saí de férias. _ respondi, me lembrando da minha última viagem para a França, um presentinho de Enrico D’Angelo pelo meu trabalho durante tempo que ele tinha ficado fora do país, tentando reconquistar a Emma. 

Não vou negar e dizer que foi um trabalho fácil, mas eu consegui. E aquela viagem foi merecida e... relaxante. E, além disso, pude provar o meu valor para Enrico. 

Annie sorriu, parecendo mais satisfeita agora. 

_Mesmo assim, ainda penso que deveria ir mais devagar. _ ela disse, e nós duas seguimos para fora do apartamento. 

Minha mala já estava no corredor e Enrico já estava a caminho, para nos levar ao aeroporto. 

Já era fim de tarde, o que significaria que chegaríamos bem tarde em Los Angeles, pela diferença de fuso. 

_Precisa arranjar tempo para encontrar um namorado, se casar, ter filhos... _ Annie continuou a falar, enquanto eu trancava a porta e lhe entregava as chaves do apartamento. 

Bem, esse era o momento certo para encerrar aquela conversa! Pensei, fingindo olhar a hora no meu relógio de pulso. 

_Senhora Annie, eu realmente preciso ir. _ eu expliquei. _Ficarei fora apenas durante do final de semana, então, até breve! S senhora tem o meu telefone, caso precise falar comigo, ok? 

Annie não parecia nada satisfeita por ter sido cortada assim, mas se limitou apenas em me desejar uma boa viagem. 

Caminhei rapidamente até o elevador, resmungando: 

_Namorado? Filhos? Nem pensar! _ eu disse a mim mesma, enquanto entrava no elevador e selecionava o botão do térreo. 

Eu podia me ver, daqui a alguns anos, ocupando um cargo importante na empresa de Enrico, ter uma sala com o meu nome na porta. Mas não conseguia ver a mim mesma cuidando de um bebê, lavando e passando o dia todo, criando uma família. 

Isso eu deixaria para a Hanna, minha irmã gêmea. 

Ela daria um genro e netos para o nosso pai e nossos avós paparicarem a vontade. Enquanto isso, eu seguiria com a minha vida, a minha maneira, sem ninguém para me dizer o que fazer. 

As portas do elevador se abriram, me tirando dos meus devaneios, e quando dei um passo para fora acabei batendo de frente com o peito de alguém. 

_Desculpe! _ pedi rapidamente, antes de erguer o meu rosto e me deparar com os olhos dourados de Enrico D’Angelo me encarando de volta, impaciente. _Oh, é você... 

_Por que demorou tanto para descer? _ ele questionou, tirando a alça da mala da minha mão antes de puxá-la para a saída do prédio onde eu morava. 

Suas passadas eram tão largas que tive que me apressar um pouco para conseguir alcançá-lo, enquanto ajeitava meus óculos que acabaram saindo do lugar com o esbarrão. 

_Estava deixando as chaves do apartamento com a minha vizinha. _ respondi. _Não podia viajar e arriscar deixar o Nemo com fome. 

Enrico parou e me encarou por um momento, como se eu fosse louca. 

_Nemo? _ ele questionou, confuso. _Não sabia que possui um animal de estimação. 

Parei também, dando de ombros enquanto respondia: 

_Pois é, eu tenho! _ respondi apenas. 

Então ele voltou a andar, parando diante do seu carro esporte que, com certeza, valia muito mais do que o meu salário do ano inteiro. 

Observei enquanto Enrico abria o porta-malas e guardava minha bagagem lá dentro, antes de voltar a fechá-lo. 

No minuto seguinte ele abria a porta do carro para mim e ficou ali parado, esperando que eu entrasse e tomasse o meu lugar no banco de passageiro. 

Ninguém nunca abriu a porta do carro para mim e, por um momento, eu apenas fiquei ali, encarando o homem a minha frente, completamente surpresa que ainda existisse cavalheirismo no mundo. 

_Não vai entrar? _Enrico perguntou, chamando minha atenção para ele, que estava com uma sobrancelha arqueada. 

_Oh, sim. Me desculpe! _ pedi, ajeitando minha bolsa na frente do corpo para que pudesse me sentar. _Não sabia que ainda existem homens que abrem a porta do carro para uma mulher…  

Enrico deu uma risada curta, sem humor, antes de se inclinar um pouco para olhar para mim e responder: 

_Isso, é porque está acostumada a andar com o tipo “errado” de homem, Helena. _ ele disse, antes de fechar a porta e dar a volta. 

O tipo errado... 

Nesse ponto ele tinha razão... pensei, afastando as lembranças indesejadas da minha mente. 

_Não vai me dizer que o meu caro amigo Julien não abriu a porta para você aquele dia, quando almoçamos juntos na casa da minha mãe e vocês foram embora juntos? 

Ora, ele tinha mesmo que me lembrar daquele dia? Pensei, aborrecida. 

Bufei, irritada, enquanto colocava o cinto de segurança. 

_Não lhe dei oportunidade para fazer isso. _ respondi. 

Dessa vez Enrico riu de verdade, dando a partida no carro antes de se voltar para mim. 

_Nunca vi meu amigo perseguir uma mulher tanto quanto ele a persegue. _ ele comentou, antes de voltar sua atenção novamente para o volante e manobrar o carro para fora do estacionamento. _ Só espero que seja uma mulher inteligente e não caia na conversa dele, Helena. 

Olhei para ele, surpresa com o seu comentário desnecessário, afinal, durante todo o tempo que passávamos juntos, quase sempre Julien me tirava do sério. 

_Não há a mínima chance de algo acontecer entre a gente. _ respondi, encarando-o. 

Enrico parou no sinal e me encarou de volta, sério. 

_Ótimo! _ ele disse apenas. _Só espero que o trânsito esteja tranquilo até o aeroporto. Não podemos perder esse voo. Está tudo certo com as nossas reservas no hotel? 

_Sim. _ respondi rapidamente. _ Recebi a confirmação das reservas e já organizei a sua agenda. Tudo o que for muito importante, Camila mandará por e-mail. Mas, quanto ao meu vestido para o casamento... 

_Eu disse que isso ficaria por minha conta, Helena. _ Enrico respondeu e eu apenas assenti, ficando em silêncio em seguida. 

Ainda teria que arranjar um tempo para arrumar os cabelos e unhas, afinal, não poderia usar um belo vestido com os cabelos amarrados em um coque de vovó, como eu costumava fazer. 

Mas, depois de algum tempo, fiquei me perguntando como ele teria organizado tudo sobre o vestido, se nem ao menos sabia o meu manequim.

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