
Invisível
Capítulo 3
Capítulo 3
A mais linda opção
Belo Vale era uma cidadezinha bonita, bem pequena porém tinha seu comércio. Fomos com Maria do Rosário a igreja e ela insistiu em comprar um rosário para mim. A mãe de Matteo escolheu logo um terço belíssimo de contas de pedra, que custou bem caro, mas como ajudaria a igreja também, Matteo não se importou. Bem, quem se importaria com o dinheiro que ele e sua mãe tinham, em gastar trinta reais em um rosário? Eu agradeci e fiquei muito feliz. Ao saírmos da igreja, ele colocou a mão no meu ombro, como que de costume para encaminhar as pessoas para fora de um recinto. Mas aquele gesto...Ele nunca me tocou na vida. A sensação dos dedos quentes no meu ombro desnudo me provocou um arrepio. Seria bom se ele não tivesse reparado em nada daquilo.
— Onde quer ir agora, mãe?
— Vamos a loja de roupas, quero dar um vestido a Isabela.
— Dona Maria, não precisa!
Eu estava ficando muito ressabiada e sem jeito de aceitar presentes. Só que a única coisa que eu não esperava jamais é que Matteo, andando ao nosso lado, se aproximaria do meu ouvido e diria aquelas palavras.
— Quando ela gosta, procura agradar. Obrigado por ter me alertado que eu fui um idiota com ela...
Aquelas palavras sussurradas ao pé do meu ouvido, repercutiram em todo o meu corpo. Eu pude sentir o hálito do chiclete de menta que ele mascava, quente, tocar em minha pele do pescoço. Era certo que eu ia sofrer. Quando aquele homem não notasse que eu era uma candidata ao seu amor e aparecesse com outra mulher a tira colo, eu ia sofrer. Talvez fosse melhor desistir de tudo e ir embora, desaparecer numa cortina de fumaça tal e qual eu tinha chegado e deixar aquele amor insano de adolescente para trás. O problema é que eu nem era mais adolescente e aquele amor estava tão vivo bem como andando ao meu lado. Como eu iria viver o resto dos meus dias o abandonando e à sua mãe? Como ia viver se praticasse esse ato egoísta de abandono? Não só ele não sairia da minha cabeça como também não ia entender nada. Era melhor tentar. Tentar a todo custo me fazer visível, me fazer adulta, me fazer mulher.
Entramos na loja de roupas e dona Maria escolheu um vestido de alças finas, de comprimento acima do joelho, de cor creme. Eu achei lindo mas não poderia vestir aquilo no trabalho.
— Melhor experimentar minha querida.
Eu olhei para ele de relance. Ele não me olhava, apenas se sentou no banco da pequena loja e pegou o celular. Aquilo me aborreceu. Peguei o vestido da mão dela e entrei em uma das cabines para experimentar. Eu teria que ser mulher, teria que ser visível. Teria que ser muito diferente da garotinha que ele conheceu. Eu precisava ser uma opção aos olhos do homem que ele era. Apertei bem o vestido, suspendi os seios para ficarem marcados no vestido e saí da cabine. Os homens são primeiramente visuais. Era o que eu tinha aprendido. Primeiro reparam em nós e depois querem nos conhecer mais a fundo. Eu precisava mostrar que eu era uma adulta. Dona Maria sorriu ao me ver. Eu tinha um corpo bonito, bem marcado, seios grandes, coxas grossas e uma barriguinha chapada da juventude. Os cabelos estavam soltos em cachos bem dispersos ao longos dos fios. Mexi nos meus cachos negros que desciam até pouco acima dos meus cotovelos. Matteo falava ao telefone e parou quando me viu. Um instante de sincronicidade. Dois ou três segundos decisivos que o fizeram perceber que eu não era mais uma garota e sim uma mulher. E uma mulher linda. Nossos olhos se cruzaram depois que ele atentou para meu corpo naquele vestido mas decidiu virar o olhar e voltar a conversa no celular. Olhei para dona Maria e sorri.
— Eu amei, é lindo!
— Eu achei mesmo a sua cara, não é Matteo? — Ela piscou para mim.
— Sim, mãe, é sim.
Ele tornou a olhar para agradar a mãe mas não voltou a fazer contato visual comigo. Já tinha sido demais por um dia. Ele estava percebendo aos poucos que eu era mulher. Ao sairmos da loja de roupas, ele quis ir até a loja de ferragens comprar algumas coisas. Nós duas ficamos na pracinha. A mãe dele me olhava com um olhar felino atento.
— E então?
— O que?
— Ele olhou?
— Olhou mas não foi aquiiiilo tudo.
— Já é alguma coisa, só quero que ele pare de beber agora. Isso anda aumentando.
Fiquei preocupada.
— Com que frequência?
— Todo fim de semana e as vezes durante a semana.
— Vamos precisar fazer isso parar.
Ela riu e apontou a si mesma.
— Isso agora é com você. Vá até a mãe das águas e peça que ela te dê esse homem.
— Iara? — Fiquei abismada, não sabia que ela acreditava em lendas e sabia que Iara não concedia desejos. — A mãe d'agua não nos dá nada, dona Maria.
— Então peça a Deus...
Ela estava realmente desesperada de medo de morrer e deixar o filho se acabar no álcool e sozinho. Mas eu desconfiava que Matteo era bem mais esperto que isso.
— Já tem outra pedindo. — Sussurrei para ela.
— Como assim?
— Eu ouvi uma conversa ontem a noite, no escritório, ele marcou um encontro com uma mulher. — Baixei a cabeça tristemente.
— Mas não podemos permitir isso! Isabela, nós não vamos deixar isso!
— Vamos fazer o que?
— Eu vou passar mal no dia em que ele for sair.
Nós rimos. Gargalhamos. Ela era astuta e usaria as armas que podia para afastar desconhecidas do filho.
— Ele está vindo. — Eu disse — Trazendo sorvetes.
— Quantos?
Não deu tempo de responder. Matteo trazia três sorvetes, ora ele tinha lembrado que eu existia! No braço também trazia uma sacola de compras da loja. Quando ele se curvou para entregar meu sorvete, este caiu um bocado que já derretia na minha blusa. No seio.
— Meu Deus, me desculpa!
Eu segurei a casquinha do sorvete e ele riu.
— Está tudo bem, Matteo.
Ele se afastou, me observando limpar a blusa com o guardanapo que enrolava a casquinha, sem sucesso. Aquela mancha tinha deixado molhado o meu seio e feito grudar a blusa na minha pele. Quando olhei para ele o flagrei olhando para a forma do meu mamilo sob a blusa. Quase sorri para mim mesma e tratei de começar a tomar o sorvete. Maria do Rosário gargalhava da situação e Matteo gostou de ver a mãe rir.
— Há muitos meses a senhora não se diverte assim, minha mãe.
— Verdade, é que ela está com a blusa manchada bem no peito.
Eu queria rir mas não podia, até que nós duas explodimos em risadas e ele ficou sem entender nada, ali de pé tomando o sorvete. Aquele italiano lindo devia estar achando que a mãe encontrou uma perfeita idiota para rir com ela, tal como minha mãe e ela faziam antigamente. Mal sabia ele que nós estávamos rindo mancomunadas para que ele me notasse.
A volta para casa me deu mais algumas respostas. Ele me olhou pelo retrovisor do carro umas três vezes no trajeto. Eu fingi que não vi duas delas mas ele buscava olhar a blusa discretamente. Mal sabia ele que a minha vontade era tirar tudo com ele e deitar no estábulo, sobre o feno, sentindo seus beijos quentes e gostosos. Mas isso estava apenas nos meus sonhos. Eu precisava traçar um plano para deixar ele louco de desejo e não somente pelo meu corpo, mas também pelo meu intelecto.
Assim que chegamos a casa, levei dona Maria para o quarto. Ela estava bem cansada e queria tirar uma soneca antes do almoço. Eu a ajudei a ir para a cama e fui trocar de blusa. Optei por uma alcinha preta dessa vez. A outra blusa eu levei para a máquina de lavar e foi nesse momento que vi Matteo passar para a sala com um copo de whisky na mão. Estava bebendo. Já que dona Maria estava dormindo, cansada do passeio, decidi ir ver o que Matteo estava fazendo. Quando cheguei à sala, ele estava parado, olhando o piano com uma das mãos sobre ele enquanto a outra mão segurava o copo de whisky. Eu nem tinha reparado que ali existia um piano. Não me lembrava que alguém na casa tocasse piano. Ele me viu e me lançou um sorriso tímido.
— Lembra bem dessa casa?
— Sim, lembro senhor.
Ele apertou os olhos como se tivesse ouvido um palavrão.
— Matteo — Eu sorri e consertei.
— Ah me desculpa pelo que eu fiz...é... com o sorvete.
Ele estava sendo o Matteo que eu conheci novamente. Talvez eu tivesse o pego um dia cheio, talvez estivesse estressado no jantar.
— Tudo bem, não há o que se desculpar, essas coisas acontecem.
Ele ficou um tempo em silêncio e eu achei que deveria me retirar para que ele pudesse aproveitar sua privacidade sozinho. Eu já ia me levantar quando ele me olhou.
— Sabe? Ah... Perdão, você já ia.
— Não! Eu... — Pausei com vergonha — Não ia. Ia, sim mas era para lhe deixar em paz.
— Ah, estou bem, na verdade ia perguntar se acha que devo me livrar desse piano.
Fiz uma expressão de interrogação.
— Era dela, da Claúdia.
— Ahh, da sua esposa...
O que dizer? Ele estava ensaiando deixar seu luto e eu não podia dar uma resposta errada. Se eu desse uma opinião que o influenciasse e depois se arrependesse? Pensei bem.
— Eu acredito que deve fazer isso na hora certa, se o senhor sente que essa é a hora certa... Eu entendo que é difícil.
— Não faz ideia do quanto mas já faz três anos. Eu ouço minha mãe falar todo dia sobre isso, mas...— Ele se sentou no sofá, com aquele copo na mão — Me sinto culpado.
Eu me aproximei e sentei no sofá perto dele mas não tão perto a ponto de sentir vontade de pular no seu colo. Estrategicamente falando, eu sentei de forma a não ficar tão próxima.
— Não é culpado, senhor... Acidentes acontecem, é terrível mas acontecem e precisamos seguir em frente. Onde quer que ela esteja, já está seguindo seu propósito.
— Propósito? Ela não está no colo do senhor?
Oras eu havia me encrencado de novo. Ele era católico enquanto minha família era umbandista. Como falar daquilo para ele?
— Sim, propósito de estar com nosso senhor Jesus.
— Ah sim. Talvez, as vezes duvido das minhas crenças.
Estávamos conversando? Que inacreditável! Eu estava feliz por ele estar se abrindo comigo mas acredito que só estava fazendo aquilo porque eu era muito conhecida.
— As vezes, senhor, é melhor deixar os mortos descansarem. O que acha?
Ele baixou os olhos para o copo.
— Acho que sim. Vou amadurecer essa ideia e quando estiver pronto vou dar esse piano a quem saiba tocar.
Olhei o bonito piano. Era uma peça que para nós, umbandistas, não deveria pertencer aquela casa pois era uma ligação muito forte com o espírito da falecida. Quanto mais ele se agarrasse a imagem dela, mais ele sofreria e mais ela sofreria. Mas como eu ia explicar isso a quem não era da minha religião? Resolvi fazer isso quando fosse o momento certo. O piano me deu arrepios.
Laurinda apareceu na sala na hora certa, antes que eu pudesse dizer algo de que me arrependeria. Vi uma outra empregada aparecer. Eu ainda não a tinha conhecido. Era mais nova, parecia muito com Laurinda.
— Senhor, minha filha já se sente muito melhor. Não é Laura?
De trás de Laurinda saiu a moça, bonita por sinal, aparentando uns trinta e dois anos. Então ela era a faxineira?
— Bom dia, senhor Matteo, ontem eu estava muito indisposta, coisas de mulher.
Ele ergueu as sobrancelhas e deu um sorriso envergonhado imaginando coisas.
— Tudo bem, não vai ser descontada se é por isso que veio me falar.
— Obrigada, senhor. — Ela sorriu para ele e eu conhecia aquele tipo de sorriso e olhar.
Logo em seguida ela me olhou. Uma rival reconhece a outra. Eu não me lembrava dela. Sabia que Laurinda tinha uma filha mas que sempre morou com o pai em Goiás. Aquela sim era uma ameaça, uma péssima rival porque além de bonita, tinha mais de trinta anos e era branca. Eu e minha mania de que Matteo fosse se encantar mais por uma branca do que por mim ou de qualquer maneira fosse se encantar por qualquer outra e não por mim. Ele sequer olhava para os lados. A sua preocupação era com a mãe e com aquele piano da falecida e não em olhar para outras mulheres. De qualquer forma, ela estava de olho nele e era um perigo.
— Podemos almoçar. — Disse Laurinda.
— Vamos?
Ele me olhou, perguntando a mim e naquele momento me senti triunfante sobre ela. A mulher saiu a passos pesados da sala, começando a prender os cabelos no topo da cabeça. Eu pigarreei sorrindo.
Ele foi logo atrás.
— Minha mãe dorme ainda?
— Sim, senhor.
Pobre homem, refém das mulheres daquela casa e de algumas delas bem sedentas, como eu. Ele se sentou primeiro e eu me sentei depois. Mania dos tempos de infância.
Matteo ficou olhando o celular enquanto eu aguardava, ao lado da cabeceira da mesa. Laura, a filha de Laurinda começou a ajudá-la a por os pratos à mesa. Ela me olhou e sorriu com sarcasmo. Cerrei os olhos sem entender nada. Se ela tinha seus objetivos, que trabalhasse por eles mas não ficasse me olhando com aquele olhar de deboche e desafio. Sustentei o meu olhar a desafiando. Ninguém me olhava daquela maneira, eu sabia muito bem me defender e ser maldosa o suficiente com quem era comigo. Matteo atendeu o celular e se levantou da mesa. Laurinda decidiu esperar enquanto ele se afastava para falar animadamente com alguém. Olhei para Laurinda.
— Vamos esperar pelo jeito, não é?
— Não gosta de esperar pelo seu patrão? — Perguntou a tal Laura.
Eu sorri olhando para o lado. Laurinda não entendeu a animosidade da filha e cutucou seu braço.
— Laura, que é isso?
— Tudo bem, Laurinda, eu gosto de esperar sim afinal eu cresci nessa casa e conheço muito bem suas regras. Eram regras do senhor Giovanni a quem eu ...
Matteo voltou a mesa e nos olhou.
— Que tem meu pai?
Ele deu um último gole no whisky e o abandonou sobre a mesa. Os olhos azuis mais lindos do mundo agora nos inquiria, confusos.
— Eu dizia a Laura, que é nova aqui, que eu cresci nessa casa e que sei as regras do senhor Giovanni.
Matteo colocou os cotovelos sobre a mesa, sorrindo amigavelmente.
— Ah sim, eu peguei muito dos modos do meu pai. O que temos hoje?
— Ah senhor Matteo, temos uma galinhada especial.
— Delícia... Preciso almoçar e voltar a trabalhar logo.
Todos almoçamos em silêncio, mas ele olhava o celular muitas vezes. Aquilo me irritava. Enfim, terminei e sendo a primeira, logo me levantei e fui deixar meu prato sobre a pia.
— Não! Deixe aqui. — Disse Laurinda me advertindo para voltar a mesa pois ele não tinha terminado.
Aquela subserviência estava começando a me sufocar. Eu era acostumada a fazer tudo por mim mesma e trabalhar sozinha. A cidade fazia isso por nós. Esperar Matteo terminar era educado e subserviente porém nada prático. Ele demorou a terminar por ficar respondendo pessoas ao celular e eu precisava ir ver sua mãe. Então decidi pedir licença.
— Licença, senhor, preciso ver sua mãe.
— Claro!
Levantei e agradeci a Laurinda.
— Estava uma delícia minha amiga. Você sempre arrasa nos seus pratos.
Ela apenas sorriu, orgulhosa.
Fui para o quarto de dona Maria e ao entrar ela ainda dormia. Devia estar morta de cansaço a pobrezinha. Só que era hora de um remédio e ela devia almoçar. Eu toquei em seu braço com calma e ela piscou os olhos várias vezes me olhando.
— Isabela? Quanto tempo dormi?
— Umas duas horas, mas não importa, a senhora estava cansada. Vamos almoçar e tomar seu remedinho? Primeiro o remédio da pressão que já passou da hora.
Ela tentou puxar o corpo para cima e tentou se sentar mas não conseguia. Minhas costas ficariam acabadas de puxá-la sempre. Aquela era uma conversa que eu teria que ter com Matteo, sobre uma cuidadora, eu não ia aguentar muito tempo sendo cuidadora e enfermeira. Por fim, levei o almoço até o quarto já que ela estava cansada e ela manifestou o desejo de continuar almoçando e jantando em seu quarto. Eu era contra mas não podia contrariar suas ordens. Quando já descansávamos do almoço, resolvi perguntar.
— A Laura também gosta dele?
Dona Maria, que estava usando óculos para ler um livro, retirou os óculos e me olhou com fúria.
— O que ela fez agora?
— Ela fez alguma coisa?
Remexi-me na cadeira, incomodada.
— Ela se esfrega na cara do meu Matteo essa ordinária.
— Como assim?
Ajeitei meu corpo, chegando mais para perto dela, com um ciúme inexplicável de intenso.
— Ela veio para cá, perto da mãe, quando o noivado lá em Goiás terminou. Eu... — Falou mais baixo — Ouvi algo delas sobre um aborto. Então ela veio para cá tem uns seis meses e anda se engraçando para cima do meu filho.
Eu tinha que ser complacente e até chamar dona Maria a razão.
— Mas só porque ela teve um noivado e um aborto? Qualquer mulher pode ter essa falta de sorte.
Ela sorriu para mim.
— Ainda tão inocente, Isabela... Você nunca vê a maldade nas pessoas?
— Vejo e vi nela mas não vi uma maldade assim, eu só notei que ela olha diferente para Matteo.
— Ela não olha só diferente para Matteo, ela olha diferente para todo mundo. — Ela se arvorou.
— Sshhhh...
— Está bem, está bem.
— Eu não gostei dela, ela fala comigo com deboche. Eu odeio deboche.
— Se reparar bem, ela usa saias mais curtas, decotes maiores, cabelos soltos, ela usa todas as armas para que ele repare nela.
— Mas ele não repara. — Eu sorri.
— Mas pode começar. Cuidado com ela, é do tipo sonsa.
— Eu notei. Se ele se interessar por uma mulher dessas, eu nem ia saber mais quem é o Matteo porque ela é muito vulgar. Sabe, não é sobre ex-noivo ou aborto mas é a respeito de como ela se porta com a gente.
— E você vai esperar que ela tome seu lugar? Vamos agir!
Eu comecei a rir da cara de dona Maria. Estava sempre querendo armar confusões. Ela e minha mãe devem ter armado muitas confusões quando mais novas porque o senhor Giovanni também era de aprontar. Ela riu. Matteo entrou no quarto e paramos.
— Eu estava passando para pegar um café, do que tanto vocês duas estão rindo?
Ele sorria aquele lindo sorriso dos Ricci. Estava parado com as mãos na cintura e nos olhava curioso.
— A gente estava pensando como seria bom dar uma festa de rodeio!
Olhei para ela com cara de horrorizada e caí na gargalhada. Matteo começou a rir junto, sem entender nada.
— Uma festa? Eu?
— Meu filho, seu aniversário está chegando, até quando vai ficar sem receber os amigos, só preso no passado?
Ele baixou a cabeça e eu fiquei séria. Aquilo deve ter mexido com ele. Se já faziam três anos, sua mãe estava certa.
— Eu trabalho muito, mãe.
— Meu filho, uma festa de aniversário pode reunir até parceiros, negociadores, é uma forma de mostrar a qualidade da nossa fazenda e do nosso gado.
De onde ela tirava tanta criatividade de repente? Ela não lia aqueles livros, ela devia ficar disfarçando e matutando que coisas mirabolantes ia inventar para arrumar uma esposa para o filho.
Ele ficou um tempo pensando.
Eu o observava de cima a baixo. Era minha oportunidade de reparar em seu belo rosto e corpo sem que ele conseguisse reparar. Mas ele me pegou. Ao me olhar de repente, Matteo me pegou correndo os olhos por seu corpo.
— Acha a mesma coisa, Isabela?
Eu olhei para dona Maria com ar cúmplice. Ela sabia o que estava passando pela minha cabeça. Ele estava me consultando. Isso era muito positivo e me dava um frio no estomago.
— Eu acho uma ótima ideia, comemorar aniversário é sempre uma ótima ideia.
— Então vou pensar sobre isso... Vou buscar meu café.
Ele saiu e nós duas nos entreolhamos rindo.
— Seja a mais linda opção nessa festa, minha querida.
Nós gargalhamos de novo.
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