Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Inocente demais para mim!

Inocente demais para mim!

Ivie Collins viveu anos isolada em um internato após a perda trágica de seus pais. Ao retornar, ela se vê sob a tutela de Rowan Sloane, um homem gélido e controlado que nunca viu antes. Apesar da diferença de idade e do passado sombrio de Rowan, uma obsessão perigosa nasce no primeiro encontro. Ele tenta resistir à vitalidade dela, mas o desejo pela protegida ameaça sua sanidade. Seria Ivie tão ingênua quanto aparenta ou Rowan sucumbirá ao proibido?
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 1

Ivie:

O mundo virou de cabeça para baixo quando o carro começou a capotar sobre o asfalto. Uma, duas, três vezes, ou talvez mais, eu já não conseguia contar.

O cinto de segurança esmagava meu peito enquanto o vidro estilhaçava ao redor, espalhando fragmentos brilhantes pelo carro. Tentei gritar, mas nenhum som saiu da minha garganta.

Alguma coisa quente escorreu pela minha testa, entrando nos meus olhos.

Hora ou outra eu estava de ponta cabeça, enquanto o carro era arremessado sobre o asfalto para longe.

Quando tornei a abrir meus olhos, o cheiro de sangue e gasolina impregnava todo o carro.

Mamãe estava caída sobre mim, os cabelos dela cobriam meu rosto.

O peso do corpo dela me esmagava contra o banco.

Ela não se mexia. Tentei levantar a mão para tocar o seu rosto, mas meu braço parecia pesado demais. Uma mecha do cabelo dela estava grudada na minha bochecha, úmida de sangue.

- Mamãe... Papai? - os chamei, mas não houve nenhuma resposta - Mamãe, acorda mamãe...

- Tem sobreviventes? - ouvi ao longe a voz de um homem.

- Tem uma garotinha! - o outro respondeu - Mas parece que o carro vai explodir. Rápido, me ajude aqui!

O cheiro de gasolina queimava o meu nariz.

Alguma coisa pingava no meu rosto.

Sangue.

Eu não sabia se era meu.

As vozes dos dois pareciam distantes, e a imagem era borrada, como se fossem vultos.

No instante seguinte, senti alguém me tirar para fora do carro.

- Está tudo bem! - o ouvi dizer - Vai ficar tudo bem agora.

Então o mundo explodiu.

O barulho rasgou meus ouvidos.

E eu acordei gritando, completamente suada e chamando pelos meus pais.

- Tudo bem... Tudo bem! - Mary segurou firme a minha mão - Foi só um pesadelo.

Me sentei abruptamente sobre a cama, secando o suor da minha testa com o dorso da mão.

- Você teve aquele mesmo sonho novamente? - Mary perguntou.

- Eu sempre tenho esse mesmo sonho quando esta época do ano se aproxima. - comentei.

Minhas mãos ainda tremiam.

Passei os dedos pela garganta.

Ela ainda ardia.

Como se eu ainda estivesse respirando fumaça.

- E isso me lembra que... - Mary retirou um esqueiro do bolso da camisola de algodão e o acendeu, começando a cantarolar baixinho - Parabéns para você, nesta data querida, muitas felicidades...

- Chega! - sorri da cara que ela fazia enquanto cantava, e então, assoprei a chama do esqueiro, a apagando.

- Agora ambas já temos dezoito! - ela me lembrou

Dezoito.

A palavra ficou suspensa no ar.

Liberdade para ela.

Uma pergunta para mim.

Depois de sermos esquecidas nesse lugar pavoroso, finalmente em pouco tempo estaremos livres desse inferno?

- Você está certa! - concordei. Já fazia tanto tempo que eu até já havia me esquecido de que aos dezoito as meninas eram mandadas de volta para suas famílias - Eu me esqueci disso.

- Será que o seu tutor vai te buscar e te levar de volta para Massachusetts? - ela perguntou curiosa - Será que você vai para a casa dos seus pais?

- Não sei dizer! - soltei um longo suspiro - Ele só me jogou aqui e foi embora. Que bom amigo esse dos meus pais.

- Pelo menos agora vamos poder ver o mundo e curtir bastante a vida! - ela sorriu animada.

- Finalmente! - concordei - Agora, vamos dormir. Se as freiras nos pegarem acordadas, elas vão nos colocar de castigo por uma semana inteira.

Harold Sloane.

O nome ainda tinha gosto amargo na minha boca.

O melhor amigo dos meus pais.

O homem que me deixou aqui.

Na manhã de vinte e três de dezembro, um mês depois do meu aniversário de dezoito anos, tudo estava frio e tedioso.

Apesar da neve, estava bem diferente da minha casa no Natal.

Os pais da Mary já haviam levado ela embora há quase três semanas, mas eu ainda permanecia ali. Tendo quase a certeza de que aquele homem se esqueceu totalmente de mim.

O quarto parecia grande e silencioso demais sem ela.

Mary sempre dizia que quando saíssemos daqui o mundo seria nosso.

Agora ela já estava no mundo.

E eu ainda estava presa aqui.

Era estranho perceber que a única pessoa que sabia tudo sobre mim... tinha ido embora.

- Collins! - a irmã Agnes chamou pelo meu nome quando eu observava a neve cair - A madre chamou você!

Meu estômago afundou.

Castigo.

Foi a primeira palavra que veio à minha cabeça.

Acenei com a cabeça e segui para o escritório da diretora.

A madre tinha uma péssima fama de ser rígida e cruel quando contrariada, e eu sabia bem que era verdade, afinal, já havia sofrido alguns dos castigos dela. O que me deixava um pouco apreensiva, já que tinha medo de outro castigo, mesmo não tendo feito nada de errado.

Bati de leve na porta e aguardei até que ela liberasse a minha entrada.

- Entre!

Uni as duas mãos de forma nervosa, respirei fundo antes de empurrar a porta.

- Diretora, mandou me chamar?

- Ivie Collins! - um homem já bem velho se levantou e caminhou em minha direção - Se lembra de mim?

Observei o rosto dele, com rugas profundas.

Os olhos frios.

Eu lembrava daquele olhar.

Foi o mesmo que vi no dia em que ele me deixou aqui.

- Harold Sloane veio te buscar.

Meu coração disparou.

Finalmente.

Liberdade.

Mas quando ele se aproximou, segurou meu queixo e me observou como se estivesse avaliando um objeto.

- Cresceu bastante - murmurou.

Um arrepio percorreu a minha espinha.

Eu não sabia por quê.

Mas, pela primeira vez em seis anos...

Eu tive medo de sair daquele internato.

Você pode gostar

Capa do romance A Fúria da Rejeição: O Retorno de Uma Esposa
9.5
Após cinco anos de devoção, fui trocada pela 99ª vez. Dante Monteiro me humilhou ao lado de seu antigo amor, enquanto sua mãe assistia à morte do meu pai com desprezo. Fui tratada como lixo, ignorada em minha dor e agredida por quem salvei no passado. Ele não sabe que sacrifiquei minha própria pele por ele, mas agora o tempo da submissão acabou. Chamei meu irmão, o CEO do Grupo Moraes, para retomar meu lugar. Dante pagará caro por cada lágrima e perda.
Capa do romance A Mulher Que Virou o Jogo
9.2
Durante dez anos, Maria Antônia viveu como uma simples pescadora por amor a Pedro Henrique. No entanto, ao flagrar o marido beijando sua melhor amiga na cidade, ela descobre que sua vida humilde era uma farsa arquitetada por ele. A dor da traição logo se transforma em um desejo implacável de vingança. Disposta a retomar sua carreira como bióloga marinha, ela decide destruir as mentiras de Pedro e recuperar o sucesso que abandonou no passado.
Capa do romance Arrependimento do magnata: o amor que desprezei
7.9
Nyla acreditava ser única para Ethan após dois anos, mas descobriu que era apenas um passatempo descartável. Enquanto ela o via como um homem cruel, ele a rotulava como mentirosa. O fim chegou quando Nyla o encontrou com o seu verdadeiro amor em uma clínica de gestantes. Com o coração partido, ela decidiu partir, mas o bilionário arrogante agora implora por perdão. Por que o desprezo dele se transformou em um desejo desesperado de não perdê-la?
Capa do romance Com o destino nas próprias mãos
8.1
Expulsa pelos Marsh após o retorno da filha biológica, Eleanor deve pagar uma fortuna em pensão. Ao reencontrar sua família de origem, ela usa suas identidades secretas para transformar a vida dos irmãos: presenteia o mais velho com um império, recupera a fama do ator e protege as artes do designer. Enquanto a invejosa Camila tenta sabotá-la, Eleanor, agora bilionária, foca em um novo dilema: como escapar das investidas de um perigoso e obsessivo chefe da máfia?
Capa do romance *Desejo ou amor?*
8.0
Dois estranhos se veem em um impasse emocional onde a eletricidade mútua oscila entre a luxúria e o afeto real. Ao mergulharem nessa conexão inédita, eles enfrentam a vulnerabilidade de descobrir se o que sentem é apenas fogo passageiro ou um laço duradouro. Entre descobertas e introspecções, a jornada revela surpresas que testam seus corações. Resta saber se essa atração intensa evoluirá para um compromisso profundo ou se perderá como uma simples memória.
Capa do romance Entre a Dor e a Luta: O Renascer de Sofia
8.8
No hospital, Sofia vê a filha Bia partir enquanto o marido, Pedro, recusa-se a comparecer, priorizando uma febre leve do outro filho, Léo. Sob a frieza de Pedro e o desprezo da sogra, Sofia enfrenta o luto sozinha. Em casa, a apatia deles se transforma em manipulação e traição, com falsas acusações de instabilidade mental para afastá-la de Léo. Diante desse cenário cruel, Sofia decide romper com as mentiras e lutar por justiça, por sua sanidade e por seus filhos.