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Capa do romance Infinito

Infinito

Isabelle Daskov, de 19 anos, fugiu do peso de ser a filha do Alfa Supremo para buscar normalidade em Bronvill. Longe da elite dos lobisomens e do irmão rival, Jason, ela tentou construir sua própria história. Contudo, após um ano de liberdade, a imposição de sua mãe, a fria governante atual, obriga Isa a retornar ao ninho da alcatéia. Entre conflitos familiares e seu temperamento obstinado, ela descobrirá uma paixão avassaladora capaz de transformar sua alma.
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Capítulo 3

Acordo novamente em um ambiente desconhecido, e para a minha "sorte" pelo menos eu não estou em um carro balançando pra lá e pra cá, com dois idiotas dirigindo.

Não entendo essa mania de sequestro, um SMS iria resolver tudo. Tudo bem que eu me livraria do celular e do chip depois, mas mesmo assim... rs.

-que bom que acordou- Jason suspira se levantando de uma poltrona que ficava de frente para a cama em que eu estava deitada.

Aparentemente, este é o meu antigo quarto, e aparentemente não havia nenhuma mudança. Era o único lugar onde podia me expressar sem a interferência da minha mãe. Havia uma estante de livros, que ficava ao lado de uma mesinha para estudos, a lareira com umas poltronas em volta, a porta para o banheiro e closet. Minha decoração se caracterizava em alguns pôsteres colados atrás da porta e alguns quadros e fotos. Na verdade, eu amava esse lugar, porque eu olhava pra ele e via a mim mesma, não a garota que eu tinha que ser.

-vai se ferrar- falo seca  passando a mão pela minha cabeça, que latejava sem parar.

- tome isso, para a sua dor de cabeça- ele joga uma cartela de comprimidos em mim.

- eu não vou tomar nada que você me der. Não confio em você- observo seus movimentos.

- em breve você descobrirá em quem deve realmente depositar sua desconfiança- ele responde sério antes de sair e bater a porta do quarto.

- seu idiota!- grito jogando a cartela de remédio, que acaba batendo na porta.

Ok... eu preciso de um plano.

Tento me levantar o mais rápido possível, mas acabo tendo que me apoiar nas paredes. Acho que o sonífero que Jason usou em mim foi mais forte que a agulhada que recebi no primeiro sequestro, se não, não estaria tão grogue. Jason deve ter ficado com o rabo entre as pernas com a possibilidade de eu acordar enquanto estivesse voltando pra esse lugar.

Covarde.

Poucos minutos depois, uma garota que parecia ter uns 28 anos, entra no quarto. Infelizmente, não havia escapatória, se eu pulasse pela sacada, se a queda não me matasse, certamente eu seria pega pelos guardas, que ao contrário dos cabeças de bagre do antigo sequestro, são violentos quanto a fugitivos, mesmo sendo da família governante.

O mundo sobrenatural pode ter muitas coisas belas e extraordinárias, até mesmo a nossa raça. Mas somos famosos pela força bruta e inteligência para comandar. Eu não ousaria desafiar um oficial, apenas armada com minhas garras.

-boa noite, senhora. A família Daskov pede que se junte a eles no jantar em 20 minutos- ela diz de cabeça baixa.

- e suponho que você esteja aqui para me ajudar a ficar apresentável para os queridinhos Daskov, estou certa?- pergunto de braços cruzados.

Admito que tem até um pouco de graça nesta situação. Boa parte das famílias mais ricas dos lobisomens, não deve nem amarrar os próprios cadarços sozinhos.

-sim, senhora- ela diz serena.

- esta tudo bem, eu posso fazer sozinha. Pode voltar para os seus afazeres, tenho certeza de que tem mais a fazer do que ajudar uma adulta a realizar tarefas simples, como tomar banho- dou uma risada simpática.

- como quiser, senhora- ela ri timidamente.

(...)

Depois de um longo banho, sem a menor preocupação com o tempo, eu começo a me arrumar. Céus, Ana deve estar muito preocupada comigo... o imbecil do Jason levou meu celular, ou seja, eu não poderia mandar nenhuma mensagem pra ela.

Isso parece mais um assalto. Espera... eles levaram o meu relógio também?!.

Quando abro o guarda roupa, chego a ficar sem ar pela quantidade de roupas cor de rosa que vejo. Procuro no meio daquilo tudo, algo que seja vinho ou até mesmo branco. Coloco um vestido preto de mangas compridas que ia até o meio das minhas coxas, junto com uma meia calça e sapatos de saltos pequenos. Uma das vantagens de ser loba, é que o frio que sentimos no inverno é consideravelmente mais ameno, do que as outras espécies. Depois de pentear meus cabelos, e colocar o mínimo de maquiagem, saio do quarto.

Enquanto ando lentamente pelos corredores, lembranças começam a tomar minha mente, uma atrás da outra. Lembranças da minha infância, da minha mãe brigando comigo por correr, falar ou sentar sem cruzar as pernas, lembranças do meu pai. Por um momento, sua risada vem em minha mente.

Parada na frente da porta da sala de jantar, busco dentro de mim forças para parecer o mais firme possível na frente da minha família. Eu precisava ser forte, isso não era uma opção.

- a senhora está bem?- pergunta um segurança que eu nem tinha visto atrás de mim.

Balanço minha cabeça em sinal de positivo, e abro as portas. Não demorou muito para que os olhares se voltassem para mim, e com isso, eu quero dizer os olhares de Jason e de minha mãe.

Minha mãe é o que as pessoas podem chamar de "dama". E mesmo com o seu jeito perfeccionista, confesso que senti um pouco sua falta. Nós não tínhamos uma relação de melhores amigas, porque eu nunca me identifiquei com algumas coisas, e ela não é do tipo que gosta de ser contrariada. Por isso dei tanta falta do meu pai após sua morte, ele me entendia, ele sabia quem eu era, cada pedacinho de mim.

-Isabelle - minha mãe pronúncia meu nome quase em um sussurro.

Ela levanta e corre ao meu encontro, me abraçando com as duas mãos. Coloco meus braços ao seu redor para retribuir.

- estou muito satisfeita que esteja aqui- ela toca em meu rosto, como se estivesse me analisando.

Já já vem uma crítica.

- não é como se eu tivesse tido opção- digo aborrecida.

Ok, se controla, se controla. Ela é a sua mãe, pense nisso... se controla porra!

- ora Jason! Eu pedi para ser delicado- ela se volta para meu irmão, que se encontrava muito bem acomodado bebendo seu whisky.

- não é como se ela facilitasse as coisas- ele diz se servindo mais.

- vai a merda, Jason!- rosno.

- parem vocês dois!- minha mãe nos interrompe- vamos jantar em família, e depois conversar.

Vamos nos aproximando da mesa, e assumimos os nossos devidos lugares.

(...)

- e então Isabelle, soube que é fotógrafa- minha mãe quebra o gelo.

- como sabe disso?- pergunto parando de cortar a carne em meu prato.

- achou mesmo que não sabíamos onde estava, e o que fazia esse tempo todo?- Jason ri irônico.

- foi bom esquecer de que você existia- rebato.

- mas e então, você gosta do seu trabalho?- minha mãe coça a garganta.

- o que realmente eu estou fazendo aqui de novo?- pergunto impaciente largando os talheres sobe a mesa.

- esta aqui porque sua aventura de garota revoltada acabou!- Jason bate na mesa- acha que pode abandonar sua família e sua alcatéia? Você tem deveres a cumprir!.

- não tenho deveres nenhum aqui! Quando não estava trancada dentro desses muros, era obrigada a ir em jantares e reuniões onde minha presença não era nem requisitada! Eu não vou me privar de viver, só porque você quer manter a postura de boa família! Eu me recuso a viver no cativeiro que vocês me aprisionaram por longos 18 anos!- vocifero- você não tem esse direito- falo entre dentes.

- como pode ser tão egoísta, Isabelle?- minha mãe me repreende.

- eu?! Eu sou egoísta?!- me exalto- você nunca se dignou a me perguntar, me perguntar de verdade como eu estava, como eu me sentia! Só sabia falar o quanto eu deveria ser igual ao Jason e que deveria manter uma postura impecável!. Você queria que eu fosse um robô, não sua filha!- completo sentindo cada pedacinho da minha alma se descolar do meu corpo.

Eu acho que depois que a gente se acostuma com a paz, quando vem a confusão de novo, nós sentimos a serenidade que habitava na gente ir embora de novo, e nossos corpos serem consumidos por toda energia negativa. Eu não estava preparada pra isso, eu não quero nada disso!

- papai queria que ficássemos juntos! Ele queria você aqui!- Jason aponta o dedo no meu rosto.

- papai queria que fôssemos felizes! E vocês nunca deixaram que eu fosse por muito tempo!. Como estão fazendo de novo agora!- falo entre lágrimas.

- Jason! Isabelle!- minha mãe bate na mesa, fazendo uma grande rachadura em seu meio.

- o que foi que vocês sofreram com a minha ausência?- digo secando as lágrimas- tendo que mostrar para todos que os Daskov não são tão impecáveis afinal? É isso?. Sabe... a única coisa que nos mantia juntos era o papai, e no fundo... vocês sabem disso- completo com a voz rouca.

- se você se sentia presa, era só ter falado. Isso tudo podia ser evitado- minha mãe diz calma.

Como se eu já não tivesse tentando conversar com você...

- não, vocês não iam fazer nada. Talvez seja vida pra outras garotas ir a festas, chás e reuniões frequentes para manter uma boa imagem. Mas pra mim não é. Eu só pude ir a um cinema, ou a um shopping esse ano, acredita?. Pude trabalhar e estudar para algo que eu realmente gosto, pude fazer amigos de verdade, não interesseiros que só se aproximavam para cair nas suas graças- digo séria olhando no fundo dos olhos dos dois.

- Isabelle, assim que você fugiu, soubemos de exatamente tudo que você fez ou deixou de fazer. Mas agora é hora de voltar para casa, e ficar. Você já é uma adulta, então comporte-se como uma- minha mãe diz séria.

- está na hora de assumir seu lugar na alcatéia, e talvez você não goste dele, talvez seja muito infeliz, mas não vai fugir de novo. As vezes, as coisas nem sempre são como nós queremos, e você não tem o direito de escolha aqui- Jason diz frio.

- eu quero mais que uma vida só de manter uma imagem. Eu quero viajar, estudar para alguma profissão, quero viver!. Por favor não me privem disso- digo quase suplicando.

- nós não nascemos com esse direito- Jason diz fazendo sinal para dois guardas, que logo agarram meus braços.

- certifiquem-se de que ela não vai fugir de novo- minha mãe fala com pesar, antes das portas se fecharem atrás de mim.

E mais uma vez... o inferno continua.

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