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Capa do romance Horizontes Entrelaçados

Horizontes Entrelaçados

Elena Soler é uma arquiteta de prestígio que, aos 32 anos, destaca-se por sua visão inovadora em grandes projetos urbanos. Seu talento excepcional atrai a atenção de Sebastián Leduc, o poderoso CEO da Leduc Enterprises. Ele a recruta para liderar a criação da 'Eterna', uma cidade autossustentável revolucionária. Este projeto representa o maior desafio da carreira de Elena e a aposta mais ambiciosa da corporação de Sebastián no mercado imobiliário moderno.
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Capítulo 3

Na manhã seguinte, o céu estava límpido, como se a tempestade da noite anterior nunca tivesse acontecido. Porém, na mente de Elena, os ecos do que havia ocorrido com Sebastián Leduc ainda ressoavam. Ela revisitou cada palavra, cada olhar, cada segundo daquela intensa conversa no escritório. Sabia que ele era perigoso, sabia que deveria manter distância, mas algo nele a atraía de uma forma inexplicável.

Elena chegou cedo ao canteiro de obras do Eterna. O barulho das máquinas e o ritmo constante dos trabalhadores eram uma espécie de refúgio. Ali não havia espaço para pensamentos complicados nem emoções contraditórias; tudo se resumia a cálculos, design e execução. Era o seu lugar seguro.

- Soler, alguém está te procurando no escritório temporário - gritou um dos supervisores do outro lado do terreno.

Elena franziu o cenho. Não estava esperando visitas. Caminhou até a pequena estrutura improvisada que servia como escritório para arquitetos e engenheiros. Dentro, encontrou um homem vestindo um terno escuro, com uma pasta na mão e um sorriso polido demais.

- Senhorita Soler, um prazer conhecê-la. Sou Mateo Vargas, representante da Arcadia Developments - disse ele, estendendo a mão.

Elena apertou sua mão com desconfiança.

- Arcadia... A concorrente direta da Leduc Enterprises? - perguntou, sem esconder o ceticismo.

Mateo sorriu, como se estivesse acostumado àquela reação.

- Exatamente. E, se me permite dizer, temos acompanhado de perto o seu trabalho. É impressionante, de verdade. Sua visão arquitetônica é única, e acreditamos que seria um ativo inestimável para nossos projetos futuros.

Elena cruzou os braços, apoiando-se na borda da mesa.

- Isso é uma oferta de trabalho? Porque, se for, está perdendo seu tempo. Estou comprometida com o Eterna.

Mateo inclinou levemente a cabeça, como se já esperasse aquela resposta.

- Entendo sua lealdade, mas gostaria que considerasse isso: a Arcadia está disposta a oferecer o dobro do seu salário atual, além de um cargo de liderança em nossa equipe de design. Você poderia liderar projetos que mudariam o panorama urbano do país. É uma oportunidade única.

Elena sentiu um nó se formar em seu estômago. A oferta era tentadora, sem dúvida. Mas sabia que não era apenas o talento dela que a Arcadia queria. Havia algo mais por trás daquele sorriso perfeito.

- Por que agora? - perguntou, estreitando os olhos. - Por que estão tão interessados em mim de repente?

Mateo soltou uma breve risada.

- É uma combinação de fatores. Seu talento, é claro, mas também seu papel no Eterna. Sabemos que você é uma das figuras-chave nesse projeto. Tê-la conosco seria um golpe estratégico para nossa empresa.

- E se eu disser que não? - Elena arqueou uma sobrancelha, desafiando-o.

Mateo ajustou a gravata, sua expressão se tornando ligeiramente mais séria.

- Então, teria que lembrá-la de que decisões têm consequências. Ouvi rumores, senhorita Soler. Rumores sobre sua relação com Sebastián Leduc.

O ar pareceu escapar dos pulmões de Elena. Seu olhar endureceu.

- Não sei do que está falando.

- Não sabe? - Mateo sorriu novamente, mas desta vez seu tom era mais cortante. - Digamos que seria uma pena se esses rumores chegassem aos ouvidos errados. Sebastián Leduc não é conhecido por sua paciência com escândalos. E você... bem, sua reputação poderia ser comprometida.

Elena apertou os punhos, mas forçou-se a manter a calma.

- Está me ameaçando?

- De forma alguma - respondeu Mateo, fingindo surpresa. - Apenas apresentando opções. Você pode vir conosco e evitar qualquer... complicação futura. Ou pode ficar aqui e lidar com as consequências.

Elena o encarou, avaliando cada palavra, cada gesto. Finalmente, deu um passo à frente.

- Diga a quem o enviou que eu não sou alguém fácil de intimidar. E que, se tentarem algo, serão eles que enfrentarão as consequências.

Mateo piscou, claramente surpreendido pela resposta. Depois, com um leve encolher de ombros, fechou a pasta.

- Como quiser, senhorita Soler. Mas lembre-se: as portas da Arcadia estarão sempre abertas para você.

Com isso, saiu do escritório, deixando-a sozinha com um milhão de pensamentos girando em sua cabeça. Ela sabia que não podia ignorar aquela ameaça. Se alguém começasse a investigar demais, poderia descobrir o que havia acontecido entre ela e Sebastián. Embora, tecnicamente, nada tivesse acontecido. Ainda.

Mais tarde naquele dia, Sebastián a convocou para uma reunião em seu escritório. Quando Elena entrou, o encontrou revisando documentos, sua expressão tão severa como sempre. Mas algo em seus olhos mudou ao vê-la. Era quase imperceptível, um lampejo de algo que poderia ser preocupação.

- Como estão os ajustes da ponte? - perguntou sem levantar os olhos dos papéis.

- Prontos e entregues - respondeu Elena, mantendo o tom profissional.

Sebastián assentiu, mas não disse mais nada. O silêncio se prolongou, carregado de uma tensão palpável. Finalmente, Elena decidiu falar.

- Hoje recebi uma visita da Arcadia Developments.

Isso chamou sua atenção. Sebastián levantou o olhar, seus olhos cravando-se nos dela.

- Arcadia? O que queriam?

- Tentaram me recrutar. Com uma oferta bem generosa, devo dizer.

Sebastián franziu o cenho, seus lábios se comprimindo em uma linha fina.

- Você aceitou? - perguntou, embora seu tom deixasse claro que não esperava essa resposta.

Elena soltou uma breve risada.

- Não. Disse que não estou interessada. Mas não se tratava apenas de uma oferta de trabalho. Eles me ameaçaram.

Sebastián se levantou da cadeira, seus olhos se escurecendo.

- Ameaçaram você? Como?

- Mencionaram rumores... sobre nós.

Um silêncio pesado caiu entre eles. Sebastián cruzou a sala até ficar diante dela, a mandíbula tensa.

- Não vou permitir que ninguém a use como arma contra mim. Se a Arcadia tentar algo mais, eu saberei e os impedirei.

Elena o olhou, surpresa pela intensidade em sua voz. Havia algo profundamente protetor em sua postura, algo que fez seu coração acelerar.

- Sebastián, isso não é só sobre você. Está em jogo minha reputação, minha carreira. Se esses rumores vierem à tona, eu não sairei ilesa.

- Então, não vamos deixar que venham à tona - disse com firmeza. - E, se vierem, me certificarei de que você não sofra as consequências.

Elena balançou a cabeça, dando um passo para trás.

- Isso é exatamente o que eu queria evitar. Esse tipo de complicação. Nunca deveríamos...

- Nunca deveríamos o quê? - interrompeu Sebastián, avançando um passo. - Sentir algo? Nos importarmos um com o outro? Fingir que nada está acontecendo?

- Exato. Porque isso só vai nos machucar.

Sebastián a encarou em silêncio, sua respiração pesada. Finalmente, falou, sua voz mais suave.

- Não posso prometer que será fácil, Elena. Mas também não posso fingir que você não me importa. Porque você importa mais do que deveria.

Elena fechou os olhos, lutando contra as emoções que ameaçavam transbordar. Queria acreditar nele, queria confiar, mas o peso da realidade era grande demais.

- Não sei se isso vale a pena, Sebastián. Não sei se podemos vencer essa batalha.

Ele levantou uma mão, acariciando suavemente sua bochecha.

- Deixe-me mostrar que podemos.

Por um momento, Elena permitiu que sua guarda baixasse, inclinando-se levemente ao toque dele. Mas, então, com um esforço titânico, deu um passo para trás.

- Não aqui. Não agora.

Sebastián assentiu, seu olhar cheio de uma mistura de tristeza e determinação.

- Tudo bem. Mas isso não acabou.

Elena saiu do escritório, sentindo-se ainda mais sobrecarregada. Enquanto caminhava em direção ao elevador, não podia deixar de se perguntar quanto tempo mais poderiam continuar nessa perigosa dança antes que tudo desmoronasse.

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