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Capa do romance Herederos Alfas

Herederos Alfas

Sob uma lua de sangue, o Clã Lua Vermelha ruiu em chamas e traição. Anos após o sumiço da última herdeira, o Alfa do Clã Estrela Sombria governa com soberania absoluta. Porém, o destino ressurge quando ela retorna sem memórias, mas com uma marca proibida latente. O Alfa a reconhece instantaneamente pelo toque e instinto. Unidos por um poder ancestral e condenados pelo passado, eles enfrentarão guerras e segredos para cumprir o que a lua decretou.
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Capítulo 3

ASTERVAN

O vidro da sala de reuniões reflete minha imagem:

terno impecável, postura dominante, controle absoluto.

Isso é o que eu sou. Sempre fui.

Mas desde esta manhã... algo falhou.

Em frente à porta do conselho, minha mão se fecha em um punho.

Eu me lembro.

Aquela mulher.

O cheiro dela ainda está preso na minha respiração, no meu sangue... no meu instinto.

Ela não pode ser humana.

Empurro a porta.

Meus olhos a encontram no mesmo instante.

Ela está sentada na cabeceira da mesa, como uma rainha em seu trono de mármore branco.

Cabelo avermelhado preso em um rabo elegante, pele que parece ter a própria luz.

E aqueles olhos... não pertencem a este mundo.

O batimento no meu peito se torna brutal.

Reconheço aquele brilho dourado.

Aquela marca do destino.

Ela é uma Alfa. A minha Alfa.

Não pode ser apenas humana.

Por um segundo, sinto minha máscara rachar.

Meus caninos querem romper o cárcere.

Meu lobo ruge o nome dela... ainda que eu não o saiba por completo.

Vespera.

Eu me aproximo.

O perfume dela atinge todos os meus sentidos:

lua e fogo, perigo e lar.

Cada passo torna mais difícil conter o que sou.

A mesa vira um campo de batalha invisível.

- Obrigada por vir - diz a presidente do conselho, mas sua voz é só um ruído distante.

Só a escuto a ela.

Sua respiração acelera quase imperceptível.

Ela me deseja.

Ainda que não entenda por quê.

Vou direto para o lado dela.

Apoio uma mão no encosto da cadeira. Meu corpo muito perto do dela.

Ela se tensiona. Não de medo.

- Senhor Deveraux - ela pronuncia meu sobrenome como se pudesse desmontá-lo.

- Vespera... - digo o nome dela baixo, desejando dizê-lo como um gemido.

Um arrepio percorre sua espinha.

Eu sinto. Eu gosto.

Ela ergue os olhos para os meus.

Fogo queimando na nossa troca de olhares.

O conselho fala de negócios.

Expansões. Números. Alianças.

Nada disso importa.

Porque acabo de encontrar a única mulher que pode me destruir...

ou me coroar como o Alfa que eu nasci para ser.

E uma verdade me queima por dentro:

Ela é minha.

Mesmo que ainda não saiba.

O diretor financeiro segue falando... mas eu acompanho cada respiração dela.

Vespera mantém o olhar profissional, inabalável.

Mas seu pulso... late forte. Forte demais.

Eu escuto.

O instinto não mente.

Quando ela muda o slide na tela, sua mão roça a minha.

Um toque mínimo. Um acidente.

O impacto é devastador.

Eletricidade selvagem. Magnetismo animal.

Como se a pele dela tivesse sido feita para encontrar a minha.

Ela prende um suspiro.

Eu cerro os dentes.

Ela me olha.

E eu vejo: os olhos dela cintilam, um dourado acendendo como fogo líquido.

- Está bem? - pergunto, e o nome dela vibra sob minha língua mesmo sem eu dizê-lo.

- Perfeitamente - responde rápido demais. Mente.

O ar ao nosso redor fica pesado.

Carregado de desejo... e algo mais sombrio.

Algo antigo.

Quero tomar sua mão.

Marcá-la.

Reivindicá-la ali mesmo.

Mas ela é humana.

E eu sou o Alfa da Alcateia Estrela Negra.

Se eu chegar perto demais... eu a quebro.

E eu não vim para destruir.

Vim para reconstruir o que nos foi tirado.

- Senhora Ardent - a presidente se dirige a Vespera. - Está satisfeita com a proposta de colaboração da BlackStar Luxury?

Ela pigarreia. Se recompõe, altiva.

- Ainda não decidi - diz firme. - Preciso... conhecer melhor o CEO.

O tom é profissional.

Mas as palavras... são para mim.

Um sorriso lento, perigoso, toma meus lábios.

- Eu também - respondo.

A presidente celebra a "química corporativa".

Se soubesse.

Quando a reunião termina, todos se levantam e começam a sair.

Mas ela permanece sentada.

Me esperando.

Seu corpo tenso, seus olhos acesos.

Eu me aproximo devagar, cada passo, uma provocação.

- Precisamos conversar - ela diz primeiro.

Meu sorriso cresce.

- Eu ia dizer o mesmo.

Ficamos assim... a poucos centímetros.

Se eu tocá-la... perco o controle.

Se não tocar... enlouqueço.

- Vespera... - sussurro só para ela. - Você sentiu isso também.

Não é pergunta.

É sentença.

O peito dela sobe e desce, lutando contra uma verdade que queima demais.

Então ela diz:

- Eu sei que existe... algo entre nós.

Meu lobo ruge.

Meu coração também.

Eu me inclino o suficiente para sentir seu hálito nos meus lábios.

- Algo... inevitável.

- Isto é trabalho, senhor Deveraux - solto, afiada como lâmina.

Me surpreende que a voz não trema.

Porque por dentro... sou caos.

Astervan me observa como um desafio fascinante.

Uma presa que acabou de mostrar os dentes.

- Como disser, CEO Ardent - responde com aquela calma que me enlouquece.

Ele abre caminho para que eu passe.

Mas sua proximidade é outra jaula.

Passo à sua frente.

E, contra minha vontade, inspiro seu cheiro.

Quente. Selvagem. Perigoso.

Meus saltos ecoam no corredor de vidro.

Eu não olho para trás.

O carro me espera na saída.

Desabo no banco e só então noto o tremor das minhas mãos.

Ridículo.

Eu não deixo homem nenhum me afetar assim.

Mas ele...

Esse homem...

é outro nível de perigo.

Em casa, jogo as chaves na mesa e largo a bolsa como se pesasse demais.

Preciso esquecer este dia.

Arrancar essa sensação do corpo.

Vou direto para o banheiro.

O vapor toma o espelho enquanto abro a camisa.

A água quente cai sobre mim como uma promessa de calma.

Fecho os olhos. Respiro.

Mas minha mente... volta para ele.

Seu olhar.

Sua voz.

Aquele toque que incendiou meus nervos.

Droga.

Passo as mãos pelo pescoço, pelos ombros... descendo pela pele molhada.

E então... eu vejo.

Algo que não estava ali pela manhã.

Uma marquinha vermelha.

Alta, perto do púbis.

Perfeitamente redonda.

Toco. Confusa.

Queima.

Arde de dentro para fora.

A água não apaga.

Não sai.

Não é hematoma.

Não é tatuagem.

É...

Uma lua.

Uma lua vermelha.

Meu estômago despenca.

O mundo gira rápido demais.

Aponto para a marca, sem respirar.

- O que... está acontecendo comigo?

Nada responde.

Só o eco da água.

Mas meu coração... bate feroz.

Como se quisesse libertar-se.

Saio do banho enrolada na toalha.

O vapor ainda abraça minha pele, mas o frio por dentro não passa.

A lua vermelha.

A sensação de não me reconhecer.

E os olhos dele... me perseguindo até quando fecho os meus.

Me jogo na cama, exausta.

A cidade pinta o quarto de azul.

Tento respirar. Esquecer.

Mas então... eu sinto.

Meu corpo se lembra dele.

De Astervan.

Aquele toque no escritório.

A mão dele na minha cintura de manhã.

Aquela energia animal sob minha pele.

E sem pensar... minha mão desliza.

Buscando calor.

Buscando ele.

A cada suspiro... o nome dele pulsa na minha mente.

E algo surge no meio das ondas de prazer:

um lobo negro.

Forte. Protetor. Ameaçador.

Seu hálito no meu pescoço.

Seus olhos presos nos meus sob a lua.

Humano e fera se misturam.

Desejo e medo se tornam um só.

A marca arde... como se respondesse à fantasia.

Minha coluna arqueia.

Todo meu corpo treme.

Algo selvagem desperta.

E quando a onda me leva-

um uivo... distante...

ressoa na noite.

Não sei se é real.

Não sei se saiu da minha mente.

Mas sinto que ele ouviu também.

O mundo se apaga...

e só resta meu coração descontrolado

e a lua vermelha... vibrando sob minha pele.

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