
Herdeira Traída: Sua Vingança Bilionária
Capítulo 2
Ponto de Vista de Jade Alencar:
O zumbido insistente do meu celular me tirou de um sono agitado e sem sonhos. Eu nem me dei ao trabalho de tirar meu robe de seda. O sol estava apenas começando a riscar o céu com tons de cinza e rosa pálido sobre a Baía de Guanabara.
O identificador de chamadas exibia "Eugênio Monteiro". O pai de Rodrigo. O patriarca das Indústrias Monteiro. O homem que praticamente me implorou para casar com seu filho, seus olhos cheios de esperança desesperada pela salvação que eu representava.
Silenciei a chamada e joguei o celular nos lençóis de seda ao meu lado.
Tocou de novo. Imediatamente.
Silenciei novamente.
Uma mensagem de texto se seguiu. Depois outra. E outra. Uma cascata frenética de súplicas digitais. Meu celular vibrava contra a cama como um inseto preso.
Finalmente o peguei, meu polegar pairando sobre a tela.
Eugênio: Jade, por favor, atenda o telefone. Precisamos conversar.
Eugênio: Isso é um desastre. Você tem que parar com isso.
Eugênio: O que o Rodrigo fez foi imperdoável, eu sei, mas isso? Isso está nos destruindo!
Então, uma nova mensagem, de um número que eu ainda não havia bloqueado. Rodrigo.
Rodrigo: Você está feliz agora? Você está destruindo minha família. Tudo porque seu ego foi ferido.
Rodrigo: Eu me apaixonei, Jade. Isso é um crime tão grande? Você não pode controlar quem alguém ama. Você tentou me controlar, e eu me libertei. Por que você não pode simplesmente me deixar ir?
Rodrigo: Isso é mesquinho e vingativo. Prova que eu estava certo sobre você. Você é uma vadia cruel e sem coração.
Soltei uma risada curta e aguda. Era um som oco na vasta e vazia cobertura. Cruel? Ele achava que isso era cruel? Ele ainda não tinha visto o que era crueldade.
Ele se postou diante de nossos amigos, nossas famílias, o mundo inteiro, e me rotulou como uma megera incapaz de ser amada que teve que comprar um marido. Ele pegou minha vulnerabilidade, o afeto genuíno que eu sentia por ele, e o transformou em uma arma para me humilhar. Ele e sua pequena estagiária eram agora os queridinhos da internet, um conto de fadas moderno do amor conquistando a ganância corporativa.
E eu era o dragão a ser abatido.
Ele, o homem que usava sua suposta misofobia para manipular todos ao seu redor, que recuava quando eu tentava segurar sua mão, mas não tinha problema em compartilhar saliva com outra mulher. Ele, que sussurrou promessas de um futuro, uma família, enquanto já construía uma vida com outra pessoa.
Ele me transformou em motivo de chacota. Meu nome, o nome que eu construí em um império de poder e respeito, era agora uma piada em um drama sórdido de tabloide.
Por que você não pode simplesmente me deixar ir?
A pergunta era tão absurda, tão completamente desconectada da realidade de suas ações, que era quase engraçada. Ele não queria ser "deixado ir". Ele queria escapar das consequências de um acordo que ele quebrou. Ele repudiou publicamente nosso contrato, e agora estava chocado que as penalidades financeiras estavam sendo aplicadas.
Outra mensagem dele vibrou.
Rodrigo: Estou te implorando, Jade. Pelo bem do que quase tivemos. Cancele tudo. Podemos chegar a um acordo. Não destrua tudo.
Um acordo. Claro. Esse era o objetivo final. Ele achou que poderia me desgraçar publicamente, virar a opinião pública contra mim, e então forçar minha mão a um generoso pacote de saída para fazê-lo ir embora. Ele não queria apenas me deixar; ele queria ser pago por isso.
A raiva fria dentro de mim se condensou em um único e afiado ponto de foco.
Peguei meu celular e enviei uma mensagem, não para Rodrigo, mas para minha assistente, Zara.
Eu: Acelere a Fase Dois. Quero pressão máxima. Agora.
A resposta de Zara foi instantânea.
Zara: Entendido.
Caminhei até as janelas do chão ao teto e olhei para a cidade que despertava. Meu outro monitor já estava ligado, exibindo os dados do pré-mercado. As Indústrias Monteiro (I.M.) estavam em queda livre. Era uma cachoeira de vermelho. O valor de mercado deles estava evaporando em tempo real. Milhões de reais, virando fumaça a cada segundo que passava.
Era uma bela visão.
Eu conhecia Eugênio Monteiro. Ele era um empresário da velha guarda, de uma geração que valorizava o orgulho acima de tudo. Ele estaria em pânico. Veria o legado de sua família, uma empresa que estava em seu nome por três gerações, virando pó por causa do psicodrama idiota e ganancioso de seu filho. Ele não ficaria parado vendo isso acontecer. Ele agiria.
Exatamente como previ, meu celular acendeu com uma nova mensagem de Rodrigo. O tom era marcadamente diferente. A arrogância se fora, substituída por uma fina camada de pânico.
Rodrigo: Jade. Ok. Eu entendi. Você está com raiva. Eu mereço. Vamos conversar. Por favor.
Rodrigo: Eu faço qualquer coisa. Só... recue os cães de caça. A empresa não vai sobreviver a isso.
Rodrigo: Eu te dou um pedido de desculpas público. Direi que estava errado. O que você quiser.
Suas súplicas eram como música. Li e reli, saboreando a mudança da autojustificação arrogante para o medo rastejante. Ele estava começando a entender. Estava começando a perceber que não tinha apenas cutucado um urso. Ele tinha entrado voluntariamente na jaula de um leão faminto, armado apenas com seu próprio ego.
E o leão estava prestes a se alimentar.
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