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Capa do romance Herdeira Traída: Meu Doce Casamento de Vingança

Herdeira Traída: Meu Doce Casamento de Vingança

Durante sete anos, ocultei minha fortuna para apoiar Enzo, apenas para ser trocada por sua antiga paixão no Dia de Ação de Graças. Após ser humilhada publicamente e chamada de fácil em um vídeo onde ele debochava dos meus sacrifícios, percebi que fui apenas um passatempo. Sem derramar lágrimas, decidi retomar minha identidade de herdeira. Deixei uma mensagem final avisando que vou me casar e parti para São Paulo, bloqueando-o para sempre em minha nova vida.
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Capítulo 2

Ponto de Vista de Helena Monteiro:

Enzo não voltou para casa naquela noite. Eu não fiquei surpresa. O que me surpreendeu foi que, pela primeira vez em sete anos, dormi profundamente, sem ser interrompida pela ansiedade de esperar sua chave na fechadura. Foi um sono profundo e sem sonhos, e quando acordei, a luz da manhã filtrando pelas persianas parecia uma promessa.

O som de panelas na cozinha me tirou da minha paz recém-descoberta. Meu coração deu um salto familiar e reflexivo antes de eu me lembrar. Não importava mais.

Encontrei-o de pé junto ao fogão, reaquecendo as sobras do Dia de Ação de Graças que eu havia guardado na geladeira. O cheiro de peru e molho enchia o ar, uma zombaria do feriado que havíamos perdido.

"Bom dia", ele disse, sem olhar para mim. Ele colocou uma pilha de purê de batatas em um prato. "Pensei que poderíamos ter nosso Dia de Ação de Graças hoje. Para compensar ontem."

Ele deu uma mordida no peru, seus olhos se fechando em apreciação exagerada. "Uau, Helena. Você realmente se superou. Isso está incrível."

Eu o observei, uma estranha sensação de distanciamento se instalando em mim. Ele estava tentando. À sua maneira desajeitada e egocêntrica, esta era sua tentativa de um pedido de desculpas. No passado, este pequeno gesto teria sido suficiente para me fazer derreter, para perdoá-lo por qualquer deslize que ele tivesse cometido. Eu teria visto o esforço, não a inadequação.

Mas agora, tudo o que eu via era a performance.

"Não precisamos compensar nada, Enzo", eu disse, minha voz uniforme. "Acabou."

Seu garfo bateu no prato. Ele finalmente se virou para me olhar, uma carranca profunda vincando sua testa. "Helena, pare com isso. Isso não tem graça."

Ele limpou as mãos em um guardanapo e foi até a bancada, pegando uma pequena caixa branca amarrada com uma fita vermelha. Ele a empurrou em minha direção. "Aqui. Comprei algo para você."

Eu não me movi.

"É aquele cheesecake que você gosta", ele disse, sua voz assumindo um tom tenso e impaciente. "Da confeitaria do centro."

Uma pulsação aguda e dolorosa me atravessou. Ele achava que eu gostava de cheesecake. Bruna gostava de cheesecake. Eu era alérgica a laticínios. Depois de sete anos, ele ainda não sabia disso. Sete anos de eu recusando educadamente a sobremesa, de eu tirando o queijo da minha pizza, de eu lendo cuidadosamente os rótulos no supermercado. Sete anos, e ele não havia notado.

O peso desses sete anos de repente pareceu insuportável. Foi um desperdício. Um erro longo e prolongado construído sobre a base de sua fantasia e minha ilusão.

A mandíbula de Enzo se contraiu. A máscara charmosa e descontraída estava escorregando, revelando a arrogância crua por baixo. "Olha, Helena, estou tentando aqui. Eu disse que sentia muito. A Bruna até me disse que eu deveria voltar para casa e me redimir com você. Estou te dando uma chance de superar isso. Não force a barra."

Ele passou a mão pelo cabelo, um gesto de pura frustração. "Já terminamos com esse draminha? Espero que você pare de falar em terminar no futuro."

Meu silêncio pareceu perturbá-lo mais do que qualquer briga aos gritos jamais poderia. Eu apenas olhei para ele, realmente olhei para ele, e vi um estranho.

"Estou falando sério, Enzo", eu disse, minha voz baixa, mas firme. "Nós. Terminamos."

Nesse momento, o celular dele tocou. Uma música pop alegre e animada que eu nunca tinha ouvido antes. O toque da Bruna. Claro.

Toda a sua postura mudou. A irritação desapareceu, substituída por uma preocupação gentil que fez meu estômago revirar. "Oi", ele disse ao telefone, sua voz suave. "O que aconteceu?"

Uma pausa.

"Seu carro não pega? Ok, não se preocupe. Já estou indo aí."

Ele desligou e pegou as chaves da tigela perto da porta, seu rosto mais uma vez uma máscara fria e desdenhosa. Ele nem olhou para mim. "Terminamos essa conversa mais tarde", ele disse, sua voz seca e final.

E então ele se foi.

Eu não o vi sair. Não senti a pontada familiar de ser deixada para trás. Eu apenas senti... nada. A corda emocional que me prendeu a ele por tanto tempo finalmente se rompeu.

Passei o resto do feriado prolongado no meu escritório, organizando metodicamente meus arquivos de projeto e empacotando meus pertences pessoais. Na segunda-feira, eu apresentaria minha demissão. Eu deixaria Curitiba e nunca mais olharia para trás.

Naquela noite, sentindo uma estranha mistura de libertação e vazio, decidi fazer algo por mim mesma. Havia um restaurante novo e badalado no centro que eu queria experimentar há meses. Pedi ao Enzo para me levar lá no meu aniversário, mas ele disse que era muito caro, muito pretensioso. Acabamos na nossa lanchonete de sempre.

Hoje à noite, eu iria sozinha.

O restaurante estava vibrando com vida, o ar cheio de sons de taças tilintando e conversas felizes. Encontrei uma pequena mesa no canto e pedi tudo no menu que me atraiu, coisas que Enzo teria zombado.

E então eu os vi.

Eles estavam sentados em um reservado aconchegante perto da janela, tão próximos que seus ombros se tocavam. A mesa estava repleta de comida — todos os pratos favoritos da Bruna, notei com uma amargura distante. Passei anos atendendo ao paladar sem graça de Enzo, e lá estava ele, comendo alegremente comida tailandesa apimentada porque era o que ela queria.

Bruna pegou um rolinho primavera, deu uma pequena mordida e, com um sorriso brincalhão, o levou aos lábios de Enzo. Ele se inclinou e deu uma mordida, suas bochechas corando levemente.

Foi um gesto pequeno e íntimo, mas me atingiu com a força de um golpe físico. Enzo nunca foi tímido. Ele era confiante, às vezes ao ponto da arrogância. Mas naquele momento, com Bruna, ele parecia... envergonhado. Era um lado dele que eu nunca tinha visto, reservado apenas para a pessoa por quem ele estava genuína e profundamente apaixonado.

Ele disse algo para ela, sua expressão uma mistura de nervosismo e esperança. Eu não conseguia ouvir as palavras, mas sabia o que ele estava pedindo. Ele queria tirar uma foto. Uma foto que ele pudesse guardar, uma memória tangível deste momento perfeito com a garota dos seus sonhos.

Bruna riu e empurrou seu ombro de brincadeira. Então, seus olhos percorreram o salão e pousaram diretamente em mim.

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