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Capa do romance Herdeira Oculta, Vingança Revelada

Herdeira Oculta, Vingança Revelada

Durante três anos, ocultei minha origem bilionária para viver um amor real. Tudo ruiu quando meu noivo, Pedro, admitiu ter engravidado a chefe por ambição. Humilhada publicamente e descartada como um fardo, vi meu afeto virar um desejo gélido de revanche. Após um encontro impulsivo com um estranho, meu pai revela minha identidade ao mundo. Agora, como Sofia Monteiro de Albuquerque, assumo o império hoteleiro para destruir quem ousou me trair e subestimar.
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Capítulo 2

"Eu engravidei a Juliana."

A voz de Pedro era baixa, quase um sussurro, mas as palavras ecoaram no pequeno apartamento como uma explosão.

Sofia congelou com o prato na mão, a meio caminho de colocá-lo na mesa de jantar que ela tinha preparado com tanto cuidado. O cheiro do bife grelhado e do vinho tinto, que antes parecia tão acolhedor, de repente tornou-se enjoativo.

"O quê?" , ela conseguiu dizer, sua própria voz um fio fraco.

Pedro não a olhou nos olhos. Ele continuou a desamarrar a gravata, um gesto habitual que naquela noite parecia estranho, quase profano. Ele jogou a peça de seda cara sobre o encosto da cadeira.

"Ela está grávida" , ele repetiu, desta vez com mais firmeza. "É meu."

Sofia largou o prato na mesa. O som da porcelana batendo na madeira foi o único ruído no silêncio que se seguiu. Sua mente girava, tentando processar a informação. Juliana. A chefe dele. A mulher poderosa e implacável que Pedro tanto admirava e temia.

"Como?" , foi tudo o que ela conseguiu perguntar. A pergunta era estúpida, ela sabia, mas era a única que sua mente em choque conseguia formular.

"Nós temos um caso" , ele admitiu sem rodeios, finalmente levantando o olhar para encará-la. Não havia culpa em seus olhos, apenas uma espécie de determinação fria. "Já faz alguns meses."

Sofia sentiu o chão desaparecer sob seus pés. Meses. Ele a traía há meses, bem debaixo do seu nariz, enquanto ela planejava o futuro deles, contava os centavos para economizar para a entrada de uma casa maior, e se preocupava se ele estava comendo direito no trabalho.

"Você me disse que a odiava" , ela murmurou, lembrando-se das inúmeras vezes que ele chegou em casa reclamando da arrogância de Juliana, de suas exigências impossíveis.

Pedro deu um sorriso sem humor.

"Eu preciso dela, Sofia. Juliana é a minha chefe. Ela tem o poder de me promover, de me dar os contatos que eu preciso para subir na vida. Você não entende o que é ter ambição?"

Ele começou a andar pelo pequeno espaço da sala, gesticulando com as mãos como se estivesse explicando uma estratégia de marketing.

"Olhe para nós, Sofia. Este apartamento minúsculo. Nossas vidas. Eu quero mais. Eu mereço mais. E a Juliana pode me dar isso."

A dor no peito de Sofia era aguda. A traição era uma coisa, mas a maneira como ele a justificava, como se fosse um movimento de carreira calculado, era insuportável.

"E eu? E nós? Nosso noivado, Pedro?"

Ele parou na frente dela, e pela primeira vez, ele pegou suas mãos. O toque dele, que antes a confortava, agora a queimava.

"É aqui que você precisa ser compreensiva, meu amor" , ele disse, sua voz agora suave e manipuladora. "Isso não muda o que eu sinto por você. Você é a mulher que eu amo. Juliana é… uma ferramenta. Uma ponte para o nosso futuro."

Sofia puxou suas mãos de volta como se tivesse tocado em algo sujo.

"Uma ponte? Você engravidou sua 'ponte' , Pedro!"

"Foi um acidente!" , ele argumentou, a voz subindo de tom. "Mas agora é uma realidade. E eu preciso lidar com isso. Ela vai ter o bebê. E eu preciso estar ao lado dela, pelo menos por um tempo. Pela minha carreira. Pelo bebê."

Ele se aproximou novamente, seu rosto suplicante.

"O que eu estou pedindo é tempo, Sofia. Apenas espere por mim. Mulheres como a Juliana, elas se cansam rápido. Ela vai se cansar de mim, vai se cansar de ser mãe. Assim que ela me der a promoção e a estabilidade que eu preciso, eu volto para você. Nós vamos nos casar, ter nossa própria família. É só uma questão de tempo."

Ele falava como se estivesse oferecendo um plano de negócios brilhante. Uma solução ganha-ganha onde a única perdedora temporária seria ela.

Sofia o encarou, e algo dentro dela se partiu. A ingenuidade, o amor cego que ela sentia por ele, tudo se estilhaçou em um milhão de pedaços. Ele não a via, não via seu valor. Ele via apenas uma opção segura, um porto confortável para onde voltar depois de sua aventura de alpinismo social.

E, naquele momento, um segredo que ela guardava a sete chaves gritou em sua mente. Ela, Sofia, a assistente júnior que usava roupas de segunda mão para não chamar atenção, a garota que ele considerava simples e sem ambição, era Sofia Monteiro de Albuquerque, a única herdeira da rede de hotéis de luxo Luxos. A fortuna que Pedro tão desesperadamente buscava com Juliana era uma fração do que ela herdaria um dia.

Ela escondeu sua identidade para viver uma vida real, para encontrar alguém que a amasse por quem ela era, não pelo seu sobrenome.

Ela olhou para o rosto de Pedro, para a ganância mal disfarçada em seus olhos, e sentiu um desprezo profundo. Ela tinha encontrado alguém, sim. Alguém que a via como um obstáculo conveniente, um plano B.

Uma calma gelada tomou conta dela. A dor ainda estava lá, mas estava enterrada sob uma camada de resolução.

"Não" , ela disse, a voz clara e firme.

Pedro piscou, confuso. "Não o quê? Você não vai esperar por mim?"

"Não. Acabou, Pedro." Sofia olhou ao redor do apartamento que eles haviam montado juntos, cada objeto uma lembrança de um amor que agora ela via como uma farsa. "Eu não vou ser a segunda opção de ninguém."

A confusão no rosto de Pedro se transformou em irritação.

"Você não está sendo razoável, Sofia! Eu estou sendo honesto com você! Eu poderia ter escondido isso, mas eu escolhi te contar a verdade!"

"A verdade?" , ela riu, um som amargo. "Você só me contou porque não tinha mais como esconder a gravidez dela. Você não é honesto, Pedro. Você é um covarde e um egoísta."

Ela se virou e caminhou em direção ao quarto.

"O que você está fazendo?" , ele perguntou, seguindo-a.

"Arrumando minhas coisas" , ela respondeu sem olhar para trás.

Pedro a agarrou pelo braço.

"Sofia, pense bem! Você está jogando fora três anos de relacionamento por causa de um momento de ciúmes! Eu estou fazendo isso por nós!"

Ela se soltou de seu aperto com uma força que surpreendeu a ambos.

"Não existe mais 'nós' , Pedro" , ela disse, olhando diretamente em seus olhos. "Só existe você e suas ambições. E eu não quero fazer parte disso."

A expressão dele endureceu. A máscara de noivo amoroso caiu, revelando o homem calculista por baixo.

"Tudo bem" , ele disse friamente. "Se é assim que você quer. Mas não venha chorando para mim quando perceber o que perdeu. Você nunca vai encontrar alguém que te ame como eu."

Sofia não respondeu. Ela apenas abriu o guarda-roupa e pegou uma mala velha. O som do zíper se abrindo foi a sentença de morte para o relacionamento deles. Pedro ficou parado na porta, observando-a com uma mistura de raiva e decepção.

"Você está sendo infantil, Sofia" , ele cuspiu. "Eu te dei uma chance de fazer parte do meu sucesso. Você escolheu ficar para trás. A culpa é sua."

Ele se virou e saiu do quarto, deixando-a sozinha com os destroços de seu amor e um segredo que, em breve, mudaria tudo.

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