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Capa do romance Habibi - Casados por contrato

Habibi - Casados por contrato

Para garantir o acesso à sua vasta herança, Ahmed precisa urgentemente de uma esposa. Ele decide selar um acordo matrimonial com uma jovem deslumbrante e de personalidade vibrante. No entanto, o plano de um casamento de fachada enfrenta um grande obstáculo: a mulher possui um espírito livre e não aceita as exigências do contrato. Ela anseia por um amor verdadeiro, recusando-se a ser apenas uma peça no jogo financeiro do bilionário.
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Capítulo 3

Ahmed foi se aproximando mais, sério:

- Vou brincar de casinha, ainda brinca de bonecas, imagino?

Cara a cara, chegou muito perto, a intimidando, olhou para os lados, verificando se não estava vindo ninguém. Ela continuou o encarando também, o olhando de baixo para cima, pela diferença de altura:

- Não, eu que sou a boneca, com certeza vai querer brincar comigo. Seu papai te obrigava a brincar de carrinho? Jogar bola?

Em segundos ele colocou as duas mãos nos seios dela:

- Só bolas pequenas, assim.

A pegou de surpresa, no susto ela se afastou, caiu de bunda dentro da área de luz, em cima das plantas:

- Está louco? Alguém pode ver!

Ele se abaixou rindo:

- Então, se ninguém ver, posso te tocar?

Começou a passar a mão na perna dela, de baixo para cima, em direção à coxa:

- Não quero uma noiva espetaculosa, sem vergonha, oferecida e que não seja virgem.

Com um temperamento tão ruim quanto o dele, ela teve medo de ser prejudicada, não pensou duas vezes, o chutou no meio das pernas:

- Não quero um noivo que nem sabe me tocar e respeitar.

Ele caiu sentado com dor. Sua madrasta ouviu, foi na porta do quarto e perguntou o que tinha acontecido. Soraya respondeu se afastando dele:

- Olá, que bom te encontrar, ele caiu e eu fiquei com medo de o ajudar, porque não podemos ficar sozinhos.

Ele se levantou bravo, foi indo para o quarto de volta:

- É... não foi nada!

Soraya começou a rir:

- Tudo bem? Desculpa não te ajudar, gosto de seguir os costumes, não quero prejudicar o nosso casamento!

A madrasta dele disse que ela estava certa e a levou para dentro de seu quarto. Começou a falar como era quando se casou, perguntou se a mãe dela havia ensinado como ser boa esposa. Soraya ficou sem jeito, chateada, porque a mãe havia falecido há muitos anos, disse que o pai a ensinava um pouco.

Nabilah era a terceira esposa de Ali, disse que ia ensiná-la, perguntou se era virgem, pediu para não mentir, porque o marido saberia quando fossem dormir juntos e já falou que podia ajudar a fingir que era, ficando mais apertada.

Soraya falou a verdade, era virgem e não entendia nada de sexo. Nabilah começou a explicar como ela deveria se preparar sempre para dormir com o marido: estar com os cabelos limpos, cheirosos com óleo de argan, mirra e canela, também usar óleo corporal afrodisíaco, estar bem depilada com o corpo liso.

Deram muitas risadas, Nabilah quem ia ajudar ela com o enxoval, as lingeries, falou até do Kama Sutra, disse que conseguia engravidar sempre que queria e ia ensinar ela a fazer o mesmo, para terem logo um filho, porque Ali só ia dar a casa e fechar o negócio com Said quando Soraya engravidasse.

Ela estava sendo um pouco manipulada, mas no fundo começou a querer se casar com ele, achou ele muito ousado e deduziu que a vida seria mais fácil do que com um marido fiel à doutrina da religião.

Quando foram jantar, os noivos sentaram um ao lado do outro, pareciam tímidos, respeitosos, mas na verdade só estavam com birra. Ele ficou com dor, só esperando a oportunidade de retribuir, sorriu sutilmente para ela algumas vezes.

Quando todos estavam distraídos com a irmã dele dançando, ele derrubou suco nas pernas de Soraya, se levantou pedindo desculpas, a deixou toda suja, tiveram que ir embora mais cedo.

Quando foram se despedir, ela falou que queria o conhecer melhor, sugeriu que ele ligasse ou mandasse mensagem. Ele pegou o celular para anotar o número:

- Precisamos nos encontrar a sós.

Ela sorriu imaginando que iriam se beijar, concordou, foi embora fantasiando várias coisas, queria sentir o cheiro da pele dele, o abraçar, roçar seus corpos de roupas. Ele só queria conversar, deixar claro suas intenções.

Trocaram os contatos, não tiveram como conversar nada. No dia seguinte ele mandou bom dia. Ela estava na escola de manhã, respondeu às pressas:

"Oie bom dia, quando vai vir me buscar na escola? ??"

"Sempre vou embora sozinha e de ônibus, saio às 13 hrs"

Ele ficou curioso para saber mais da vida dela, teve certeza que era completamente desvirtuada, até a achou meio oferecida, respondeu pensando em lhe fazer uma proposta:

"Hoje!!!! Me manda o endereço."

Ela mandou, ficou ansiosa falando dele para as amigas, mentiu dizendo que estavam ficando, namorando e já iam noivar por causa das famílias, disse que era rico e bonito. Quando deu o horário de sair, quase fizeram uma comitiva para vê-lo.

Ele nem desceu do carro, estava impaciente. Ela saiu procurando, mandou uma mensagem:

"Se atrasou?? Vc vem ainda???????????"

Ele estava um pouco longe, virando a esquina, mandou foto da rua, mostrando. Ela foi até ele sozinha, abriu a porta do carro:

- Oi. Para onde vamos? Posso ficar a tarde toda fora, eu disse que ia fazer um trabalho de escola.

Ele estava sério, reparando nas roupas dela: calça legging agarrada preta, tênis, blusinha de alça decotada, maquiagem forte, brincos grandes. Foi ligando o carro:

- Vamos almoçar! Quero saber se está realmente pronta, porque pelo o que estou sabendo, não temos opção em negar o casamento.

Ela ficou séria, confusa:

- Como assim, pronta? Mal-educado e desrespeitoso como é, não deve seguir a religião. Eu pelo menos tento, só não gosto de pagar mico na escola.

Ele ficou pensativo:

- É, não sigo muito mesmo. Vamos a um restaurante desses pequenos, discretos. A sua família é grande, né? Quantos irmãos você tem? Como são as coisas em sua casa?

Ela pensou para responder, envergonhada:

- Ahhh, eu cuido deles desde que minha mãe faleceu. Sou a mais velha, tenho dezoito. Tem os gêmeos, de dez anos, Mu e Mumu, chamam Mohamed ambos. A Hosniya é a caçula, tem três anos, ela foi morar com uma tia nossa, faz mais de um ano, porque estava muito difícil cuidar dela. Eu estudo de manhã, cuido da casa, faço comida. Os meninos ficam período integral na escola. Meu pai trabalha desde cedo até a noite, na loja e no barracão da confecção dele. Não tinha quem cuidasse da Hosniya, então... foi uma solução temporária, meu pai perdeu muito dinheiro e fechou dois barracões. Tivemos que cortar os gastos desnecessários, com empregadas, escolas caras, babás. Quando eu terminar a escola, quero muito trazer a minha irmãzinha de volta. Com certeza a sua vida é bem mais interessante.

Estavam entrando em um estacionamento, ele respondeu cínico:

- Tem que ser, na minha idade é o mínimo.

Desligou o carro, foi se preparando para descer:

- Tenho uma carreira, estudos, sou bilíngue, cuido dos negócios do meu pai, somos acionistas em um grupo de pedras preciosas.

Abriu a porta do carro:

- Sempre anda mal vestida assim? Seu pai sabe disso?

Ela também abriu a porta pensativa:

- Ele não sabe! Eu me troco na rua todos os dias. Eu estava na escola e não em um baile.

Foi descendo do carro:

- Se você é tudo isso de bom, por que ainda não se casou?

Ele também desceu, foi caminhando em direção à entrada ao lado dela:

- Porque eu não quis e ainda não quero. Vou ser sincero com você, meu pai quer que eu me case e tenha filhos. Tem muito em jogo agora, por isso, estou considerando a possibilidade de casar. Você está longe de ser um exemplo de noiva, e eu sei que seu pai vai se beneficiar com os negócios depois do casamento. Nós só temos que casar e ter um filho em um ano.

Parou na porta do restaurante:

- Vamos ganhar uma casa grande, carros, vou te dar tudo, como deve ser. Você é nova, vai poder aproveitar a vida depois do divórcio. Vou te encher de presentes e tudo o que ganhar fica com você depois do...

Ela ficou séria, pensativa:

- Não quer se casar? E ter uma vida comigo?

Ele foi entrando evitando olhar para ela:

- Não! Eu não acho possível te amar e nem quero tentar. Vai ser um casamento de contrato, um acordo. Aceita? Pensa na sua família, vai poder cuidar dos seus irmãos, desde que engravide.

Sentaram em uma mesa nos fundos, era tudo bem simples, ela ficou sem muita reação:

- Eu preciso pensar.

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