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Capa do romance Habibi - Casados por contrato

Habibi - Casados por contrato

Para garantir o acesso à sua vasta herança, Ahmed precisa urgentemente de uma esposa. Ele decide selar um acordo matrimonial com uma jovem deslumbrante e de personalidade vibrante. No entanto, o plano de um casamento de fachada enfrenta um grande obstáculo: a mulher possui um espírito livre e não aceita as exigências do contrato. Ela anseia por um amor verdadeiro, recusando-se a ser apenas uma peça no jogo financeiro do bilionário.
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Capítulo 1

Ahmed foi morar no Brasil ainda criança, quando o casamento de seus pais desandou. Eram ainda casados, porém raramente seu pai aparecia para cumprir o papel de marido e, quando ia, sempre tudo parecia perfeito. Isso fez com que Ahmed crescesse muito apegado à mãe e sem entender por que não moravam juntos, como uma família normal.

Quando realmente se divorciaram, ele teve que ir morar com o pai e não perdoou a mãe por o abandonar. Ela não teve muitas opções, seguindo a cultura deles, árabes.

Mas ele nunca aceitou. Todo o seu amor virou mágoa, justamente quando estava amadurecendo, foi moldado pelo pai, um homem machista, grosso e egoísta.

Assim que Ahmed atingiu a maioridade, foi estudar para assumir os negócios do pai e, na primeira oportunidade, retornou para morar no Brasil, evitando a família toda.

Quando ninguém via, ele não seguia a religião de fato e nem temia por isso. Foi bastante influenciado pelos anos no Brasil e seu pai ficava louco só de imaginar que seu primogênito não era um grande exemplo.

Acionistas de um grupo de pedras preciosas, tinham uma bela fortuna também, da qual Ahmed tinha um acesso bem limitado por ser jovem e solteiro.

Seu pai Ali estava há anos fazendo vista grossa para a enrolação do filho em construir uma família e o pressionou financeiramente. Ahmed morava há anos em um apartamento pequeno, simples, bem básico. Seu carro era bem meia boca também, popular, praticamente não tinha nem acesso a um salário decente e respeitava tudo isso, achando que ia se livrar de um casamento arranjado.

Ali nem podia imaginar o que estava acontecendo. Há meses Ahmed estava envolvido com uma vizinha quase da idade dele. Estavam namorando discretamente. Franciele era bem solta, sensual, experiente e o conquistou na cama sem dificuldades, já que ele não tinha o hábito de ficar com ninguém.

Antes dela, ele só teve uma ficante, com quem teve a primeira vez e se sentiu culpado. Franciele foi direta em demonstrar interesse quando se cruzavam no elevador. Ela puxava assunto, o convidou para jantar, na primeira ficada foram para a cama e não se desgrudaram mais.

Completamente apaixonado, Ahmed começou a pensar em enfrentar o pai, talvez sair dos negócios e ficar por conta. Sua namorada foi muito contra, não entendia o tamanho do respeito dele pela família e começou a pressioná-lo para assumi-la. Estavam brigando há semanas porque ela queria postar as fotos deles de uma viagem que fizeram juntos.

O pai dele estava vindo para ficar meses no Brasil com a atual esposa grávida e outros filhos menores. Ahmed estava organizando a casa do pai, ocupado e preocupado, deu a entender que se continuasse recebendo cobranças da namorada, ia se afastar.

Ela sabia de tudo sobre a rotina dele. Estavam sem conversar direito há dias, se evitando. Quando o pai dele chegou, ela arquitetou um plano para dar um empurrão em Ahmed. Ficou vigiando tudo e, quando soube pelo porteiro que tinham visitas diferentes, foi até o apartamento dele com uma encomenda.

Ele estava na cozinha ocupado. Ali abriu a porta sério, não gostou do jeito dela. Estava com um vestido preto de regata, decotado, agarrado ao corpo. Ela sorriu e esticou a mão simpática:

- Oi, tudo bem? Sou a Franciele, o Ahmed está?

Ali nem respondeu, foi entrando e o chamando. Ahmed ficou todo sem jeito, foi saindo para fora, afastando-a da porta e cochichando:

- O que você quer? Sabe que não pode vir aqui.

Ela ficou o olhando como se estivesse cheia de razão:

- Ele vai ter que aceitar, não é? Uma hora ou outra, vai me conhecer e saber de nós.

Ahmed foi rude e a mandou se calar e ir embora. Ela respondeu um pouco alto:

- Quando vai parar de ter medo do seu pai e contar tudo? É assim que me ama?

Foi embora chorando. Ali percebeu que tinha algo acontecendo, ouviu parte da conversa. Assim que Ahmed entrou, disse que ela se confundiu com uma encomenda de outro vizinho. Ali ficou sério:

- Quero que acabe com essa mulher espetaculosa. Você vai se casar, vim para acertar seu casamento. Tenho tolerado esse seu jeito há anos, acabou! Este mês você se casa e em um ano quero que tenha tido um filho. A sua irmã já tem dois e uma linda família. Tenho vergonha de você, sem raízes, vive sozinho, não tem um lar, uma esposa que te ame. Vai conhecer a filha de um grande amigo meu, ela é jovem, bonita, vai aprender a ser boa esposa e te dar muitos filhos. Cresceu aqui no Brasil como você, eu sei que isso vai te agradar. Juntos vão buscar o caminho da religião, como deve ser.

Ahmed se calou pensativo, não queria nada daquilo. No dia seguinte fizeram uma festa de boas-vindas a Ali e à família. Um primo dele quem organizou, tinham várias pessoas, famílias conhecidas.

Ahmed chegou por último, foi evitando as pessoas e estava em um canto afastado no quintal quando ouviu um barulho de alguém caindo e um grito. Até se assustou, foi olhar e tinham duas moças, uma no chão e outra em cima do muro. Ele se aproximou para ajudar:

- Oi, machucou? Tudo bem?

Ela afastou as mãos dele rindo, limpando a calça jeans, batendo para tirar a terra:

- Não pode encostar em mim, quer que eu seja chicoteada?

Se virou de costas para ele:

- Vaiii, joga a bolsa, anda logo ou é você que vai arder no mármore do inferno, Latifa.

Ele estava parado atrás, reparando nela, no corpo, no cabelo. Parecia uma brasileira normal, de tênis, calça muito agarrada, regata e brincos enormes de argola. A que estava em cima do muro jogou a bolsa, a outra pegou e se virou, surpreendendo-o:

- Você trabalha aqui? Se continuar olhando as mulheres daqui assim, vai ser expulso.

Saiu rindo, andando de costas e o olhando:

- Pervertido, vai arder no mármore do inferno.

A outra também pulou e saiu correndo rindo. As duas o acharam lindo. Ele estava de roupa social, calça escura, camisa clara, sem barba, cabelo arrumadinho. Ele só deu risada, pareciam duas adolescentes rebeldes.

Soraya e Latifa foram se trocar antes de serem vistas. Colocaram vestidos comportados de manguinha três quartos, sandália rasteira e o véu, cobrindo os cabelos. Foram para a festa rindo, procurando aquele moço tão bonito. Said, pai de Soraya, estava conversando com Ali. Queriam apresentar seus filhos, há anos os dois falavam em os casarem.

Ele a apresentou ao futuro sogro, fez muita propaganda dizendo que ela era dedicada, religiosa, saudável. Ela ficou sorrindo de desespero porque não queria se casar com um desconhecido, achava que seu pai não iria adiante com o casamento arranjado.

Ali estava procurando o filho, o viu de longe e acenou, chamando:

- Aliii, meu filho Ahmed, ahhh, mas vocês vão ficar lindos juntos. Eu mostrei uma foto e ele gostou muito de você, dobrou o dote até, ele sabe que você é uma preciosidade.

Quando Ahmed viu quem ela era, sorriu sutilmente:

- Eu já não te conheço de algum lugar?

Ela balançou a cabeça que não, se fazendo de tímida. Foram apresentados oficialmente. Ali fez questão de falar que eles tinham sorte porque podiam pelo menos se ver antes de casar e, no passado, não era assim.

Saíram de perto um pouco para os dois conversarem. Ele começou a rir:

- Você é uma falsa, ardilosa, o meu pai não vai querer uma nora assim. Esse casamento não vai acontecer.

Ela sorriu com cinismo:

- E eu ouvi falar que você gosta de homem, por isso é tão velho e seco, sem esposa ou filhos. Eu não quero um marido que vá me deixar largada em casa.

Ele ficou sério:

- Não quero uma criança como esposa. Esse casamento não vai acontecer.

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