
Grávida e Divorciada: Escondi o Herdeiro Dele
Capítulo 2
A cobertura estava silenciosa, uma caixa de vidro e aço flutuando sobre a cidade. Vivian estava deitada no quarto principal, com o edredom puxado até o queixo. Ela não estava dormindo. Estava escutando.
Às 2:00 da manhã, a fechadura biométrica da porta da frente apitou.
Ela fechou os olhos com força. Ouviu os passos dele no piso de madeira. Eram pesados, cansados. Ele não foi para a cozinha. Veio direto para o quarto.
A porta se abriu. Vivian controlou a respiração, forçando-a a um padrão lento e rítmico. Ela sentiu o cheiro dele antes de senti-lo. Ele cheirava a chuva, ao ar úmido de London e a algo mais. Um perfume. Era floral, forte, caro. Não era o dela.
O colchão afundou quando ele se sentou na beirada da cama.
Vivian permaneceu perfeitamente imóvel. Ela sentia o calor do corpo dele irradiando através dos lençóis. Por um momento, a mão dele pairou sobre o ombro dela. Ela podia sentir o calor da palma da mão dele. Ela se encolheu. Foi um movimento minúsculo, involuntário, um reflexo nascido da dor em seu peito.
Julian congelou. Ele interpretou o gesto como rejeição. Ele retirou a mão imediatamente. A frieza retornou ao espaço entre eles.
Ele se levantou. Afrouxou a gravata — ela podia ouvir a seda deslizando contra o tecido do colarinho. Ele entrou no banheiro.
O chuveiro ficou ligado por vinte minutos. Vivian ficou deitada no escuro, a mão repousando sobre o frasco de pílulas escondido que ela havia colocado sob o travesseiro. Ela se perguntava se ele estava lavando o cheiro da outra mulher de sua pele. Ela se perguntava se ele se sentia culpado.
A luz da manhã atingiu as janelas que iam do chão ao teto com um brilho áspero e cinzento. Vivian já estava de pé. Estava na cozinha, movendo-se mecanicamente. Ela preparou um café da manhã leve: torradas, frutas e café preto para ele. O cheiro do café fez a bile subir em sua garganta, mas ela a engoliu, agarrando-se à bancada até a náusea passar.
Julian entrou na cozinha. Ele estava vestido com um terno elegante cor de carvão, o cabelo perfeitamente penteado, o rosto uma máscara indecifrável de eficiência corporativa. Ele parecia a capa da Forbes. Ele não parecia um marido que havia chegado em casa às 2:00 da manhã cheirando a outra pessoa.
Ele ignorou o café que ela havia servido. Olhou o relógio, impaciente.
Vivian estava parada junto à ilha de mármore. A pedra estava fria sob a ponta de seus dedos. Era agora. Ela tinha que contar a ele. O médico disse que o estresse era perigoso. Este silêncio era estresse.
— Julian — ela começou. Sua voz estava firme, ensaiada.
Ele ergueu o olhar. Seus olhos eram azuis, frios como gelo.
— Precisamos falar sobre o contrato — disse ele.
Vivian parou. As palavras morreram em sua língua.
Julian enfiou a mão na pasta e tirou um envelope pardo. Ele o deslizou pela ilha de mármore. O som do papel raspando na pedra foi alto na cozinha silenciosa.
Vivian olhou para baixo. Reconheceu o selo de cera. Era o selo do departamento jurídico da Sterling Corp.
— O contrato de casamento de três anos terminou — disse Julian. Sua voz era desprovida de emoção, como se estivesse discutindo uma fusão ou aquisição. — O prazo acabou.
Vivian sentiu o sangue sumir de seu rosto. Seus joelhos fraquejaram. Ela se agarrou à beirada da ilha para não cair.
— Serena está de volta — ele acrescentou. Ele disse isso casualmente, como se estivesse comentando sobre o tempo. Como se Serena não fosse o fantasma que assombrou todo o casamento deles. Como se Serena não fosse a razão pela qual ele nunca olhou para Vivian como um marido deveria.
Vivian o encarou. O nome pairou no ar, sugando o oxigênio da sala.
Ela abriu o envelope com os dedos trêmulos. O título do documento a encarava em letras pretas e em negrito: DISSOLUÇÃO DE CASAMENTO.
Julian checou o celular. Uma mensagem iluminou a tela. Por um segundo, apenas um microssegundo, seu rosto se suavizou. As linhas duras ao redor de sua boca relaxaram. Então ele olhou de volta para Vivian, e o distanciamento profissional retornou.
— Eu providenciei um acordo generoso — disse ele. — Você terá tudo o que precisa. O apartamento em Chelsea é seu. Uma pensão mensal por cinco anos.
Vivian engoliu a bile que subia novamente. Sentia como se estivesse se afogando.
— É por causa dela? — ela sussurrou.
Julian se levantou. Abotoou o paletó. Foi um gesto de finalidade.
— Sempre foi temporário, Vivian. Você sabia disso. Meu avô queria esta união. Ele se foi. A obrigação acabou.
Ele caminhou até a porta. Não olhou para trás. Não disse adeus. Apenas foi embora.
Vivian ficou ali, agarrada ao mármore. A sala girava.
Ela olhou para os papéis novamente. Seus olhos estavam embaçados, mas ela se forçou a focar nas letras miúdas. Ela precisava saber como ele a estava destruindo.
Seus olhos pousaram na Cláusula 14B.
Qualquer gravidez resultante da união deve ser revelada imediatamente. O Pai reserva-se o direito de exigir a interrupção da gravidez para evitar complicações relativas à linhagem da herança. Caso a gravidez prossiga até o termo contra a vontade do Pai, a guarda legal e física exclusiva reverterá exclusivamente para Julian Sterling, e a criança será colocada em um internato particular no exterior. A mãe renuncia a todos os direitos de contato ou visitação.
Vivian ofegou. O ar deixou seus pulmões.
Interrupção. Ou ele pegaria o bebê e o mandaria para longe. Ele a apagaria da vida de seu próprio filho para manter seu mundo "limpo".
A governanta, Sra. Potts, entrou na cozinha. Ela viu os papéis espalhados na ilha. Viu o rosto de Vivian. Ela desviou o olhar, envergonhada, fingindo se ocupar com a louça.
A mão de Vivian tremeu quando ela a enfiou no bolso. Ela tocou o plástico frio do frasco de pílulas que havia rotulado novamente.
Ela o empurrou mais para o fundo do bolso.
Ela não podia contar a ele. Jamais poderia contar a ele. Não se quisesse que este bebê sobrevivesse. Não se quisesse ser mãe.
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