
Grávida do CEO, Humilhei o Ex que me Traiu
Capítulo 3
No dia seguinte, Evelina decidiu fazer um expurgo.
A cobertura parecia contaminada. Cada objeto guardava a memória de uma mentira. Ela precisava sentir o peso de seus próprios recursos, o poder que mantivera escondido no escuro.
Foi para a Quinta Avenida.
A Bergdorf Goodman era um templo de um tipo diferente. Cheirava a couro caro e dinheiro antigo.
Evelina não estava comprando as coisas cheias de babados e tons pastéis que Juliano gostava que ela usasse - as roupas de uma boneca dócil. Ela estava comprando para a Dra. Espindola. Linhas afiadas. Paletas monocromáticas. Estrutura.
Estava na seção de designers, passando a mão sobre um casaco de lã preto, quando ouviu a voz.
Era um som estridente e penetrante que fez seus dentes rangerem.
Vitória Viana. Sua sogra.
- Esta costura é atroz - dizia Vitória para uma assistente de vendas aterrorizada. - Você sabe com quem está falando?
Evelina congelou. Espiou por entre as araras de roupas.
Vitória estava sentada em um pufe de veludo como uma rainha em um trono. Ao lado dela, rodopiando em frente a um espelho triplo, estava Rubia. E sentado no sofá, parecendo entediado, mas segurando a carteira, estava Juliano.
Claro. A "Reunião do Conselho" continuava.
Evelina considerou ir embora. Poderia sair pela porta lateral. Mas então olhou para Juliano. Ele parecia tão confortável. Tão seguro em sua enganação.
Não.
Ela tirou o casaco preto da arara. Vestiu-o sobre o vestido. Serviu perfeitamente. Abotoou-o, levantando a gola. Saiu de trás da arara.
- Olá, Vitória - disse Evelina.
Sua voz era suave, ecoando sem esforço pela sala silenciosa.
O silêncio que se seguiu foi absoluto.
Vitória se virou, o rosto empalidecendo sob as camadas de maquiagem.
- Evelina? O que diabos você está fazendo aqui? Você parece... sem graça.
Juliano saltou do sofá. Seus olhos disparavam entre Evelina e Rubia. O pânico explodiu em suas pupilas.
- Evelina, querida. Eu... eu encontrei a mamãe e a Rubia. Nós estávamos apenas... escolhendo um presente para você.
Rubia parou de girar. Olhou Evelina de cima a baixo, um sorriso de escárnio brincando nos lábios. Inclinou-se para Vitória e sussurrou, alto o suficiente para todos ouvirem:
- Elle n'a pas de je ne sais quoi. Très ennuyeuse. (Ela não tem borogodó. Muito entediante.)
As assistentes de vendas olharam para baixo, tentando esconder o constrangimento. Juliano parecia aliviado por Evelina provavelmente não ter entendido.
Evelina sorriu.
Era um sorriso aterrorizante, mas ela o manteve direcionado a Rubia. Deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Rubia, até sentir o cheiro do perfume de baunilha.
Inclinou-se, os lábios roçando a orelha de Rubia, e sussurrou tão suavemente que nem Juliano nem Vitória puderam ouvir.
- Au contraire, chérie. C'est ton goût qui est ennuyeux. Et ta grammaire est atroce. (Pelo contrário, querida. É o seu gosto que é entediante. E sua gramática é atroz.)
Os olhos de Rubia se arregalaram em choque genuíno. Ela recuou, encarando Evelina como se fosse um fantasma. Evelina piscou, depois recuou, o rosto voltando a uma máscara de simpatia insossa.
- O que você disse? - perguntou Juliano, sentindo a tensão, mas perdendo o contexto.
- Só disse a ela que o vermelho realça os olhos dela - mentiu Evelina com fluidez.
Ela caminhou até o balcão onde Juliano havia deixado seu cartão Black. O cartão que estava vinculado à conta conjunta. A conta que era tecnicamente financiada pelos royalties das patentes do trabalho inicial dela, embora Juliano tivesse assinado os papéis.
Pegou o cartão. Parecia pesado e frio.
- Vou levar este casaco - disse ela à assistente. - E, na verdade...
Ela olhou para a bolsa de edição limitada que Rubia estava cobiçando. Aquela que custava doze mil dólares.
- Acho que a Rubia precisa de um presente de despedida.
Ela ergueu o cartão. Juliano estendeu a mão.
- Evelina, espere...
Evelina dobrou o cartão. O plástico gemeu, depois se partiu com um crack alto e seco que ecoou pela boutique.
Ela jogou as duas metades dentro da sacola de compras aberta de Rubia.
#NAME?
Ela enfiou a mão na bolsa e tirou uma pilha grossa de dinheiro - notas que havia retirado de seu cofre privado naquela manhã, irrastreáveis e frias. Bateu o dinheiro no balcão.
- Fique com o troco - disse à assistente atordoada.
Ela girou nos calcanhares, o casaco preto ondulando atrás dela como uma capa, e saiu da loja.
Não olhou para trás. Não precisava. Podia sentir o choque de Juliano irradiando como ondas de calor, mas sabia que ele não a perseguiria. Não com a mãe e a amante ali para administrar.
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