
Enquanto Eu Sangrava Até a Morte, Ele Acendia Lanternas Para Ela
Capítulo 3
Um Porsche Cayenne vermelho-cereja freou bruscamente, os pneus cantando no asfalto bem em frente à entrada do hospital.
Vera Vance abriu a porta do motorista com força e correu ao redor do capô.
Quando viu June parada na calçada, balançando como um fantasma ao vento, Vera soltou um suspiro agudo. O rosto de June estava completamente sem cor, e uma mancha recente de sangue vermelho-escuro estava vazando através de seu casaco.
"Meu Deus, June!" Vera gritou, segurando June no exato momento em que seus joelhos cederam. "O que aconteceu? Onde diabos está o Cole?"
June apoiou a cabeça no ombro de Vera. Um sorriso fraco e amargo tocou seus lábios.
"Até o inferno é melhor do que estar lá dentro", June sussurrou.
"Você está sangrando através do casaco!" Vera gritou, ignorando a tentativa de June de andar. Ela passou o braço pela cintura de June e praticamente a carregou para o banco do passageiro do Porsche.
Vera não a levou para a propriedade dos Compton. Não a levou para seu próprio apartamento. Ela engatou a marcha com força e acelerou em direção ao Mount Sinai, um hospital particular onde tinha contatos.
Dentro do carro, o aquecedor estava no máximo. Vera segurava o volante com força, os nós dos dedos brancos, lágrimas de pura raiva queimando em seus olhos.
"Eu vou matar ele", Vera murmurou, costurando perigosamente pelo trânsito de Manhattan. "Vou arrancar o coração dele com minhas próprias mãos."
June deitou a cabeça no assento de couro frio. Sua visão estava turva.
Quando o carro passou por um solavanco, uma nova onda de dor a atingiu, e sua mente retrocedeu.
Dez anos atrás.
O som de metal se contorcendo e vidro se estilhaçando. A chuva lavando o sangue da rodovia. O dia em que seus pais morreram.
Ela se lembrava de estar parada na chuva, uma garota de quinze anos que não tinha mais nada. Seu tio, Richard Erickson, havia enfiado uma pilha de documentos legais em seu rosto, declarando a falência da família e a expulsando de sua própria casa.
Ela havia desabado no pavimento molhado.
Então, um garoto saiu de um carro preto. Ele tinha o rosto de um anjo. Ajoelhou-se na lama, entregando-lhe um lenço de linho branco que cheirava a cedro e chuva. Ele a olhou com uma piedade e bondade tão profundas.
Aquele garoto tinha sido sua razão de viver na última década.
June abriu os olhos no presente, a memória se desvanecendo na dura realidade do painel do carro.
"Eu pensei que ele era meu salvador", June murmurou no silêncio do carro. "Eu estava errada. Estava apaixonada por um fantasma."
Vera olhou para ela, confusa, mas focada demais na direção para perguntar.
Elas chegaram ao hospital particular. Os contatos de Vera evitaram completamente a sala de espera. June foi levada às pressas para uma suíte VIP.
O médico de plantão examinou os pontos rompidos. Seu rosto ficou vermelho de raiva.
"Isso é um trauma secundário grave", o médico disse bruscamente, olhando para Vera. "Quem fez isso com ela? Isso exige um boletim de ocorrência."
Vera estava parada junto à janela, com os braços cruzados com tanta força que suas unhas cravavam em sua própria pele. "Eu cuido da polícia. Apenas conserte-a."
Eles penduraram uma bolsa de transfusão de sangue e suturaram novamente a ferida. O analgésico finalmente fez efeito, levando June a um sono profundo e sem sonhos.
Quando June acordou, o quarto estava silencioso. Vera estava sentada em uma cadeira ao lado da cama, com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar.
Vendo June acordada, Vera imediatamente serviu um copo de água morna e o levou aos lábios dela.
"Você assinou os papéis do divórcio?" Vera perguntou, com a voz rouca.
June engoliu a água e assentiu. "Assinei. Estou saindo sem nada."
Vera pulou da cadeira, com os olhos arregalados. "O quê? Você está louca? É o dinheiro dos Compton! Você deu a ele quatro anos da sua vida e está saindo de mãos abanando?"
June olhou para sua melhor amiga. Seus olhos estavam completamente calmos, desprovidos do pânico e da tristeza que a assombraram por anos.
"Eu não preciso do dinheiro dele, Vera", June disse baixinho. "Eu só quero apagar o nome dele da minha vida."
Vera a encarou. Ela sabia que June era um gênio — a conhecia desde a faculdade — mas a observara desempenhar o papel de uma dona de casa submissa por tanto tempo que quase se esquecera de quem June realmente era.
June estendeu a mão e agarrou o pulso de Vera. "Faça-me um favor. Vá ao meu antigo depósito. Traga-me meu antigo laptop. Aquele preto e grosso."
Vera franziu a testa, confusa. "Seu laptop da faculdade? Por quê?"
"Apenas traga."
Duas horas depois, Vera voltou com um laptop preto, pesado e ultrapassado.
June o colocou em seu colo. Ela apertou o botão de ligar. A tela piscou e acendeu.
Seus dedos voavam pelo teclado, digitando uma complexa sequência de código em uma janela de terminal preta. Uma tela de login altamente criptografada apareceu.
Vera se inclinou, semicerrando os olhos para a tela. Ela não conseguia entender uma única linha do código, mas a velocidade com que June digitava lhe causou um arrepio na espinha.
Nesse momento, a TV na parede da sala VIP mudou para o noticiário da noite.
Um repórter enfiava um microfone no rosto de Cole enquanto ele saía de um prédio corporativo.
"Sr. Compton! Sua esposa esteve notavelmente ausente da gala ontem à noite. Está tudo bem com o seu casamento?"
Na tela, Cole parou. Ele ajeitou o paletó, seu rosto uma máscara de preocupação perfeita e educada.
"Minha esposa está se sentindo um pouco indisposta", Cole mentiu suavemente para a câmera. "Ela está descansando em casa. Obrigado pela sua preocupação."
Vera pegou o controle remoto da TV e o atirou na tela. O plástico se estilhaçou contra o vidro, deixando uma rachadura em forma de teia de aranha no rosto sorridente de Cole.
"Hipócrita desgraçado!" Vera gritou.
June não se abalou com o barulho. Ela olhou para a tela rachada, seus dedos pousados na tecla Enter de seu laptop.
"Deixe-o sorrir", disse June, sua voz baixando para um sussurro mortal. "Ele não vai sorrir por muito mais tempo."
Você pode gostar





