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Capa do romance Gardênias e Seu Último Adeus

Gardênias e Seu Último Adeus

Abandonada no noivado por Franco, que partiu para os braços de Karina, fui humilhada e chamada de interesseira. Ele ignorou meu câncer terminal e a gravidez resultante de uma noite que ele desprezou. No hospital, sozinha, abortei para tentar sobreviver ao caos que ele causou. Minha morte parecia o fim, mas despertei no passado, exatamente na noite da festa. Com o perfume das flores no ar, recebi uma nova chance antes que ele destruísse minha vida outra vez.
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Capítulo 3

Ponto de Vista de Helena Medeiros:

A dor de cabeça era uma companhia constante, uma pontada surda atrás dos meus olhos que se intensificava a cada movimento. A comida não tinha apelo. Até o cheiro fazia meu estômago revirar. Eu ficava encolhida na cama, os lençóis emaranhados ao meu redor, desejando um fim para o ciclo vertiginoso de dor e náusea. Se não havia cura, eu só queria que acabasse logo. Sem mais luta. Sem mais fingimento.

Meus olhos se desviaram para as marcas fracas de agulha no dorso da minha mão. As palavras do médico ecoavam em minha mente, uma batida implacável. "Você precisa contar para sua família, Helena. Isso não é algo que você pode enfrentar sozinha. O tratamento... é agressivo. E os riscos são significativos."

"Quão significativos?", eu perguntei, minha voz mal um sussurro. O médico desviou o olhar, seu silêncio uma resposta mais pesada do que qualquer palavra poderia ser.

Eu olhei para o meu celular, meu polegar pairando sobre o nome de Franco. Uma esperança desesperada, pequena e vacilante, me incitou a ligar. A contar a ele. A quebrar este segredo terrível. E se, apenas e se, saber o fizesse ver? O fizesse se importar?

Pressionei o botão de chamada. Tocou uma, duas vezes, e então um clique. Caixa postal. Ele havia desligado. Minha esperança, frágil como era, se desfez em pó. Ele nem deixou tocar. Ele apenas me rejeitou, instantaneamente.

Uma nova onda de desamparo me invadiu. Eu não conseguiria fazer isso sozinha. Meus dedos, tremendo levemente, encontraram outro contato. Caio. Meu melhor amigo. Minha rocha.

Ele atendeu no segundo toque, sua voz cheia de sua energia barulhenta de sempre. "Helena! E aí, garota? Tudo bem?"

"Caio", consegui dizer, minha voz falhando. "Eu... eu preciso de você."

Ele chegou em menos de uma hora, sua risada estrondosa de sempre substituída por uma carranca quieta e preocupada. Raramente permitíamos que nossos dois mundos colidissem. Caio, com sua energia sem limites e charme fácil, sempre se chocou com a formalidade rígida de Franco. Franco via Caio como um brutamontes sem refinamento, uma má influência. Caio via Franco como um idiota frio e arrogante. Eu geralmente os mantinha separados, um delicado ato de equilíbrio que agora havia desmoronado.

Ele vestia uma camiseta de banda desbotada e jeans rasgados, um contraste gritante com as paredes brancas e estéreis do hospital. As pessoas se viravam enquanto ele atravessava a sala de espera, um toque vibrante de cor em um mundo de tons suaves.

"Está piorando, Helena?", ele perguntou, a voz baixa, seus olhos examinando meu rosto com uma intensidade quase desesperada.

Eu balancei a cabeça, evitando seu olhar. "Não. Apenas... um check-up de rotina." Outra mentira. Vinha tão facilmente agora.

Passamos pela rotina familiar: coleta de sangue, retirada de medicamentos. Sentei-me na sala de infusão, o gotejamento constante do soro um estranho conforto. O calor do cobertor, o zumbido baixo das máquinas ao meu redor, me embalaram em um estado sonolento. Fechei os olhos, buscando um momento de paz.

Quando os abri novamente, a bolsa estava vazia. Caio tinha sumido. A enfermeira, uma jovem apressada, veio até mim. "Senhorita Medeiros, seu soro acabou. Você não deveria ter adormecido, sabe." Seu tom era ríspido.

"Desculpe", murmurei, minha voz grossa de sono. "Eu estava tão cansada."

Sua expressão suavizou. "Ah, querida. Eu entendo." Seu toque foi surpreendentemente gentil enquanto ela removia a agulha, deixando uma pequena e ardente lembrança na minha pele.

Juntei minhas coisas, meus membros pesados, e fui para o laboratório para outra rodada de exames. Meu estômago roncou, uma dor oca. Senti-me tonta, o corredor branco girando ao meu redor. Apoiei-me na parede, respirando fundo e de forma trêmula.

Foi quando eu os vi.

Franco. E Karina.

Eles saíram da porta marcada como "Consultório de Psiquiatria", a cabeça de Karina baixa, o braço de Franco protetoramente ao redor dela. Seu rosto era uma máscara de ternura, a testa franzida de preocupação. Ele a olhava do jeito que costumava me olhar, antes que tudo murchasse e morresse.

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