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Capa do romance Gardênias e Seu Último Adeus

Gardênias e Seu Último Adeus

Abandonada no noivado por Franco, que partiu para os braços de Karina, fui humilhada e chamada de interesseira. Ele ignorou meu câncer terminal e a gravidez resultante de uma noite que ele desprezou. No hospital, sozinha, abortei para tentar sobreviver ao caos que ele causou. Minha morte parecia o fim, mas despertei no passado, exatamente na noite da festa. Com o perfume das flores no ar, recebi uma nova chance antes que ele destruísse minha vida outra vez.
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Capítulo 1

Na minha própria festa de noivado, meu noivo, Franco, me abandonou. Ele me deixou sozinha em um salão cheio de convidados para correr para o lado de outra mulher, Karina, a que ele realmente amava.

Ele me chamou de interesseira, de parasita agarrada ao nome de sua família, e me acusou de fingir uma doença só para chamar sua atenção.

Mas ele nunca soube da verdade. Ele nunca soube do segredo que eu carregava: um diagnóstico de leucemia terminal que recebi apenas dois dias antes de ele me humilhar.

Ele nunca soube que a noite que ele chamou de um erro de bêbado, a noite que ele cuspiu com nojo, me deixou grávida de seu filho.

E ele certamente nunca soube que, enquanto cuidava da falsa crise de ansiedade de Karina, eu estava em um quarto de hospital estéril, sozinha, interrompendo a gravidez do nosso bebê para ter uma chance de lutar por uma vida que ele fez questão de transformar em um inferno.

Eu pensei que minha morte seria o fim da nossa história, uma libertação final e silenciosa de sua crueldade.

Mas quando abri os olhos novamente, eu estava de volta à nossa festa de noivado, o perfume de dama-da-noite enchendo o ar, momentos antes de ele sair e estilhaçar minha vida pela primeira vez.

Capítulo 1

Ponto de Vista de Helena Medeiros:

O perfume de dama-da-noite deveria me acalmar, mas só apertava o nó no meu estômago. Eu sabia que Franco não queria estar aqui. Não comigo. Minha festa de noivado. Que piada.

Ele estava do outro lado do salão de festas, seu olhar vagando pela multidão. Não para mim, sua noiva, mas procurando. Sempre procurando por outra pessoa. A frieza dele era uma dor familiar, uma pontada surda com a qual eu aprendi a conviver. Isso não a tornava menos dolorosa.

Eu o observava, meu coração um espaço oco no peito. Ele dizia que me amava, mas seus olhos nunca encontravam os meus com o mesmo calor que guardavam para... para ela. Eu sabia a verdade, mesmo que me recusasse a dizê-la em voz alta.

Então, o celular dele vibrou. Uma vibração aguda e insistente que cortou o murmúrio educado da conversa. O rosto de Franco, geralmente tão controlado, se desfez em uma máscara de pânico. Ele nem tentou esconder.

"Preciso ir", ele murmurou, já se movendo em direção à porta. Sua voz era um sussurro áspero, cheio de uma urgência que não tinha nada a ver comigo.

Eu estendi a mão, agarrando seu braço. "Franco, espere. O que há de errado?"

Ele puxou o braço com força, como se meu toque o queimasse. "É... complicado. Alguém precisa de mim. Mais do que você precisa agora." As palavras foram como um tapa, cruas e dolorosas.

"Mas é a nossa festa de noivado", implorei, minha voz quase inaudível por cima da música. "Todos estão olhando. O que vão dizer?" Minha dignidade, o pouco que me restava, estava desmoronando ao meu redor.

Seus olhos, geralmente da cor de um mar tempestuoso, estavam congelados. Não continham calor, nem reconhecimento. Apenas um olhar frio e vago que me atravessou. "Você sempre faz tudo ser sobre você, Helena", ele rosnou, a voz carregada de desprezo. "Você nunca entende."

Meu coração, já ferido, se partiu em mil pedaços. O frio se espalhou por minhas veias, me entorpecendo. Eu não conseguia me mover. Não conseguia falar. Ele se afastou, cada passo uma martelada no meu peito. Ele não olhou para trás.

Eu o vi partir, um borrão de alfaiataria cara desaparecendo na noite. Então, me virei para encarar meus convidados, meu sorriso um escudo frágil contra o mundo. "Franco teve um assunto de negócios urgente", menti, minha voz firme. "Ele pede desculpas."

Eduardo, o pai de Franco, me observava com uma carranca tensa e desaprovadora. Minha mãe, coitada, me deu um pequeno aceno de encorajamento. Eu sabia que eles viam através da minha farsa, mas entraram no jogo. Os canapés tinham gosto de serragem, o espumante amargo na minha língua.

Mais tarde, minha mãe me puxou de lado, sua mão acariciando suavemente meu braço. "Helena, querida. Está tudo bem com o Franco? Ele parece... distante." Seus olhos, cheios de preocupação, buscaram os meus.

"Está tudo bem, mãe", menti de novo, forçando um sorriso tranquilizador. "Apenas nervosismo pré-casamento." Eu não podia contar a ela. Não podia adicionar meus fardos aos dela.

Nossas famílias estavam entrelaçadas há gerações. Os Medeiros e os Bittencourt, dois pilares da alta sociedade de São Paulo. Crescemos juntos, Franco e eu. Ele era o menino barulhento que puxava minhas tranças, o cavaleiro corajoso que afugentava dragões imaginários. Ele me prometeu a lua e as estrelas, um juramento de criança sussurrado sob um céu de verão. Nossos pais, em sua prosperidade, riram e selaram nosso futuro com um acordo tácito e divertido.

Mas então, tudo mudou. A fortuna da minha família diminuiu, engolida por maus investimentos e uma economia instável. A riqueza de sua família disparou, cimentando o nome Bittencourt como um titã da indústria. O acordo divertido tornou-se um contrato vinculativo, uma tábua de salvação para minha família, um dever para a dele.

Fui para a faculdade, esperando encontrar meu próprio caminho, mas o destino tinha outros planos. Voltei para casa para o funeral da mãe de Franco. Foi quando o vi mudado. O menino que eu conhecia se fora, substituído por um homem frio e ambicioso, seus olhos ocos de luto. Eduardo, o pai de Franco, tirou a velha promessa das prateleiras empoeiradas da história da família. Ele falou do último desejo de sua falecida esposa, de unir nossas famílias. Era uma obrigação, ele disse. Para mim, era uma chance de salvar minha família da beira da ruína.

Franco odiou. Ele me odiava por isso, eu sabia. Ele me via como um fardo, uma lembrança de um passado do qual ele queria escapar. Ele me via como um obstáculo à sua verdadeira devoção – Karina. Ela era a quem ele realmente amava, aquela para quem ele acreditava estar destinado. Eu era apenas a garota de uma família decadente, ligada a ele pelo desejo de uma mulher morta.

Ele me mostrou seu nojo claramente uma noite, depois de uísque demais. Suas palavras eram veneno, pingando desprezo. "Você acha que eu não sei o que é isso?", ele zombou, seus dedos cravando no meu braço. "Você e sua mãe, se agarrando ao nosso nome, ao nosso dinheiro. Você não passa de uma interesseira, Helena. Uma parasita." Ele me empurrou, seus olhos queimando com acusação. "Não pense por um segundo que eu não vejo através do seu teatro. Você quer um pedaço do império Bittencourt, não é?"

Depois daquela noite, mal nos falamos. Semanas se transformaram em meses. Esta festa de noivado foi a primeira vez que realmente nos vimos, que realmente estivemos juntos, em muito tempo. E agora ele se fora, mais uma vez, correndo atrás da mulher que ele realmente amava.

Eu fiquei ali, sozinha na sala lotada, os ecos de suas palavras ainda ressoando em meus ouvidos. O silêncio onde ele deveria estar era ensurdecedor.

Meu sorriso vacilou. Senti um gosto metálico e forte na boca. Minha cabeça girou. O salão inclinou. Algo quente e pegajoso começou a escorrer do meu nariz.

Eu precisava sair dali. Antes que mais alguém visse.

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