
Fui Seu Plano B Por Sete Anos
Capítulo 3
Pela manhã, Franco entrou no quarto de hóspedes, os olhos injetados de sono. Ele parecia cansado, mas ainda tentou sorrir para mim. Era um sorriso falso.
Ele se aproximou, estendendo a mão para tocar meu rosto, um gesto que outrora me acalmava.
Eu me encolhi, um arrepio de nojo me percorrendo.
Meu rosto era uma máscara de repulsa.
Ele notou minha reação.
"Dói muito, não é, meu amor?" Ele interpretou meu nojo como dor.
Ele não tinha ideia do que realmente me machucava.
"Vista-se. Vamos ao médico."
Sua voz carregava uma gentileza forçada.
"Para quê?", minha voz era fria, sem emoção.
"Para ver seu pé, Vera!" Ele tentou esconder a irritação.
"Não posso te deixar assim. Temos que ter certeza de que você está bem."
Eu não disse nada.
Apenas me levantei, claudicando, e me vesti.
No saguão do hospital, a figura familiar surgiu.
Mafalda.
Pálida, parecendo frágil.
Mas seus olhos tinham um brilho de triunfo.
Franco tirou a mão da minha.
Correu em direção a ela.
"Mafalda! O que aconteceu?"
Ele a abraçou, a testa franzida em preocupação.
Meu tornozelo atingiu a quina da parede.
Uma dor lancinante me fez prender a respiração.
Eu me agarrei na parede, tentando não cair.
Ele nem percebeu.
"Franco, quem é essa?" Mafalda perguntou, sua voz fraca, mas seus olhos focados no meu casaco.
O meu casaco que Franco me disse que me deixava "charmosa".
Ele era idêntico ao dela.
Franco se virou, percebendo-me ali.
Seu rosto ficou pálido.
"Ah, ela... é a irmã de uma amiga. Veio me acompanhar."
Ele me chamou de "irmã de uma amiga".
Meu rosto queimou de humilhação.
Mafalda apenas balançou a cabeça, desinteressada.
"Me leve para casa, Franco. Estou com tontura."
Ele a pegou no colo.
"Vera, espere aqui. Eu já volto para te buscar."
Ele saiu correndo, Mafalda em seus braços, a imagem do cavalheiro preocupado.
Eu o observei partir.
Ele a amava de verdade.
Não havia disfarce.
Não havia mentira em seus olhos quando ele olhava para ela.
Era puro, inegável, e me rasgava por dentro.
Um sorriso amargo surgiu em meus lábios.
Era tão fácil ver a verdade.
Para ele, Mafalda era a lua.
Eu era apenas uma estrela distante, sem brilho.
Uma enfermeira me viu.
"Senhora! Seu tornozelo está sangrando!"
Ela correu para mim, me levando para a sala de emergência.
Eu olhei para baixo.
Meu gesso estava manchado de vermelho.
O cheiro de ferro.
"Como você se machucou, querida?" a enfermeira perguntou, limpando a ferida.
Eu apenas acenei com a cabeça.
Não tinha voz.
A dor física era menor que a dor no meu peito.
Eu apenas queria que tudo acabasse.
"Você precisa de repouso absoluto. Vou ligar para seu marido ou noivo para vir te buscar."
Meu coração deu um pulo.
Eu peguei meu telefone.
Abri o aplicativo de mensagens para ligar para Franco.
Meu dedo pairou sobre o nome dele.
Então eu parei.
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