
Fuga de Um Sonho Sombrio
Capítulo 3
Luna abriu os olhos e viu o rosto de Arthur pairando sobre ela. Sua expressão era uma máscara de fúria contida, a mandíbula cerrada com tanta força que um músculo saltava em sua bochecha. Ele a segurava pelos ombros, seus dedos cravados em sua carne como garras.
"O que você pensa que estava fazendo?", ele rosnou, a voz baixa e perigosa.
A decepção foi tão avassaladora que superou a dor física. Ela estava tão perto. Tão perto.
Luna não respondeu. Ela apenas o encarou, seus olhos vazios de qualquer emoção que ele pudesse reconhecer. Não havia medo, nem tristeza. Apenas um cansaço profundo.
"Responda-me!", ele gritou, sacudindo-a.
"Eu estava indo para casa", ela disse, a voz rouca.
A resposta pareceu enfurecê-lo ainda mais. Ele a levantou do chão como se ela não pesasse nada e a forçou a encará-lo. Seus olhos escuros a perscrutavam, procurando por algo, qualquer coisa que fizesse sentido para ele.
"Outro dos seus jogos, Luna? Outro drama para chamar a atenção? Fingir a própria morte? Isso é um novo nível de manipulação, mesmo para você."
Manipulação. Era a única lente através da qual ele conseguia vê-la. Luna lembrou-se de um ano atrás, no jantar de gala da empresa dele. Ela tinha usado um vestido vermelho. Ele a exibiu para seus parceiros de negócios como se ela fosse o último modelo de um carro de luxo. Mais tarde naquela noite, quando ela expressou seu desconforto, ele a acusou de tentar envergonhá-lo.
Ele disse que ela era ingrata. Que ele a havia tirado de uma vida medíocre e lhe dado o mundo, e tudo o que ela fazia era reclamar.
A verdade era que ele a havia isolado. Ele a afastou de seus amigos, sutilmente minou sua confiança em suas próprias habilidades e a transformou em um acessório de sua vida poderosa. Qualquer tentativa dela de ter sua própria identidade era vista como um ato de rebelião, uma traição.
Foi Arthur quem espalhou o boato de que ela era emocionalmente instável, uma mentira conveniente para justificar seu comportamento controlador para seu círculo social. Ele a havia enquadrado como a vilã de sua própria história, e todos acreditaram.
"Não é um jogo, Arthur", ela falou, a voz monótona. "Eu só quero que acabe."
"Não", ele disse, seu aperto se tornando doloroso. "Eu decido quando acaba."
Ele a arrastou de volta para o carro dele, um sedã preto e imponente estacionado na estrada de terra que levava ao penhasco. Ele abriu a porta do passageiro e a jogou para dentro sem nenhuma gentileza.
O trajeto de volta para a cidade foi feito em um silêncio tenso. Arthur dirigia com uma fúria controlada, suas mãos apertando o volante. Luna olhava pela janela, observando a paisagem passar, sentindo-se mais prisioneira do que nunca.
Ele não a levou para o apartamento dela. Ele a levou para a mansão dele, a gaiola dourada que ela tanto odiava. Ele a puxou para fora do carro e a arrastou pela porta da frente.
"Fique aqui", ele ordenou, empurrando-a para um sofá na vasta sala de estar. "Nós vamos ter uma conversa."
Mas Luna não queria conversar. Ela não queria mais nada dele. Enquanto ele se virou para servir uma bebida, ela viu sua chance. A porta dos fundos, que levava ao jardim e à rua movimentada além dos muros, estava destrancada.
Ela se levantou em silêncio. Seus músculos protestaram, mas sua vontade era mais forte. Ela não podia esperar por outra chance. Tinha que ser agora.
Ela correu.
Ela o ouviu gritar seu nome, um som de raiva e surpresa, mas não olhou para trás. Empurrou a porta dos fundos, correu pelo gramado perfeitamente cuidado e saiu pelo portão de serviço.
A rua estava cheia de carros. O som das buzinas e dos motores era um caos bem-vindo depois do silêncio opressor da mansão.
Sem hesitar, Luna correu para o meio da estrada, diretamente no caminho de um caminhão que se aproximava.
As luzes do veículo a cegaram. O som da buzina foi ensurdecedor. O motorista gritou.
Desta vez, vai funcionar.
Era seu último pensamento antes que outro par de braços a envolvesse e a puxasse violentamente para a segurança da calçada, um segundo antes do caminhão passar zunindo pelo lugar onde ela estivera.
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