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Capa do romance Fragmentados pelo amor

Fragmentados pelo amor

No submundo da máfia, Elara, filha de um antigo líder, e Axel, o novo chefe nomeado por seu pai, vivem um romance proibido. Embora Axel hesite em aceitar seus sentimentos por se considerar quebrado, a persistência de Elara o força a encarar sua própria escuridão. Entre perigos e conflitos criminosos, os dois buscam redenção e cura para suas feridas emocionais. Juntos, lutam para superar as sombras do crime e construir um futuro de liberdade e luz.
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Capítulo 2

07:30 — Quarto do Axel. — Cidade do Vale. — Zefinópolis

Axel Knight.

O despertador ressoa implacável, arrancando-me do conforto do sono. Solto um gemido frustrado, irritado com sua insistência. Mal fechei os olhos e já estava tocando, como se estivesse determinado a me arrancar da cama.

Com um suspiro resignado, sento-me na cama e estico os braços em um longo bocejo, esfregando os olhos para afastar a sonolência. Consulto o relógio ao lado, constatando que são seis e meia da manhã. O dia mal começou e já estou mergulhado na rotina.

Decido que um banho longo é a melhor maneira de despertar completamente. Levanto-me e dirijo-me ao banheiro, onde jogo minhas roupas no cesto de roupas sujas antes de adentrar o box.

A água quente cai sobre mim, revitalizando meus sentidos entorpecidos pelo sono. Deixo-me envolver pelo vapor, permitindo que a correnteza leve consigo a tensão acumulada durante a noite. É um momento breve de paz antes do caos do dia.

Agora que o senhor Dante se tornou pai, a responsabilidade de comandar a máfia recaiu sobre os meus ombros. Sinto o peso dessa incumbência em cada fibra do meu ser. Ser o líder não é glamouroso como muitos imaginam; é uma tarefa árdua e incessante, que consome minha energia e minha sanidade.

Tudo agora é minha responsabilidade. Decidir quem entra, quem sai, quem vive e quem morre. É um fardo pesado demais para carregar sozinho. Entendo agora as palavras do chefe, quando dizia que o trabalho é uma merda. Ele estava certo.

Desligo o chuveiro e sai do box, envolvendo-me em uma toalha. Caminho até a pia e pego minha escova de dentes, preparando-me para enfrentar mais um dia no comando da máfia Zefinópolis. Que Deus tenha piedade da minha alma.

A sensação de estar sempre correndo contra o tempo me consome, deixando-me à beira da exaustão. Chegar em casa às três e meia da manhã se tornou rotina, e o sono regular que eu costumava desfrutar agora é apenas uma memória distante. Sinto que a qualquer momento poderia explodir, e o pior é que minha mente parece prestes a seguir o mesmo caminho.

Zefinópolis não é exatamente o tipo de lugar onde as pessoas fazem fila para visitar. É uma cidade marcada pela violência, onde a tranquilidade é um luxo que poucos podem desfrutar. Nós, os da máfia, temos nosso próprio código de conduta. Cuidamos das nossas coisas, mas não gostamos de chamar atenção para nossas atividades. A polícia sabe disso e sabe também que, se decidir cruzar nossas fronteiras, não terá força suficiente para lidar conosco. É uma espécie de pacto não escrito, onde todos sabem seu lugar e respeitam os limites impostos. A violência é nossa sombra, sempre presente, mas cuidadosamente controlada.

Os policiais podem tentar, é claro. Sempre que nos aventuramos a transportar armas ou drogas através de suas fronteiras, há o risco de conflito. No entanto, eles estão cientes de que não ficaremos de braços cruzados diante de qualquer interferência. Se optarem por nos desafiar, estarão declarando guerra contra nós. E, como bem sabem, não recuaremos diante de uma batalha. O que nos diferencia não é apenas a força bruta, mas também a astúcia e a determinação em proteger nossos interesses a qualquer custo. A guerra não é uma opção que tomamos de ânimo leve, mas se for necessário, estaremos prontos para lutar até o fim.

Deixo o banheiro para trás e me dirijo ao guarda-roupa, buscando algo para vestir. Opto por uma calça jeans preta e uma camisa preta, complementadas por uma jaqueta de couro da mesma cor. Vou de luto nessa merda, refletindo meu estado de espírito sombrio.

Com o celular em mãos, saio do quarto e vejo as chamadas perdidas do Yenki. Solto um suspiro resignado, pressentindo que problemas estão a caminho. Não demora muito para eu retornar a ligação para ele.

— Axel? — Sua voz soa do outro lado da linha.

Bufo com sua pergunta óbvia.

— Não, aqui é a alma dele, quer deixar alguma mensagem? — Minha resposta vem carregada de sarcasmo, uma forma de autopreservação diante da inevitável tormenta que se aproxima.

Ele solta um suspiro cansado.

— Nem a essa hora da manhã, você deixa de ser sarcástico.

— É um dom. Agora, o que você quer? — Minha impaciência transparece em cada palavra, enquanto me preparo para o que quer que seja que ele tenha a me dizer.

Mais um suspiro ecoa do outro lado da linha.

— Acho que fiz merda.

Pelo amor de Deus, tudo o que eu queria era um pouco de paciência.

A irritação toma conta de mim enquanto ouço as palavras de Yenki.

— O que diabos você fez, cara?

Minha voz transborda de raiva contida.

— Lembra que estávamos precisando de alguém para contratar pessoal, para ficar de guarda nas boates, nos cassinos... — Ele tenta explicar, mas eu o interrompi bruscamente.

— Fala de uma vez, droga! O que exatamente você fez?

Minha impaciência atinge seu ápice. Estou à beira de perder o controle.

— Eu contratei um garoto... — Sua voz soa apreensiva.

Solto um longo suspiro, tentando conter minha fúria crescente.

— Hum? — minha resposta é um grunhido desanimado.

— E ele só contratou estupradores e pedófilos.

Minha mente parece congelar por um instante diante dessa revelação repugnante. Então, todo o meu autocontrole desmorona.

— Vai se ferrar, seu idiota! Que diabos você fez, caralho!!? — explodo em um palavrão em outro idioma, deixando escapar toda a minha frustração e revolta.

— O que? — a voz de Yenki soa confusa do outro lado da linha.

Respiro fundo várias vezes, tentando recuperar minha compostura.

— Irei relatar tudo para o chefe e depois eu chego aí.

— Tudo bem... Sinto muito, Axel. — sua voz soa arrependida.

— O que passou, passou.

Sem dar-lhe a chance de responder, desligo na cara dele, deixando-me sozinho com minha raiva borbulhante e a necessidade de resolver mais um problema criado por minha equipe.

Respiro fundo várias vezes, tentando controlar a tempestade de emoções que ameaça me consumir. Nego com a cabeça, irritado com a situação, e sigo até a cozinha, onde uma montanha de pratos sujos me aguarda. Não tenho tempo para isso, mas também não posso ignorar minhas responsabilidades domésticas.

Tomo o café da manhã às pressas, com a mente já focada em resolver o problema criado pelo garoto. Só espero que o chefe não decida me mandar matar o Yenki. Apesar de todas as suas falhas, ele tem sido útil em algumas situações.

Saio de casa e entro no meu novo carro, substituto do anterior que precisou ser incinerado para eliminar qualquer evidência do último trabalho sujo que executei.

Ao dar partida em direção à casa do chefe, observo atentamente as ruas de Zefinópolis. Apesar de ser conhecida por sua agitação e violência, há momentos de calmaria que contrastam com a imagem geral da cidade. O nome oficial deste lugar é Cidade do Vale, uma região marcada por um clima predominantemente ameno. Aqui, as estações do ano parecem se fundir em um padrão quase constante de sol, raramente interrompido por chuvas torrenciais que transformam o chão em uma pista de patinação.

Os prédios imponentes da Cidade do Vale se erguem majestosos, testemunhas silenciosas da intensa atividade que pulsa em suas ruas movimentadas. É um lugar onde o movimento é constante, onde cada esquina conta uma história e cada sombra esconde segredos que apenas os iniciados podem compreender.

Mas mesmo com tudo isso, eu amo essa cidade.

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