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Capa do romance Forever

Forever

No meio do oceano, George avista Lívia em um pequeno barco e inicialmente acredita ser uma alucinação causada pelo álcool. Contudo, a presença dela é real e desesperadora. Movida pela ambição de vencer um concurso fotográfico, Lívia arriscou tudo, mas agora enfrenta um motor quebrado e a fúria das ondas. À deriva e sem controle, o pânico toma conta da jovem, que se vê diante do terrível medo de morrer afogada em meio à imensidão azul do mar aberto.
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Capítulo 2

Assim que chegamos no porto ele ancorou o iate e eu desci, nem acreditei que estava em terra firme, minhas pernas ainda tremiam sem parar.

Vi uma menina vir correndo na direção do barco com os braços abertos.

- Tio George! Tio George!

Ela pulou nos braços dele e o abraçou enquanto ele brincava com ela no ar, ali estava a outra face de um homem completamente diferente do que eu tinha conhecido, George de fato era uma caixinha de surpresas, irritante, porém muito misterioso e intrigante também.

- Tio George, essa moça é sua namorada?

- Não querida, vá indo para casa e eu já logo vou.

Ele a soltou no chão e depois que a menina tinha ido se aproximou de mim.

- Acho que você se vira agora, não é?

- Sim, obrigada por sua ajuda...

- Ok.

Nada de beijos, abraços ou demonstrações de afeto, apenas um “ok” grosso descompromissado e vazio.

Ele me deu as costas e seguiu na direção contrária a minha, mas por que será que eu estava tão desolada? Certamente seria por que eu não estava satisfeita com aquela despedida, aquilo poderia ter terminado muito melhor, não estava acostumada a ser tão facilmente ignorada por um homem, suspirei, porém talvez fosse melhor assim, George não era um homem para mim, nossas energias não combinavam muito bem.

George chegou à casa de praia dos pais e se dirigiu até a piscina, onde seu padrasto preparava um churrasco acompanhado de sua irmã e sua mãe.

Margaret olhou para o filho que tinha se aproximado.

- Analu veio correndo cheia de novidades, disse que estava acompanhado de uma moça belíssima, por que não a convidou para almoçar conosco?

George lançou um olhar raivoso para a sobrinha que agora tinha se escondido atrás de sua irmã.

- Analu fala demais, não havia ninguém comigo.

George deu às costas a mãe voltando para dentro da casa, precisava de um banho para se livrar da água do mar.

Margaret olhou para Analu.

- Para onde a moça que viu foi?

- Não sei vovó, eles conversaram um pouco só e ela seguiu para a direção contraria dele.

- Pois volte lá e veja se a encontra, se a encontrar diga a ela para vir almoçar conosco, diga a ela que foi George que a convidou.

- Mamãe! – Reclamou Suzana ao perceber que a mãe estava inventando mentiras.

- Não me repreenda Suzana, mais do que eu sabe que George precisa para de se martirizar e arrumar alguém que acabe com o mau humor dele, quem sabe essa garota não é a saída.

Suzana balançou a cabeça, sua mãe e4stava sempre tentando fincar George nos braços de alguma mulher, mal sabia ela que isso só o deixava ainda mais irritado.

Eu cheguei a um bar que ficava na beira da praia e pedi um peixe frito e uma cerveja, sentei-me calmamente observando a paisagem.

- Que lugar mais lindo! Estou apaixonada!

Foi então que vi uma menina vir correndo em minha direção, demorei um tempo para reconhecê-la, mas logo vi que se tratava da mesma menina que tinha abraçado George.

- Oi...

- Olá pequena.

- Meu titio mandou chamá-la, disse que gostaria que almoçasse conosco.

- É sério isso? – Desconfiei.

- Sim!

Ela me garantiu sorrindo, eu sorri de volta e me levantei cancelando o pedido e a seguindo, quem diria que existia um coração dentro daquele peito de ogro, pelo visto ele tinha percebido que tinha sido muito grosseiro comigo e queria se desculpar.

Assim que cheguei a tal casa de praia me senti um peixe fora d’agua, aquele lugar era muito mais requintado do que eu estava acostumada, vi suas mulheres bem vestidas me olharem com interesse e sorrirem.

- Olhe só ela veio! E Analu não mentiu em nenhum detalhe, ela é lindíssima!

Eu sorri sem graça.

- Obrigada.

A mulher caminhou até mim e me abraçou carinhosamente.

- Sou Margaret, mãe do George, e você como se chama querida?

- Lívia.

- Que nome lindo.

Agradeci novamente me sentindo muito sem graça a mulher era de fato simpática, porém eu não estava vendo George, onde ele estaria? Se ele tinha mandado me chamar por que não estava me esperando chegar?

Nessa hora George veio de dentro da casa sacudindo os cabelos molhados, seus olhos se estreitaram me olhando, porém de um jeito bem ruim, me puxou pelo cotovelo me levando para o lado.

- Que diabos está fazendo aqui?

Eu gaguejei ficando desconfortável.

- Sua sobrinha disse que mandou me chamar.

Ele olhou para a pequena Analu que voltou a se esconder atrás de Suzana.

Margaret por sua vez saltou na frente.

- Não, fui eu quem mandou.

- Mãe... Nem conhece essa mulher!

- Melhor ainda, vejo aqui uma ótima oportunidade de conhecer, agora fique calado e Lívia querida sinto muito pela grosseria de meu filho, apenas o ignore como eu.

George balançou a cabeça ficando visivelmente irritado e então se afastou, eu o observei se afastar sem graça e me afastei um pouco também sem saber como interagir com aquelas pessoas.

- Não liga para ele. – Disse Suzana se aproximando de mim, ela me estendeu a mão me cumprimentando. - Deixa eu me apresentar como deveria, sou Suzana, sou irmã mais velha daquele grosseirão ali.

- Sou Lívia.

- Como foi que conheceu meu irmão?

- Bom, ele meio que me salvou mais cedo, mas pelo visto já está arrependido.

- Salvou? Como assim, tenho um herói na família? Devo fazer um alarde?

- Não, por favor, ele já está muito irritado com a minha presença, não será divertido se você falar qualquer coisa agora.

- Como foi que ele salvou você?

- Eu estava velejando e meu barco estragou. – Menti, não iria dizer que saí feito uma maluca com um barco sem remos ou gasolina. – Se ele não tivesse aparecido e me socorrido eu teria virado comida dos corvos.

- Nossa! Quanta bravura! Estou impressionada com o senhor George, ele normalmente não é tão generoso.

Eu comecei a rir.

- Ele também me salvou de morrer afogada, pulou no mar para me resgatar quando eu caí na água.

Suzana pareceu ficar impressionada.

- Terei que me controlar com essa, mas estou realmente muito impressionada, e acredite eu conheço muito bem o meu irmão ele pode parecer estar chateado, mas se ele te salvou então acredito que ele se importe e faz muito tempo que ele parou de se importar, se de repente você conseguiu despertar o interesse dele a ponto dele te socorrer, pode acreditar em mim, você é importante.

Eu olhei de canto para ele que estava de costas cortando alguns petiscos, queria poder acreditar em Suzana porque não era a apenas a aparência, tinha algo nele que me atraia feito um imã.

- Por que não vai lá falar com ele? Quem sabe agora com mais calma e sem a pressão da mamãe, vocês não se acertam.

Eu sorri e me levantei sim isso poderia funcionar.

- Oi... – Eu disse me aproximando ainda sem graça. – Me desculpe por ter vindo assim, eu realmente achei que você tinha mandado me chamar.

Ele se virou para mim observando as sandálias na minha mão.

- Você fica realmente pequena sem saltos.

Eu sorri sem graça, sim eu era muito baixa, gostava de dizer que eu tinha 1m e 55 cm, porém a verdade é que era 1m e 53 cm, por mais que fossem dois centímetros apenas de diferença, aqueles dois centímetros sempre me irritavam, eu era praticamente uma anã.

Já George era muito alto, eu não sabia dizer ao certo, mas imaginava que ele tinha pelo menos 1m e 85 cm.

- Vou ver isso pelo lado positivo, quando eu estiver perto de você, estarei na sombra.

- Perto de mim? – Ele caçoou. – Acredite querida, depois desse dia não espero mais ter que vê-la, o que aconteceu hoje foi um incidente desagradável.

Todas as minhas esperanças de manter algum contato com ele morreram ali mesmo, meu coração se fechou por completo depois dessa.

- Desculpe, não pensei que causaria tanto desgosto a você vindo aqui, eu só não quis magoar a sua sobrinha dizendo não.

- E desde quando uma mulher como você se importa com uma criança?

Aquilo me acertou em cheio, ser grosseiro e até mal educado tudo bem, mas querer me julgar sem nem ao menos me conhecer era um pouco demais, quem ele pensava que eu era?

Fechei os olhos com raiva tentando esconder uma lágrima, porém ela teimosamente escorreu pelo canto da face, apontei o dedo na cara dele e gritei o mais alto que pude.

- Nunca mais haja como se me conhecesse! Você não me conhece e não sabe quem eu sou para tirar suas conclusões sujas e estupidas sobre mim! Babaca!

Todos olharam para nós e eu peguei minha bolsa enfurecida e saí, só tinha me arrependido de não ter ficado no bar com meu peixe frito e minha cerveja, isso que dava me deixar levar pelas aparências, aquele homem não merecia um segundo do meu tempo.

Margaret caminhou furiosa até o filho.

- O que foi que você fez agora?

- Nada oras, ela é quem é louca!

- Não seja cínico! Que eu não o criei dessa forma! Agora pare de agir com infantilidade e vá se desculpar com ela!

George bufou indo atrás de Lívia, mas quando chegou na frente da casa a viu entrar em um táxi e sair.

“Dane-se” pensou... Ele nunca mais a veria mesmo, que diferença fazia se desculpar ou não.

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