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Capa do romance Forasteiro Abastado - Recompensa Maldita

Forasteiro Abastado - Recompensa Maldita

Dione chega à Nova Filadélfia para buscar um prêmio do destino e presentear a filha, Marina, em seu aniversário. Carregando a culpa de ter sido um pai ausente, ele vê no dinheiro a chance de um recomeço honesto. Contudo, a fortuna atrai ganância e perigos inesperados. Entre a adrenalina de Mercedes e a sedução de Lisa, o forasteiro enfrenta dilemas amorosos que o forçam a confrontar o passado e buscar uma redenção profunda para orgulhar sua pequena.
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Capítulo 3

Dione vendo o estado da filha ainda em choque pelo pesadelo, tentou lhe acalmar.

__ Vem cá... deixa eu te dar um abraço. - Ele a chamou com uma das mãos. Ela hesitou por algum momento. Ainda tinha o sentimento de ódio deixado pelo pesadelo bagunçando seus pensamentos. Por fim, decidiu que precisava daquele abraço.

__ Sonhei que você matava a mamãe. Foi horrível pai... - Disse o abraçando e chorando se lembrando das cenas que pareciam bem reais.

__ Shiu... Não precisa ficar assim. Foi apenas um sonho bobo. - Depois de um reconfortante abraço, Dione a afastou de seu corpo, segurou seu rosto com as duas mãos e enfatizou:

__ Marina, eu não matei sua mãe. Coloque isso na sua cabeça. Ela nos abandonou e é somente nisso, unicamente nisso que deve acreditar...

- Deu uma pausa ao ver o olhar de dúvidas da filha e completou: __ ...Pois essa é a única verdade.

__ Isso nunca se passou pela minha cabeça pai. Como você disse: Foi apenas um sonho. - Pareceu suspeita ao tentar se justificar.

__ Mas quando a gente sonha com certas coisas é por que já pensamos de mais sobre elas. - Falou Dione a soltando, com um semblante desgostoso, pegando uma garrafa d'água e a entregando.

__ Eu sei que nunca faria isso. Acredita em mim pai! Eu sonhei isso do nada. - Falou desenroscando a tampa.

__ Está bom então. Eu acredito em você. - Olhou em seus olhos e forçou um sorriso. - Ele tinha quase certeza que a filha já havia imaginado essa possibilidade, já que o sumiço da esposa, ainda era uma incógnita até mesmo para si. __ O cansaço físico nos faz ter pesadelos. Você precisa dormir mais um pouco, se esforçou demais com a mudança.

__ Não estou com sono. Só queria que amanhecesse logo, ou que aparecesse uma boa alma para nos tirar da estrada. - Disse a filha para o pai, fitando a escuridão do lado de fora e dando um gole na água da garrafa.

__ Maldita hora que esse caminhão foi quebrar! O Beto é o culpado, tenho certeza que não fez as revisões necessárias! - Dione exclamou batendo a mão fechada sobre o volante.

Ele havia pego caminhão emprestado com um amigo para fazer mais uma mudança. Já estava acostumado com essas mudanças repentinas, mas não se agradava de ter que envolver a filha nas suas paranoias ou casos mal resolvidos do passado. Pensava na segurança da garota, não querendo que ela sofresse as consequências de seus atos muitas vezes impensados. Já estavam a algumas horas na estrada. Aquela hora bem no meio do nada, só lhes restavam aguardar ou contar com a sorte.

__ Não reclama pai, ele fez muito em nos emprestar seu caminhão. - Marina defende o bomdoso amigo.

__ Você está certa. - Diz se virando para ela e em seguida sorrir sem mostrar os dentes. __ Bom, eu também não estou com sono. Sabe de algum jogo legal para passarmos o tempo? Quer conversar sobre algo? Colocar o papo em dia?

O pai questiona esperando a resposta e a filha o fita por alguns poucos segundos antes de se virar para frente e novamente dar mais um gole na garrafa.

__ Como anda sua vida sentimental? Está afim de alguém? Se estiver, está tudo bem pra mim. Só não me venha dizer que se apaixonou por algum noiado, ou algum babaca, isso eu não admito.

Dione se sentia um completo idiota ao tentar fazer o papel de mãe. Sabia que nunca conseguiria desempenhar muito bem essa tarefa, mas mesmo assim arriscava as vezes.

__ Por que não me fala da tia Cristina e da vez que você e o ex namorado dela, tiraram a vida daquela garotinha quando invadiram a casa dos pais dela para roubar? - Marina, sugeriu, se virando para ele e acompanhando sua reação.

Dione engoliu em seco. "Por que tinha que tocar nesse assunto logo agora?!" Se perguntou. Em seguida tomou a garrafa das mãos da filha e parecendo querer disfarçar seu nervosismo, deu um longo gole em seu conteúdo.

As lembranças daquela maldita noite desfilaram em sua mente como um filme. Cristina sua irmã, devia aos traficantes e para salvá-la da morte, decidiu assaltar a casa dos patrões dela com a ajuda de seu namorado Charles.

11 anos antes. Serra branca, leste do país. 23:00.

Charles Peterson...

Tinha tudo pra ser um plano perfeito, mas tudo deu errado naquela noite. A família não havia ido para o sítio como Cristina havia dito a eles. Eles os fizeram de refém. A garotinha filha do casal, estava muito assustada. Chorava sem parar. Charles a mandava calar aos berros mas isso só piorava as coisas. Dione conversou com jeito com ela, e ela se calou. Charles se irritou ainda mais, ao descobrir que o cofre estava vazio. Deu um sopapo no pai que o fez cair para trás desacordado, e em seguida atirou na cabeça da garotinha depois de ouvi-la começar a chorar e a gritar novamente.

Dione vendo a crueldade que o amigo fizera, tomado de revolta, o acertou no rosto com um soco o fazendo cambalear e se segurar na penteadeira para evitar sua queda.

"SEU MISERÁVEL! ZERO MORTES, EU FALEI!"

Dione segurou a gola da camisa do homem, enquanto ele sangrava pelo nariz.

" ELA É APENAS UMA CRIANÇA! UMA CRIANÇA! SEU MONSTRO! DASGRAÇADO!"

Dione soltou Charles e caiu de joelhos próximo ao corpo da criança sem vida no chão. Chorou amargamente imaginando que poderia ser Marina ali.

Inusitavelmente a única coisa que estava ali no interior no cofre era um buquê de rosas e um bilhete, com uma declaração de amor para Cristina... Charles após ler o pequeno papel, riu com deboche, o amassou e o jogou com ira junto ao buquê sobre o homem que já se despertava ao chão.

Do lado de fora, as sirenes logo soaram anunciando a chegada da polícia. Charles chamou Dione para caírem fora, mas parecia paralisado e não conseguia se mover. O desespero do pai em pranto ao ver a filha morta com uma bala na cabeça o petrificou no lugar. Charles continuava a gritar com o amigo o incentivando a fugir e como não via resultados, começou a puxá-lo mas Dione por um ato impensável talvez, estava decidido a ficar.

Charles conseguiu escapar. Dione se entregou para a polícia. Ficou preso por um ano esperando o julgamento. Foi acusado por roubo e por participação no assassinato. Não sabia o porquê, mas poderia imaginar, pra sua surpresa o pai da garotinha testemunhou ao seu favor. Pegou quatro anos por roubo, mas a pena foi reduzida pois entregou o assassino da garotinha. Charles está preso agora.

Agora mesmo....

__ Eu não matei ninguém, você sabe muito bem disso! - Dione repreende a filha ao ver que o incluía como assassino da menina.

__ Desculpa pai, eu sei que foi o cretino do ex da tia Cristina. Por culpa dele, ela está morta agora! - Cerrou os punhos.

__ Eu tentei salvá-la, filha! - O pai transmitia verdade.

__ Eu acredito pai. - Sorriu para ele com ternura. __ Tem medo que Charles saia da cadeia e queira se vingar de você por ter o entregado?

__ Não temo por mim... - Deu uma pausa e completou: ...temo por você. - Respondeu preocupado a fitando nos olhos. Marina engoliu em seco.

__ Quem a matou na verdade?

__ Não se sabe ao certo... Charles , talvez os traficantes... Perdi um amigo e uma irmã por causa disso. Repugno e odiarei todo e qualquer tipo de traficante até o último dia da minha vida! - Disse indignado.

11 anos atrás... Serra branca. 9:00.

Dois dias depois do desastroso assalto, e da prisão do irmão, numa manhã bem cedo, Cristina estava aflita em casa. Não sabia como seria sua vida de agora em diante. Tinha a responsabilidade de cuidar da sobrinha, mas temia pelo futuro dela, pois a dívida com os traficantes ainda estava de pé.

As olheiras denunciavam a noite em claro. Enquanto velava o sono da sobrinha que dormia no sofá da sala, segurava trêmula uma xícara de café. já estava ciente da prisão do irmão e do desastre que acabou sendo aquela tentativa de assalto. Deixou a xicara cair de suas mãos e se quebrar ao chão derramando o liquido negro, ao ouvir batidas na porta. Eram de três uma...

A polícia que veio para lhe prender, Charles seu namorado, ou a pior das hipóteses, os traficantes vindo para acertar as contas, pensou. Olhou pelo olho mágico; vendo quem era, imediatamente começou a girar as chaves. Abriu a porta e olhou com espanto o homem parado à sua frente. Não esperava por ele.

__ Senhor Tavares?! - Falou quase num suspiro.

O seu patrão e pai da garotinha morta estava em sua porta. Um homem magro de quarenta e dois anos, cabelos grisalhos e bem penteados.

__ Por que, Cristina? - Questionou, com olhar ainda carregado de tristeza pelo luto.

__ Me perdoe Senhor Tavares, eu não queria que nada disso tivesse acontecido. O senhor sabe o quanto eu amava a Laurinha... Eu... sinto muito por ela... - Dizia desesperada e em pranto abraçando o homem e molhando a camisa em seu peito com as lágrimas que começavam a rolar.

__ Entenda, eu estava desesperada, entre a vida e a morte e ainda estou!

__ Por que você não se abriu comigo, nada disso deveria ter acontecido... - Falou o homem lhe afastando, segurando o seu rosto com as duas mãos e fitando aquele par de olhos azuis, agora carregados de desespero.

__ É uma quantia muito alta, como poderia ter lhe pedido algo assim? - Explicou a mulher.

__ Dinheiro para mim não é problema. Eu a ajudaria com imenso prazer.

__ Mas agora tudo está perdido. Eu sou uma estúpida! Sua filha está morta e eu sou a culpada por isso! - Cristina chorava ainda mais.

__ Acalme-se! - O patrão pedia com a voz mansa.

__ Por favor senhor Tavares, me prometa uma coisa... Olhe... essa é minha sobrinha Marina, filha de Dione meu irmão. Ele se arrependeu do que fez, e se entregou para a polícia. - Se afastou, e mostrou a garota dormindo profundamente no sofá. Tavares foi até ela.

__ Como ela é linda! - Percebeu que trazia muitas lembranças da filha.

__ Prometa que se algo acontecer comigo, o senhor vai cuidar dela? - Tavares apenas intercalava o olhar entre a mulher e a criança no sofá e permanecia em silêncio.

__ Cristina, eu... minha esposa ela... - Tentou dizer que sua esposa jamais aceitaria isso, a essa altura já estava ciente de uma possível traição do marido.

__ PROMETA! - A mulher gritou para ele. __ O senhor é a única pessoa com quem posso contar, vamos, prometa para mim! - As lágrimas voltavam a rolar sem controle e a molhar ainda mais o rosto da mulher que temia por uma resposta negativa do homem que engolia em seco aumentando a sua angústia com aquele tortuoso silêncio. __ Eles vão me matar... - Falou baixo, fechando os olhos e forçando as lagrimas a saírem pressionadas pelas pálpebras.

__ Ninguém vai fazer mal a você. Eu não permitirei... - Cristina abriu os olhos. Tavares segurou o maxilar da moça com delicadeza e começou a beijá-la. Após o beijo, Cristina questionou:

__ Por que fez isso? Está se aproveitando da minha fragilidade?

__ Ainda não percebeu que eu te amo? - Tavares sorria embobo, segurando as mãos da mulher e fitando seus olhos. __ Desde o primeiro momento em que eu te vi, senti algo muito forte por você.

__ Quando estava sob efeito das drogas ou até mesmo do álcool, você me dava atenção, conversava comigo e até disse uma vez que me achava bonito e que eu merecia alguém melhor ao meu lado do que perpétua, minha esposa. - Sorriu. __ Numa noite você estava tão alucinada que subiu sobre o meu corpo e queria que transasse com você a qualquer custo. Recusei. Era tudo que eu queria, mas não nessas circunstâncias. Ontem vi que você me observava abrir o cofre e propositalmente digitei bem devagar a senha, pois sabia que queria decorá-la. Não deixei dinheiro pra você, mas sim um buquê de rosas e um bilhete onde me declarava e dizia que lhe daria a grana para pagar os desgraçados que lhe ameaçam de morte. Esperava que fosse você a abrir aquele cofre.

__ Como a polícia soube do assalto? Já havia alertado ela antes? Se iria me arranjar a grana, por que fez questão da presença deles?! Senhor Tavares... O senhor iria me entregar? - O olhou de esguelha.

__ Não! Claro que não. - Sorriu. __ Eles taparam a boca de minha sogra por ter dado uma crise de pânico. A amarraram pés e mãos, e a trancaram num cômodo. Eles pensaram ser minha esposa. Perpétua conseguiu sair pela porta dos fundos sem ser notada e ligou para a polícia.

__ Minha nossa! Que tola que eu fui... __ Eu vou sair dessa vida! Eu estou mudando, eu juro que vou mudar! - Falou forçando um sorriso.

__ Eu acredito em você. - Se aproximou dela e segurou firmemente suas mãos.

__ Eu não disse que o achava bonito só por que estava sob o efeito das drogas, eu realmente te acho bonito. Percebi que o senhor me olhava diferente e que até gostava de mim. Pensava ser só coisa da minha cabeça, afinal de contas você é um homem casado e jamais destruiria a sua família.

__ Topa fazer uma loucura e sumir no mundo comigo Cristina?! - Tavares falou com entusiasmo.

__ O que?! co-como assim?! - Cristina queria entender, mas pelo olhar, parecia ter gostado da ideia, afinal, precisaria mesmo de um refúgio se não quisesse ser morta.

__ Eu perdi minha filha e meu casamento está em crise. Quero deixar tudo para trás e ir embora com você! Nós três, você, eu e sua sobrinha. O que acha?! - Sorria em bobo.

Cristina não lhe deu resposta, apenas começou a beijar o homem loucamente. Sabia que todos os seus sentimentos estavam um tanto confusos, mas beijá-lo naquela hora, era tudo que queria.

Tavares agora estava próximo ao sofá onde Marina dormia e Cristina de costas para a porta que ainda estava aberta. Após o beijo, Cristina abraçou Tavares e falou:

__ Eu aceito... Sim, eu aceito fugir com você! - Falou com entusiasmo com um largo sorriso no rosto.

__ Então arrume suas coisas e vamos logo antes que...

Tavares se calou ao ouvir o barulho de um tiro e o gemido de Cristina que amoleceu o corpo em seus braços e arregalou os olhos.

__ CRISTINA, NÃOOOO! - Gritou desesperado ao ver o assassino(a) de sua amada com a arma em punho, do lado de fora.

Agora mesmo...

Marina adorava falar sobre a tia amada e relembrar aquela história.

__ Quer se tornar algum tipo de justiceiro? Se quiser, você já tem uma aliada. Seria um prazer ver quem tirou a vida da tia Cristina, pagar pelo que fez! - Falou cerrando o punho mais uma vez.

__ Entendo a sua revolta, mas fique tranquila, ainda vou descobrir o responsável por isso.

__ Você ainda carrega ela, a bala? - Marina perguntou fitando o peito do pai.

__ Nunca deixei de usar... - Dione falou retirando de dentro da gola de sua camisa, uma corrente de prata com uma bala na ponta, à deixando a mostra.

__ O projétil que tirou a vida da tia Cristina! - Marina comentou admirada sem tirar os olhos da corrente.

__ O responsável por isso, morrerá com a mesma bala na cabeça. - Dione falou com revolta.

__ Sim. Faça isso por ela. Tia Cristina merece descansar em paz.

__ Ela descansará. - Disse com convicção.

__ Mamãe me abandonou, tia Cristina foi morta e você foi preso. Ficar sozinha em um maldito orfanato não foi nada fácil pra mim. Foram os quatros piores anos da minha vida!

__ Eu sinto muito por isso filha. A culpa é minha. Eu fui um inconsequente. Prometo que daqui pra frente será tudo diferente. Em fim você terá orgulho de mim. - Falou com pesar.

__ Por ela ter te deixado eu compreendo, mas ter me abandonado, isso eu não perdoo! Até acho que você poderia...

__ Shiu... - Dione pede silêncio ao escutar vozes exaltadas vindas do lado de fora da boleia.

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