Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Fome e Amor: Uma Conexão Eterna

Fome e Amor: Uma Conexão Eterna

Desde os sete anos, convivo com a fome constante. Ao vencer um concurso de desenho, ganhei um frango assado, mas meus pais comeram tudo sozinhos, ignorando meu esforço e minha necessidade. A dor do desprezo foi pior que o estômago vazio. Naquela noite, após roubar vegetais da vizinha para me alimentar, fiz um juramento sob o luar: nunca mais dependeria de ninguém para saciar meus desejos ou garantir minha sobrevivência física e emocional.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 3

No dia seguinte, na escola, a menina que sentava do meu lado, a Lúcia, abriu um pacote de bolacha recheada. O cheiro de chocolate invadiu o ar.

Eu engoli em seco. A fome, minha velha companheira, se remexeu no meu estômago. O tomate e o milho da noite anterior já eram uma memória distante.

Lúcia me viu olhando.

"Quer uma?"

Ela me estendeu uma bolacha. Tinha um recheio de chocolate grosso, quase preto.

Eu hesitei. Ninguém nunca me oferecia nada. Minha primeira reação foi desconfiar. Mas a fome venceu.

Peguei a bolacha. "Obrigada."

Comi devagar, aproveitando cada pedacinho. O açúcar derreteu na minha língua, uma sensação quase esquecida.

"Gostou?", ela perguntou, sorrindo.

"Sim. Muito."

No outro dia, ela trouxe um sanduíche de queijo e me deu um pedaço. No dia seguinte, uma maçã. E assim, uma amizade nasceu, alimentada por lanches compartilhados.

Eu me sentia estranha. Feliz por ter uma amiga, feliz por comer algo diferente todo dia. Mas também sentia uma pontada de vergonha. Eu não tinha nada para oferecer em troca.

Essa sensação começou a me incomodar. Eu não queria ser só a menina que recebia. Queria dar alguma coisa também.

Então, a ideia veio. Uma ideia perigosa.

O dinheiro da merenda.

A prefeitura dava um pequeno valor para cada aluno, que a gente usava para comprar um lanche na cantina da escola. Minha mãe sempre pegava o meu dinheiro. Dizia que era para "ajudar nas contas de casa", mas eu sabia que ia para o bolso do meu pai ou para comprar alguma coisa extra para o Pedrinho.

Eu nunca tinha visto a cor daquele dinheiro.

Mas eu sabia que a diretora entregava os envelopes com o dinheiro para os pais uma vez por mês, na reunião.

No dia da reunião, eu bolei um plano. Falei para minha mãe que a reunião tinha sido cancelada e remarcada para a semana seguinte. Ela acreditou, mal prestava atenção no que eu falava.

Fiquei escondida perto da sala da diretora. Vi os pais saindo, um por um, com os envelopes brancos na mão.

Quando minha mãe não apareceu, a secretária guardou o meu envelope numa gaveta.

Esperei a escola ficar vazia. A porta da secretaria estava só encostada. Meu coração batia tão forte que parecia que ia sair pela boca. Entrei. A gaveta estava destrancada. Peguei o envelope com o meu nome: Maria.

Corri para o banheiro e abri. Dentro, algumas notas de dinheiro. Parecia uma fortuna.

No dia seguinte, antes da aula, fui até a padaria. Com o meu dinheiro, comprei o doce mais caro que tinha na vitrine. Um sonho, cheio de creme, coberto de açúcar.

Entreguei para a Lúcia na hora do recreio.

"Pra você."

Os olhos dela se arregalaram. "Nossa, Maria! Que lindo! Mas não precisava!"

"Eu quis te dar."

Ela comeu o sonho com gosto, e eu me senti a pessoa mais rica do mundo. A sensação de dar era ainda melhor que a de receber.

Mas a felicidade durou pouco.

Naquela noite, minha mãe chegou em casa furiosa.

"MARIA!"

O grito dela ecoou pela casa inteira. Ela segurava um cinto de couro na mão. O cinto do meu pai.

"A diretora me ligou. Onde está o dinheiro da merenda?"

Eu gelei.

"Eu não sei do que a senhora está falando."

"Não sabe? Mentirosa! Ladra! Roubando dentro da escola! Que vergonha!"

Ela me arrastou para o meio da sala. Meu pai e Pedrinho assistiam, como se fosse um programa de televisão.

A primeira cintada acertou minhas costas. Doeu. Uma dor aguda, queimando.

A segunda, nas pernas.

"Você vai aprender a não roubar! Vai aprender a não mentir!"

Eu caí no chão. Ela continuou me batendo. A fivela do cinto arranhou meu braço.

Mas algo estranho aconteceu.

Enquanto a dor explodia pelo meu corpo, um pensamento claro surgiu na minha cabeça.

Atrás do sofá, caído no chão, estava o papel que embrulhava o sonho que eu dei para a Lúcia. E no papel, ainda tinha um pouco do açúcar que caiu do doce.

Enquanto minha mãe gritava e o cinto estalava na minha pele, eu me arrastei, devagar, em direção ao sofá.

Fingindo me encolher de dor, estiquei a mão e passei o dedo no açúcar.

Levei o dedo à boca.

O gosto doce se espalhou na minha língua.

Naquele momento, em meio aos gritos e à dor, eu sorri.

Continue assistindo!
A história está ficando intensa! Mude para o App para continuar
Desbloquear Todos os Episódios
Abrir o Site Oficial

Você pode gostar

Capa do romance 7 CHAVES
9.7
Felipe carrega o trauma de perder a mãe na infância, culpando a paixão dela por seu pai pela tragédia ocorrida. Convencido de que amar é uma loucura perigosa, ele decide viver isolado e jura nunca entregar seu coração a ninguém. No entanto, sua determinação é testada quando percebe que sentimentos profundos não podem ser controlados pela razão. Agora, o homem que evitava conexões deve enfrentar a realidade de que o amor ignora qualquer promessa de solidão.
Capa do romance A Coragem de Desmascarar
8.6
Após receber a notícia da morte trágica de seu irmão Miguel por suposta overdose, a protagonista depara-se com a frieza absoluta do marido, Pedro. Mais preocupado com uma promoção do que com o luto, ele exige sua presença em um jantar de negócios. Desolada e desconfiada, já que o irmão estava recuperado, ela decide abandonar o casamento tóxico. Convencida de que Miguel foi vítima de algo sinistro, ela inicia uma busca perigosa para desmascarar o monstro por trás dessa farsa.
Capa do romance A vingança é doce quando você é uma zilionária
8.7
Expulsa de casa, Harlee descobre que é adotada e teme o reencontro com seus pais biológicos, temendo a pobreza e o desprezo. Contudo, a realidade a surpreende: seu verdadeiro pai é um zilionário que a adora. Enquanto críticos esperavam seu fracasso, ela conquista patentes bilionárias e se destaca na astronomia nacional. Agora, cercada pelo afeto da família e admirada por magnatas, Harlee transforma sua trajetória em uma lenda de sucesso e poder absoluto.
Capa do romance Julian, Sempre fui sua.
8.6
Julian reivindica cada parte de Eloíse, de sua alma aos seus beijos, prometendo retornar para buscar sua amada. Mesmo distantes, ele se declara seu dono eterno, implorando que ela o espere. Eloíse, por sua vez, confessa que ele domina seus pensamentos e transformou seus dias cinzas em seus favoritos. Em uma troca de promessas intensas e marcadas por uma profunda conexão emocional, ela reafirma sua entrega total: sempre pertenceu apenas a ele.
Capa do romance LUXÚRIA
9.4
Isabella Rivera superou anos de preconceito e ofensas sobre seu corpo, tornando-se uma especialista em moda Plus Size dedicada à autoaceitação. Após uma década no exterior, ela retorna à sua cidade natal decidida a não se anular por ninguém. Embora evite romances após traumas passados, a volta desperta uma atração avassaladora pelos irmãos Reed. Ryan e Renzo, seguranças de seu pai, compartilham esse desejo intenso, levando Bella a se entregar a uma luxúria sem limites.
Capa do romance O Último Grito do Meu Anjo
8.2
Após perder o filho Lucas em um acidente, uma mãe desperta para a traição. Pedro, seu marido, ignora o luto para consolar a cunhada Sofia, a verdadeira culpada pela tragédia após causar a colisão. Acusada injustamente e humilhada no funeral, ela descobre uma gravação da dashcam com o último grito da criança e a prova da culpa de Sofia. Agora, recusando subornos, ela busca justiça implacável no tribunal para destruir aqueles que tentaram silenciar sua dor.