
Fique comigo, minha querida
Capítulo 2
"Você ainda tem coragem de vir aqui? Que cara de pau!" Uma voz feminina repleta de sarcasmo soou de repente atrás de Emma.
Isso a trouxe imediatamente à realidade. Então enxugou as lágrimas e se virou, apenas para ver Verena Cooper parada atrás dela. Sua expressão se tornou fria imediatamente.
Verena era a madrasta de Emma. Sua beleza era de fato impressionante. Mesmo agora, na casa dos quarenta, ela mantinha uma aparência impecavelmente bem cuidada, o que a fazia parecer ter apenas trinta e poucos anos. Para completar, ela sempre se vestia de forma elegante e dentro das últimas tendências da moda.
Quando se casou com Colby Cooper, o pai de Emma, ela estava no auge da juventude e da beleza, com apenas vinte anos.
Na época, a mãe de Emma tinha acabado de falecer, mas Verena, uma das empregadas da casa, já estava grávida, e a criança que ela carregava era de Colby.
"Não precisamos da sua simpatia forçada. Essas lágrimas de crocodilo são desnecessárias", Verena disse friamente, empurrou Emma para longe e entrou na enfermaria.
Emma cambaleou para trás, mas rapidamente se recompôs e insistentemente seguiu Verena para dentro.
O rosto de Nicola se suavizou quando ela notou a aproximação de Emma. Seus olhos, antes opacos, brilharam levemente e ela a cumprimentou num tom afetuoso.
Emma caminhou até a cama de hospital com um sorriso no rosto. Ela segurou a mão de Nicola e disse: "Ouvi dizer que você estava sentindo minha falta."
Nicola assentiu com um ar ansioso. "Não nos vemos há três meses. Fiquei com muita saudade."
Emma sentiu o coração se apertar com as palavras de Nicola. Nos seus olhos, a meia-irmã era pura e gentil, e o estado vulnerável dela a fez se sentir imensamente culpada.
Ironicamente, sua rival no amor era sua irmãzinha, a quem ela amava desde a infância. Entretanto, quando Nicola adoeceu, ela aproveitou a oportunidade para forçar Ricky a se casar com ela. Em função disso, ela sempre pensava que Nicola a desprezasse por ter roubado seu amor.
Emma havia imaginado inúmeros confrontos ferozes e chegou a se preparar para eles. Para sua surpresa, no entanto, nada disso aconteceu. Em vez da raiva ou do ressentimento que ela esperava da meia-irmã, tudo que encontrou foi confiança.
Evidentemente, sua reação inusitada deixou Emma corroída pela culpa. Toda vez que enfrentava Nicola, ela se sentia uma vilã desprezível.
Seus olhos ficaram vermelhos, mas ela se forçou a sorrir e dizer: "Estou de férias agora, então tenho bastante tempo livre para passar com você."
O sorriso de Nicola se iluminou ainda mais com suas palavras. "Verdade? Isso é ótimo! Espero que você possa vir me visitar todos os dias até eu receber alta. Você faria isso por mim?"
"Claro que sim", Emma concordou prontamente.
Os olhos de Verena se estreitaram enquanto ela observava a cena se desenrolar à sua frente. Ela então revirou os olhos e encarou Emma com ódio.
Seu maxilar ficou tenso, o ressentimento estampado no seu olhar, mas ela não podia atacar a enteada diante de Nicola. No entanto, toda vez que via Emma, Verena se lembrava de quanta dor sua filha havia suportado quando Ricky se casou com Emma.
Sem outra alternativa a não ser reprimir o ódio que sentia, Verena gentilmente convenceu Nicola a dormir. Então se virou para Emma e disse friamente: "Ricky virá em breve para visitar Nicola. Se você quiser evitar um climão, sugiro que vá embora imediatamente."
Sem dizer nada em resposta, Emma ficou de pé, deu uma última olhada para Nicola adormecida e caminhou em direção à porta.
Mas assim que sua mão pousou na maçaneta, a voz de Verena soou atrás dela. "Não apareça mais aqui para ver Nicola. Como a magoou profundamente, você simplesmente não merece vê-la."
Emma apertou a maçaneta com mais força, mas não disse nada. Em vez disso, apenas abriu a porta e saiu com passos pesados. A verdade era que já estava acostumada a esse tipo de tratamento por parte de Verena.
Ela fechou a porta suavemente atrás de si e foi se sentar numa cadeira no corredor, parecendo exausta. Então escondeu o rosto nas palmas das mãos e chorou copiosamente, as lágrimas caindo como cascatas pelo seu rosto.
Nesse momento, o elevador parou no andar onde ficava a enfermaria de Nicola. No segundo seguinte, as portas se abriram e Ricky saiu. Ele ficou momentaneamente atordoado ao ver Emma chorando silenciosamente no corredor.
Emma sempre gostava de seguir Ricky desde criança, então estava muito familiarizada com os passos dele. Subitamente, ela pareceu ouvi-los, o que a levou a fungar e instintivamente enxugar o rosto coberto de lágrimas com as costas da mão.
Ricky parou diante dela, que ergueu o olhar e perguntou com um sorriso: "Veio ver Nicola?"
Ela tinha os olhos vermelhos de tanto chorar que ainda estavam úmidos. O pranto incessante havia borrado sua maquiagem, deixando-a com um aspecto desgrenhado.
"Hum", Ricky respondeu com um ar indiferente. "Você já foi vê-la?"
Emma assentiu com a cabeça. "Sim."
Talvez sua figura de fato parecesse bastante lamentável, já que Ricky lhe ofereceu algumas palavras de conforto pela primeira vez. "Não se preocupe. Nicola vai passar por um transplante de medula óssea em breve e vai melhorar."
Emma assentiu com a cabeça novamente e disse em voz baixa: "Eu sei."
Depois disso, Ricky não disse mais nada. Ele apenas se virou e abriu a porta, entrando em seguida na enfermaria.
Emma não pôde deixar de murmurar: "Cuide bem dela, por favor."
Durante dois anos, ela havia tentado de tudo, mas não foi capaz de conquistar o coração dele. Agora, havia chegado o momento de devolvê-lo para Nicola. Essa decisão pesava imensamente no seu coração, mas era a única escolha que lhe restava.
Ricky ouviu seu comentário e estacou por um momento. Então, ele disse sem olhar para trás: "Não precisa me lembrar disso. Vou cuidar bem dela."
Cada palavra sua foi pronunciada enfaticamente, evidenciando que estava zangado.
Emma se recostou na parede fria do hospital, tomada por um misto de confusão e dor. Ela simplesmente não conseguia entender. Por que Ricky parecia tão zangado com ela? Afinal, ela já não tinha assinado o acordo de divórcio?
Agora ele poderia finalmente se livrar dela e voltar para Nicola. O dia que ele tanto esperava havia por fim chegado. Ele não deveria estar feliz com isso?
Ela passou os braços em volta de si mesma em busca de algum conforto. Ricky estava realmente tão impaciente com ela? Seria possível que a odiasse tanto assim? Esses questionamentos atormentavam seu frágil coração.
Ricky já tinha entrado na enfermaria, mas Emma permaneceu algum tempo sentada na cadeira, olhando fixamente para a porta.
Nos dias que se seguiram, Emma não deixou de ir um dia sequer ao hospital para ver Nicola. No entanto, por ter plena consciência de que não era bem-vinda ali, ela não entrou na enfermaria uma única vez, se limitando a ficar do lado de fora espiando através da porta de vidro.
Nas ocasiões em que Ricky levava Nicola para passear no jardim do hospital, ela apenas os observava de longe.
Cada vez que o comportamento frio e impaciente de Ricky com Emma era confrontado com a gentileza e o calor que ele demonstrava com sua meia-irmã, ela sentia como se uma adaga perfurasse seu coração.
Isso era um claro e constante lembrete de que Nicola era a pessoa que ele realmente amava. No entanto, por mais que Emma dissesse a si mesma que esse era o curso das coisas, a dor que dilacerava seu peito não diminuía em nada.
Um mês depois, Nicola passou por um transplante de medula óssea e a cirurgia foi muito bem-sucedida. Não houve rejeição ou maiores complicações, e ela se recuperou bem. Só então, o coração ansioso de Emma pôde finalmente sentir algum alívio.
Durante todo esse período, Ricky passou a maior parte do tempo no hospital, parecendo ter simplesmente se esquecido de ir ao cartório com Emma para concluir os procedimentos do divórcio.
A essa altura, Emma já tinha visto o suficiente do cuidado gentil que Ricky dedicava a Nicola, uma ternura que ela mesma havia ansiado por muito tempo, sem nunca ter recebido. Agora, tudo o que ela queria era colocar um ponto final na história e recomeçar sua vida.
Com isso em mente, certo dia ela tomou a iniciativa de ligar para Ricky. O celular dele tocou por um longo tempo antes de finalmente ser atendido.
"O que é?" A voz fria e distante do homem alcançou o ouvido dela.
"Quando nós vamos ao cartório para a conclusão do divórcio?", Emma perguntou sem rodeios.
Ricky permaneceu em silêncio por um momento, então disse no seu usual tom indiferente: "Ainda não assinei os papéis."
Suas palavras deixaram Emma momentaneamente atordoada. Quanto tempo já havia passado? Por que ele ainda não tinha assinado o acordo de divórcio?
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