
Filho do Inimigo: O Amor Inesperado em Meio à Vingança
Capítulo 3
Na manhã seguinte, fui à clínica sozinha.
O ar condicionado era demasiado frio. As cadeiras na sala de espera eram desconfortáveis.
A Dra. Alves chamou o meu nome. A sua expressão era profissional, mas simpática.
"Eva, como estás a sentir-te?"
"Estou bem," menti.
Sentámo-nos no seu consultório. Havia modelos de plástico do sistema reprodutor feminino na sua secretária.
"Recebi os teus últimos resultados. E os do Leo."
Ela fez uma pausa, a olhar para os papéis.
"Eva, os teus exames estão perfeitos. Não há nenhuma razão física para não conseguires engravidar."
Esperei. Eu sabia que havia um "mas".
"Os resultados do Leo... bem, a contagem de espermatozoides dele é extremamente baixa. E a motilidade também é muito fraca. Para ser franca, as hipóteses de conceção natural são praticamente nulas."
O ar saiu dos meus pulmões.
Praticamente nulas.
"Ele sabia disto?" a minha voz era um sussurro.
"Sim. Nós discutimos os resultados com ele há mais de um ano. Sugerimos várias opções, incluindo um dador de esperma."
Um ano.
Ele sabia há um ano.
Ele viu-me a injetar hormonas, a chorar a cada menstruação, a culpar o meu próprio corpo. Durante um ano inteiro. E nunca disse uma palavra.
A raiva era uma onda quente que subia pelo meu peito. Era tão forte que me deixou sem fôlego.
Agradeci à Dra. Alves, a minha voz robótica e distante.
Saí da clínica e entrei no meu carro. Fiquei sentada ali, a olhar para o trânsito, mas sem o ver realmente.
A traição era tão profunda, tão completa. Não era apenas sobre o bebé. Era sobre cada momento de dor que ele me deixou passar sozinha, sabendo que a "culpa" era dele.
Peguei no telemóvel e liguei-lhe.
Ele atendeu ao segundo toque.
"Eva?"
"Tu sabias," disse eu, sem rodeios. "Tu sabias há um ano."
Silêncio do outro lado.
"Leo, responde-me. Tu sabias?"
"Eva, eu ia contar-te..."
"Quando? Quando é que ias contar-me? Depois de mais um ano de tratamentos inúteis? Depois de eu perder a empresa do meu pai?"
A minha voz subiu, cheia de uma fúria que eu não sabia que tinha.
"Eu não queria magoar-te! Eu pensei que talvez... talvez um milagre acontecesse."
"Um milagre?" ri, um som amargo e feio. "Tu não querias magoar-me? Deixaste-me pensar que eu era o problema! Deixaste a minha família olhar para mim com pena! Deixaste-me odiar o meu próprio corpo!"
"Eu sinto muito, Eva..."
"Não, não sentes. Tu só sentes pena de ti mesmo. Da tua masculinidade ferida. O divórcio está de pé, Leo. Quero que saias de casa até ao final do dia."
Desliguei antes que ele pudesse responder.
As minhas mãos tremiam tanto que mal conseguia segurar o volante.
Fui para o escritório. O escritório do meu pai.
Precisava de pensar. Precisava de um plano. Um ano. Eu tinha um ano.
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