
Ex-Esposa Abandonada: Agora Intocável
Capítulo 2
O funeral foi pequeno. Patético, na verdade.
Três dias depois, uma garoa constante caía sobre o cemitério particular no Queens. Não havia imprensa, nem sócios de Lancaster. Apenas Isolde, o padre e dois funcionários da casa que gostavam de Effie o suficiente para comparecer.
Grayson não estava lá.
Sua assistente havia enviado um e-mail para Isolde naquela manhã. Reunião de emergência do conselho sobre a expansão do mercado asiático. O Sr. Lancaster lamenta não poder comparecer.
Isolde observou o pequeno caixão branco ser baixado à terra.
Seu celular vibrou no bolso. Ela o ignorou. Vibrou de novo. E de novo.
Ela o pegou, pensando que poderia ser o hospital com alguma papelada final.
Era uma notificação do Instagram. Belle Escobar havia marcado Grayson Lancaster.
Localização: The Hamptons Golf Club.
A foto mostrava Grayson no meio de uma tacada. Ao fundo, Kaiden segurava um conjunto de tacos de golfe em miniatura, rindo. Belle segurava uma mimosa.
A legenda dizia: Às vezes, você só precisa de um dia de saúde mental com os garotos.
Isolde encarou a tela até que os pixels queimassem em suas retinas. Um dia de saúde mental. Enquanto sua filha estava sendo enterrada na lama.
Ela não gritou. A parte dela que podia gritar havia morrido na UTI.
Ela foi para casa.
A cobertura estava silenciosa. Grayson ainda não havia chegado. Isolde entrou no quarto de Effie. Ainda cheirava a talco de bebê e lavanda. Ela começou a empacotar.
Roupas em caixas. Brinquedos em sacolas. Os desenhos na geladeira. A escova de dentes no banheiro.
A porta da frente se abriu por volta das 18h. Grayson entrou. Ele parou no corredor, vendo a pilha de caixas.
"Finalmente", disse ele, afrouxando sua camisa polo. "Eu venho te dizendo há meses para limpar essa bagunça. Agora podemos transformar aquele quarto em um escritório de verdade para o Kaiden."
Isolde ficou parada, segurando um envelope pardo.
Ela caminhou até ele. "Assine isto", disse ela.
Grayson olhou de relance para o envelope. "O que é isso? Outra conta dos especialistas dela? Eu te disse, é só mandar para a contabilidade."
"Apenas assine", disse ela. Sua voz era vazia.
Grayson revirou os olhos, pegando a caneta que ela ofereceu. Ele nem leu o cabeçalho. Rabiscou sua assinatura — Grayson Lancaster — grande e floreada, a assinatura de um homem que era dono do mundo.
"Pronto", disse ele, jogando o envelope de volta no aparador. "Feito. Agora, Belle foi promovida a VP hoje. Vamos oferecer um jantar esta noite. Diga à Sra. Higgins para preparar algo impressionante. E tente parecer... menos como um cadáver."
Isolde pegou os papéis assinados. Ela não respondeu.
Ela caminhou até as portas do terraço.
"Aonde você vai?", Grayson gritou, já caminhando em direção à cozinha.
Isolde saiu para o ar fresco da noite. Ela havia acendido o fogo na lareira externa decorativa mais cedo.
Ela segurou o álbum de casamento sobre o fogo.
As chamas lamberam as laterais, enrolando as fotos. Ela observou seu próprio rosto sorridente de cinco anos atrás ficar preto e se desfazer em cinzas.
Ela pegou o urso de pelúcia. Aquele com que Effie dormia todas as noites.
Ela o derrubou também.
"Isolde?"
Grayson estava parado nas portas de vidro, com um copo d'água na mão. Ele parecia confuso. Ele cheirou o ar.
"O que você está queimando?", ele perguntou, abrindo a porta de correr. "Tem cheiro de plástico queimado."
Isolde se virou para olhá-lo. Seus olhos eram vazios.
"Lixo", disse ela. "Apenas lixo."
Grayson franziu a testa. Ele sentiu uma dor súbita e aguda no peito, um aperto que não conseguia explicar. Ele esfregou o esterno. "Pare de ser estranha. Vá se vestir para o jantar."
Ele voltou para dentro.
Isolde o observou ir. Ela se virou de volta para o fogo. O urso havia sumido. As fotos haviam sumido.
Ela voltou para a cozinha, abriu o armário acima da pia e pegou o frasco de soníferos prescritos. Aqueles que o médico lhe deu para seus 'nervos'.
Ela serviu um copo d'água.
Ela foi para o quarto de hóspedes — aquele em que vinha dormindo no último ano. Sentou-se na beirada da cama.
Ela engoliu a primeira pílula. Depois a segunda. Depois o punhado.
Ela se deitou, cruzando as mãos sobre o peito.
Estou indo, Effie, ela pensou. Espere pela mamãe.
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