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Capa do romance Eu preciso de você

Eu preciso de você

Com o sumiço de Alexia, Zack enfrenta desafios solitários. Ele precisa lidar com o retorno da mãe e a prisão do pai, enquanto sofre pela falta de quem lhe mostrou o amor. Paralelamente, Alexia luta para resistir ao caos e retornar ao seu lar. Nesta sequência da duologia Eu odeio amar você, o casal enfrenta provações intensas que testarão se o sentimento entre eles é capaz de se fortalecer diante de tantas adversidades e do sofrimento da distância.
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Capítulo 3

-Como assim você recebeu uma ligação? -Comecei a andar pelo quarto com o telefone no ouvido.

Hoje faz 3 dias que Alexia está desaparecida. Sequer tivemos alguma notícia de como o caso dela está. Estava começando a ficar desinquieto até receber esse telefonema vindo de minha mãe.

-Eles querem cinquenta mil em troca dela. -Respirou fundo. -Eu não sei o que fazer, Zack. Não tenho aonde arranjar esse dinheiro.

-O pior é que eu nem posso comentar nada com o senhor Gomes, senão ele vai querer saber como é que o sequestrador entrou em contato conosco. -Cocei a testa. -Estamos presos em uma enrascada.

-Eu consegui escutar a Alexia.

Ouvir o seu nome fez o meu coração acelerar.

-Como é que ela... -Não consegui terminar. -Como ela está?

-Me pareceu desesperada. -Escutei ela fungar o nariz. -Estou me sentindo péssima com tudo isso.

-Nós temos que arranjar esse dinheiro. Até quando que você pode passar a grana pra eles?

-Até sábado.

-Está brincando. Isso é daqui dois dias! -Quase gritei. -Como quer que a gente consiga cinquenta mil em dois dias?

-Eu não sei! -Gritou nervosa também. -Eu não sei. Estou tão desesperada quanto você. Olha, é isso ou eu vou ter que voltar a trabalhar pra eles. Isso sem ter a certeza de que ela vai voltar viva.

Coloquei o dedo na boca e comecei a roer a unha.

Apesar de eu estar completamente irritado com tudo o que ela causou, sou incapaz de dizer a ela para fazer isso. Não posso pedir para ela voltar a trabalhar para essas pessoas desgraçadas.

-Tá bom, olha, eu vou tentar pensar em alguma coisa. Te ligo assim que tiver alguma ideia.

-Tudo bem. -Respirou fundo. -Toma cuidado, meu filho. Amo você.

Suas últimas palavras me fizeram ficar em silêncio por alguns segundos.

-Tchau. -Foi a única coisa que consegui dizer.

Desliguei o celular e apoiei minha cabeça nas mãos. Isso tudo está me deixando maluco.

-Irmão. -Levantei a cabeça e vi Alicia parada na porta do meu quarto. -Mamãe pediu pa eu avisa que a polícia tá lá embaixo. Eles quelem falar com você.

A polícia? Mas o que é que eles teriam pra conversar comigo? Até porque pra eles eu sou apenas o "namorado" da vítima. Estranho.

-Estou indo. Obrigado, Alicia.

Ela saiu correndo e eu me levantei. Antes de sair do quarto, dei uma olhada no espelho e vi que não estou tão mal assim.

-Agora é a sua vez de se fuder. -Alysson riu assim que passei por sua porta.

A ignorei e continuei seguindo em frente. Quando cheguei no topo da escada, avistei dois policiais de pé em frente do sofá. Valentina e o senhor Gomes estão sentados, ambos parecendo estarem nervosos.

-Você é Zack Kendell? -Perguntou o polícial mais alto. Ele parece ter saído de um filme onde possui aqueles xerifes com o bigode marcante.

-Sim. -Concordei assim que desci o último degrau. -Aconteceu alguma coisa? -Olhei para o rosto de Valentina e a vi quase me implorando mentalmente para eu me manter calmo.

-Nós queremos apenas te fazer algumas perguntas, senhor Kendell. -Respondeu o outro, que está com um bloco de notas na mão e parece estar anotando algumas coisas.

-Ok. -Falei e cruzei os braços. -Estão me achando suspeito?

-Zack. -Valentina me repreendeu.

-Está tudo bem, senhora Kendell. -Olhou para ela e em seguida para mim. -Não, não estamos achando que você é um suspeito. São apenas perguntas de rotina.

-Vamos lá então. -Arrumei minha postura.

-Poderia se sentar junto a eles dois, por favor? Isso facilitaria a nossa comunicação.

-Estou bem aqui. -Olhei ao redor.

-O senhor poderia por favor se juntar a eles dois? -Disse o policial com cara de xerife. Ele parece estar quase perdendo a paciência. Típico dos policiais de Manhattan.

Fui sem vontade nenhuma em direção ao sofá e me sentei em um que não há ninguém.

-Poderia nos dizer aonde esteve no dia em que Alexia foi sequestrada?

Pensei um pouco.

-Em casa. -Cruzei as pernas. -Estava deitado em meu quarto assistindo um filme.

O que está com o bloco de notas começou a anotar.

-E quando você a viu pela última vez?

-De tarde. Logo que chegamos da escola.

-O que ficaram fazendo nesse tempo?

-Escuta, isso é mesmo necessário? Porque pra mim isso já é invasão de privacidade.

-Queremos apenas alguma respostas, senhor Kendell. -Colocou a mão no cinto. -Agora responda a minha pergunta.

Olhei para o senhor Gomes e em seguida para Valentina. Eu não posso falar a verdade. Não mesmo.

-Estudando. -Voltei a olhar para os policiais. -Estávamos estudando para uma prova.

Anotou mais uma vez.

-Ela chegou a te contar que iria àquele local?

-Não. -Neguei e me segurei para não me xingar mentalmente por isso. -Ela não... ela não me contou. -Abaixei a cabeça.

-Por que acha que ela não te contaria? Afinal, vocês são bem próximos, não?

-E-Eu não sei. -Senti minha garganta se fechar. -Ela fez isso escondido de todos nós. Acha mesmo que se eu soubesse, teria deixado ela ir até lá? Ainda mais de noite?

-Entretanto você conhecia a mulher com quem ela estava se encontrando.

Senti o olhar de todo mundo focar sobre mim. Essa não. Mas que merda.

-Do que está falando? -Tentei não gaguejar. -Acha que se eu soubesse, não teria contado a vocês?

Mandou bem, idiota. Mente mesmo na frente dos policiais. E na verdade eu nem sei por que é que estou fazendo isso. Ayanna não merecia isso. Ela merecia ser presa para poder pagar por tudo o que está fazendo a Alexia passar.

-Lá na cena do crime nós encontramos essas cartas. -Retirou de dentro da jaqueta e abriu um dos papéis. Olhei para o senhor Gomes e ele parece estar tentando entender. Pelo jeito quando íamos ontem na delegacia, era esse o papel que eles tinham encontrado. -E aqui parece estar sendo um pedido de desculpas especial a você. Será que poderia nos explicar?

Me levantei e isso fez o policial com cara de xerife tocar na algema em seu cinto.

-Fique aonde está.

-Eu só quero ver o que tem na carta.

-Agora não. -Dobrou o papel mais uma vez. -Antes eu quero saber quem é Ayanna e por que é que ela estava te pedindo desculpas. Aqui fez parecer que ela havia abandonado você e a sua irmã quando mais novos. Me diga, senhor Kendell, Ayanna se trata de sua mãe?

-Zack, o que você... -Valentina tentou falar mas o policial a mandou ficar quieta.

-Eu não... -Não consegui encontrar as palavras.

Não adianta mais. Tudo foi por água abaixo. Tudo o que eu disser daqui pra frente será usado contra mim. Ou eu a denuncio, ou vai nós dois pra prisão.

-Pode nos explicar por que é que sua mãe estava se encontrando naquele horário com a desaparecida?

-Eu não sei. -Neguei. -Eu nem sabia que ela estava viva. -Tentei manter minha voz firme. -A última vez que vi minha mãe foi quando eu tinha 3 anos de idade. Eu cresci sabendo que ela morreu. É praticamente impossível ser ela.

O policial não tirou seu olhar de mim, como se quisesse ver se estou dizendo a verdade ou não.

-Acredite, se eu pudesse fazer qualquer coisa para poder ter a Alexia aqui agora, eu com certeza faria. Eu jamais tramaria alguma coisa para machuca-la. -Me sentei mais uma vez e olhei para baixo.

-Muito bem, acabamos por hoje. -Escutei ele fechar o bloco de notas mas não ergui a cabeça. -Eu aviso vocês sobre qualquer notícia. Obrigado pela ajuda.

Senhor Gomes se levantou e os acompanhou. Antes de um dos deles sair, ele veio até mim e se inclinou através das costas do sofá.

-Estou de olho em você, rapazinho. Ainda não estou tão convencido de sua história.

Olhei para ele e o mesmo arrumou o chapéu na cabeça.

-Tenham um bom dia. -Dito isso eles saíram e eu me levantei também.

-Temos que conversar. -Valentina pegou em meu braço assim que passei por ela.

(...)

-Que história é aquela? -Começou a andar de um lado para o outro em meu quarto. -Zack, eu quero que você olhe no fundo dos meus olhos e me diga que você não tem nada haver com toda essa história.

Continuei a olhando e coloquei o dedo indicador na boca.

-Por favor, me diga que você não tem nada haver.

Não posso dizer a verdade a ela. Não posso lhe contar sobre minha mãe. Isso a tornaria cúmplice também e eu não suportaria dar esse peso a ela.

-Não tenho nada haver, Tina.

Ela suspirou aliviada e parou de andar.

-Estou tão surpreso quanto você. -Continuei.

-Graças aos céus. -Veio até mim e pegou em meu rosto. -Eu não suportaria ver você indo preso também.

Ok, isso me deixou preocupado.

-Não era a minha mãe, Tina. Eles se enganaram.

-Sim, eu penso isso também. -Sorriu e arrumou o meu cabelo para trás. -Que coisa, não é? Por um momento eu pensei que você estivesse metido em todo esse caos.

Forcei um sorriso.

-De qualquer forma, vá tomar um banho. Você está fedendo. -Ela me soltou e eu involuntariamente cheirei minhas axilas.

-Não estou não.

-É claro que está. E vê se dá um jeito nesse quarto. Pelo amor de Deus, isso está pior do que um chiqueiro.

Ri e ela começou a ir em direção a saída.

-Tina. -A chamei e ela se virou. -Amo você.

Ela sorriu e pareceu ter ficado emocionada.

-Eu também amo você. -Disse e saiu.

Já eu me joguei para trás na cama e fiquei durante um bom tempo apenas observando o teto.

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