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Capa do romance Eu não sou a vilã

Eu não sou a vilã

Beatrix, de dezessete anos, ostenta uma vida de luxo e um noivado impecável, escondendo uma profunda infelicidade sob as aparências. Embora o romance tenha trazido um breve senso de valor, a chegada de uma nova aluna abala sua estabilidade. Consumida pelo ciúme, a jovem comete atos impensáveis em um momento de fúria. No entanto, em meio ao caos, ela finalmente desperta para a verdade: ela é a única e real protagonista de sua própria trajetória.
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Capítulo 3

Eu me arrumava apressadamente para a primeira festa de comemoração da volta às aulas, costumávamos chamar de ritual ao ano letivo, mas não passava de desculpas esfarrapadas para os jovens encherem a cara. O relógio marcava 18:50 da noite, se eu não terminasse em menos de cinco minutos iria me atrasar. Estava enrolando meus cachos freneticamente numa forma de terminar mais rápido, o que não estava funcionando, até que o ranger da porta me despertou e me fez parar de enrolar o cabelo. Por um breve momento pensei ser minha mãe, até o Felipe entrar pela porta.

— Oi, você já chegou — Falei sorrindo ao vê-lo entrar no meu quarto.

— Sim minha princesa, você está muito linda. — Disse me puxando pela cintura. 

Eu vestia um vestido preto que valorizava minhas curvas, a maquiagem estava leve, eu usava apenas uma base e um delineado de gatinho, juntamente com um batom roxo, o que combinava bastante com o que eu estava usando.

— Você tá um príncipe, como sempre! — Retribui o elogio. 

— Sabe que eu amo quando você me elogia, não é? — Perguntou sussurrando o que me causou arrepios. 

— Sei — Assim que respondi, ele iniciou um beijo, calmo e lento, sem nenhuma pressa, o que me fez arfar, ele sabia de todas as formas quais eram meus pontos fracos, e o seu beijo gentil era uma delas, eu estava perdidamente apaixonada por ele, mas como tudo o que é bom dura pouco, o beijo foi finalizado por causa da maldita falta de ar.

— Vamos ou iremos nos atrasar — Alertou.

Dei uma última olhada no espelho e ajeitei o batom que havia acabado de borrar e logo após pegar minha bolsa, descemos juntos para o andar debaixo onde eu me despediria da minha mãe. O salão de festa ficava a trinta minutos de carro da minha casa e andando a uma hora, mas chegaríamos rápido já que o Felipe veio no seu carro. Quando chegamos no térreo, minha mãe assistia a um filme com um balde de pipoca na mão, isso era o que ela mais fazia quando sentia saudades do meu pai.

— Mãe, já estamos indo. Prometo estar de volta antes das 00:00 noite. — Avisei

— Tudo bem filha, tenham cuidado na volta e não usem muito álcool — Minha mãe falou como se implorasse.

— Não se preocupe que cuidarei bem dela, sogra — Foi a vez de Felipe se pronunciar, e se dependesse dele, eu não ia encostar uma gota sequer de álcool na minha boca, pois ele sabia perfeitamente como era a minha relação com o álcool.

— Então confiarei em você, Felipe.

— Pode deixar dona Maria.

— Tchau mãe, até mais tarde!

Depois de nos despedir da minha mãe, seguimos para o seu carro e depois que ele abriu a porta, eu pude sentar. Eduardo era dois anos mais velho do que eu, o que trazia pequenas vantagens, como por exemplo, ele podia dirigir e me levar para alguns lugares que eu pedisse sem precisar do motorista particular da minha família. Ele havia ganhado o seu carro como presente de dezoito anos, ele era responsável o suficiente para dirigir um carro.

Nos conhecemos no primeiro ano do ensino médio, em exatamente três meses faremos dois anos de namoro e também acontecerá a nossa festa do nosso noivado, ele havia me pedido oficialmente na festa de final de ano, o que me deixou bastante feliz. Diferente como pensam, minha vida não era tão boa como a minha família passa o ar de ser. Meu pai é um juiz renomado na nossa cidade, o que o leva a várias viagens ao longo dos dias, deixando a esposa supostamente perfeita e uma filha saudável em casa sozinhas, o que era mentira, minha mãe não passava de uma mulher triste e infeliz e uma filha depressiva. 

O Felipe trouxe de volta o que meu pai havia tirado de mim, minha felicidade. Nesses quase dois anos eu estava voltando a ser quem eu era antes, uma garota sorridente, que adorava ajudar as pessoas, mas que por consequência dos atos e atrocidades do pai havia se fechado para o mundo, e que apenas os melhores amigos haviam ficado ao lado.

— O que você tanto anda pensando? Nem ao menos parece minha noiva — Felipe perguntou rindo me tirando dos meus pensamentos. 

— Nas coisas da minha vida e em como você me ajudou a melhorar — Fui sincera.

— E eu sempre estarei ao seu lado, para lhe ajudar cada dia mais — Disse o que fez meus olhos encherem de lágrimas e em seguida me fez abrir um enorme sorriso. 

— Obrigada por sempre estar comigo — Ele me deu um selinho longo assim que terminei a frase, o que me fez ficar com um sorriso bobo no rosto. 

Assim que chegamos no local, já era possível ouvir a música alta e alguns adolescentes já bêbados na porta da casa em que estava acontecendo a festa. Fomos ao estacionamento juntos de ao descer do carro, não tão próximo da festa, tinha uma menina com os óculos fundos sendo encurralada por duas meninas do grupo de dança, patética a novata era, o que ela tinha feito para irritar logo a Aline? 

— Vocês não deveriam fazer isso com ela — Felipe num passe de mágica apareceu do lado da garota me fazendo sentir um pouco de ciúmes, em que momento ele saiu do meu lado e eu não percebi?

— Corta essa Felipe, essa cegueta derramou refrigerante na minha saia, fica do lado na Trix que é melhor que você faz — Aline disse com raiva.

— Vamos amor, isso não é da nossa conta! — Puxei-o de volta para mim. 

— Mas você não ia gostar se isso acontecesse com os seus amigos, ia? — Perguntou baixo o que me fez franzir o cenho.

— Somos populares demais para que isso aconteça, agora vamos! — Eu acabei ordenando o que fez ele me olhar assustado e até eu me assustei pelo modo no qual eu havia falado. 

Eu pisava firme no chão, aquela cena havia me aborrecido, era raro ele defender alguém como também responder a mim, ainda mais uma completa desconhecida como aquela garota. Assim que adentramos na casa, o lugar estava repleto de bolas e copos de bebidas pelas mesas, e de longe pude ver meus amigos, o que me fez dar um sorriso e acenar levemente.

— Meus amigos estão na mesa de bebidas, irei falar com eles e em breve encontro você — Avisei 

— Não se esqueça que temos que voltar antes das 00:00 noite.

— Não se preocupe, antes das 10:00 irei de encontro a você — Me despedi com um beijo e fui de encontro aos meus amigos e o mesmo deu de ombros. 

Fui me aproximando e de cara vejo Lucas devorando um copo de bebida e como sempre a vitória reclamando com ele, ele sabia o quão frágil era e ainda tentava beber. 

— É claro que vocês estariam aqui — Falei rindo.

— Esse idiota sabe como ele é em relação a bebida e ainda fica assim — Vitória batia em sua costa enquanto. ele se engasgava com a bebida

— Só tem apenas dezessete e já tá desse jeito, seu fígado que aguente você! — Todas as vezes que Lucas ingeria álcool, mesmo que uma pequena quantidade ele vomitava horrores, sem falar que também se embriagava rapidamente. 

— Olha só quem fala, você também não aguenta nada Beatrix — Rebateu o que me fez levantar as sobrancelhas pela sua ousadia.

— Que ousado. 

— Cadê o Felipe? Você não veio com ele? — Vitória perguntou enquanto procurava.

— Vim sim, ele provavelmente está com os amigos dele agora. 

Lucas se encontrava sentado numa cadeira de madeira que estava bem ao nosso lado, ele cochilava mesmo com todo o barulho que fazia, mas como ele conseguia, pelos céus, mas eu sabia, já era o efeito do álcool em seu organismo e o próximo passo era esperar pelos vômitos. .

 — Chegou uma garota nova na escola — Vitória analisava o local à procura de alguma coisa.

— E como é o nome dela? — Perguntei curiosa

— Caroline, é amiga dos nerds, o João e o Marlon — Avisou, eu conhecia bem eles, sempre disputamos pela maior nota da sala, mesmo tirando notas iguais. 

— Ela veio hoje? 

— Sim, até arrumou confusão com a Aline — Disse achando a coisa mais engraçada do mundo.

Então aquela feiosa com óculos fundo era a garota nova da escola? 

— Eu vi isso, pelo visto as novidades se espalham rápido.

— Queria ter visto, assim como você viu — Bebericou seu vinho.

— Felipe até defendeu ela, antes que eu o puxasse de volta — Falei um pouco brava.

— Mal chegou e já está causando todo esse alvoroço.

Eu concordei, fomos para a pista de dança, e nossos corpos se mexiam a cada toque da música, atraindo a atenção das pessoas que se encontravam no lugar, as festas feitas em comemoração eram sempre divertidas, principalmente quando eu podia fazer o que mais gostava, dançar. 

Algumas pessoas nos acompanhavam na dança, e alguns garotos tentavam chegar perto de mim, o que era assédio, e eu sabia muito bem como lidar com um assediador. Assim que o relógio marcou 22:00 da noite, sai para procurar o Felipe, o que me surpreendeu, já que ele estava com o famoso grupo nerd, pessoas que ele mais evitava na face da terra. 

— Amor, já são 22:00 da noite — O beijei deixando a garota nova um pouco desconfortável. 

— Quase esqueci que tinha que levar você de volta — Disse me afastando. 

— Então vamos? — Chamei e o mesmo concordou, seus olhos brilharam quando se encontraram com os da aluna nova, o que me deixou com um pouco de raiva. 

— Claro que sim, até amanhã, pessoal — Ele se despediu.

— Até amanhã, fracassados! — Também fiz a gentileza de me despedir, o que fez o Felipe me olhar entristecido, mas eu apenas o ignorei. 

Fomos para o carro e eu evitava olhar para ele, não queria começar uma confusão por algo que talvez fosse desnecessário, mas de todo modo, eu estava um pouco triste. Ele sabia de todos os meus medos, não era possível que ele me machucasse, era?  

— Tratou eles daquela forma por quê? — Me perguntou prestando atenção no volante. Eu queria evitar essa conversa e aparentemente ele queria ter.

— Não gosto deles e não gostei daquela garota — Falei sincera e firme.

— Me diz de quem você gosta? — Dessa vez me perguntou um pouco ignorante.

— Todas as meninas, menos ela.

— Você nem a conhece!

— E você, conhece? — Perguntei e ele ficou calado.

— Vamos parar por aqui. Não quero continuar essa conversa. 

O restante da viagem voltou a ser silenciosa, às vezes eu o olhava pelo espelho do carro, enquanto ele não fazia questão de me olhar, eu poderia ter tudo, dinheiro, viagens quando eu quisesse, mas ele sabia o quão insegura em questão de aparência eu era, mesmo com todos da minha volta me dizendo o quão perfeita eu era, a realidade é que eu me odiava, mas gostava das coisas que eu tinha. Quando chegamos na minha casa eram 22:40, o carro estava parado bem em frente e nenhum de nós dois emitimos som, eu estava com uma enorme vontade de chorar, tanto pelo modo no qual ele havia me tratado, como a forma na cruel que os meus pensamentos estavam me fazendo pensar em coisas que não existiam.  

— Nos vemos amanhã, tudo bem? — Ele perguntou  

— Sim, você pode vim me buscar? — Perguntei

— Tudo bem, posso sim, até amanhã — Disse me dando um selinho que não pude deixar de retribuir.

Observei o dar partida no carro e suspirei, mas que noite. Talvez eu tenha estragado tudo, mas eu sabia que era apenas a minha ansiedade me pregando uma peça e também sabia o quanto ele me amava e que jamais seria capaz de me machucar.

Quando entrei no salão, percebi que a luz da sala estava ligada, talvez minha mãe ainda estivesse me esperando acordada, e pelo menos eu havia cumprido a minha promessa, cheguei em casa antes das 00:00 noite.

— O que ainda está fazendo acordada, mãe?

— Eu não conseguiria dormir enquanto você não chegasse. 

— Bom, agora eu cheguei, acho que podemos dormir — Chamei.

— Sim querida, podemos finalmente dormir.

Minha mãe suspirou aliviada, ela tomava remédios para insônia e eu sabia o quão sonolenta ela ficava, por esse lado eu estava sendo uma péssima filha para ela, mas agora ela poderia descansar. 

— Boa noite mamãe.

— Boa noite minha filha.

E assim se encerrou mais um dia monótono.

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